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Tudo como nunca foi
Iranianos protestam, tacam fogo e reclamam do
presidente
americano
mas agora é porque não apoia a oposição

Vilma Gryzinski
AP
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Manifestações de rua no Irã são tão
repetitivas que parecem sátiras de televisão: disque 1 para queimar
bandeira americana, disque 2 para gritar "Morte à América"
e por aí vai. Na quarta-feira passada, com o peso de uma data redonda
trinta anos da invasão da embaixada americana , a narrativa
habitual foi dramaticamente rompida. Usando a tática de aproveitar protestos
com o selo de aprovação do regime para sair com menos controles
às ruas, manifestantes da oposição nascida durante a campanha
para a última eleição presidencial inverteram o fluxo de
sempre. Em vez de exorcizarem o Grande Satã diante do prédio onde
funcionava a embaixada dos Estados Unidos, eles foram para a frente da embaixada da Rússia, ligadíssima ao
regime, e gritaram: "O verdadeiro covil de espiões é aqui".
O habitual "Morte à América" foi substituído
por "Morte ao ditador" é assim que chamam o odiado Mahmoud
Ahmadinejad. Nesse mundo de pernas para o ar, inconcebível até
recentemente, os manifestantes mantiveram a tradição de invectivar
o presidente americano, mas com sinal invertido: "Obama, Obama, você
está do lado deles ou do nosso". Imaginem só, o líder
do mundo livre reprovado nas ruas de Teerã por não apoiar uma tendência democratizante no
regime dos aiatolás. O silêncio do governo americano obedece a um imperativo superior: nada é mais importante do que conseguir que o Irã aceite a proposta de um grande acordo pelo qual o combustível de seu programa nuclear será processado no exterior,
garantindo assim que não incidirá em bruxarias atômicas.
Com acordo, será um
Obama nas alturas. Sem ele, o roteiro da catástrofe já está
escrito. |