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Home  »  Revistas  »  Edição 2138 / 11 de novembro de 2009


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Tudo como nunca foi

Iranianos protestam, tacam fogo e reclamam do presidente
americano – mas agora é porque não apoia a oposição


Vilma Gryzinski

AP

Manifestações de rua no Irã são tão repetitivas que parecem sátiras de televisão: disque 1 para queimar bandeira americana, disque 2 para gritar "Morte à América" e por aí vai. Na quarta-feira passada, com o peso de uma data redonda – trinta anos da invasão da embaixada americana –, a narrativa habitual foi dramaticamente rompida. Usando a tática de aproveitar protestos com o selo de aprovação do regime para sair com menos controles às ruas, manifestantes da oposição nascida durante a campanha para a última eleição presidencial inverteram o fluxo de sempre. Em vez de exorcizarem o Grande Satã diante do prédio onde funcionava a embaixada dos Estados Unidos, eles foram para a frente da embaixada da Rússia, ligadíssima ao regime, e gritaram: "O verdadeiro covil de espiões é aqui". O habitual "Morte à América" foi substituído por "Morte ao ditador" – é assim que chamam o odiado Mahmoud Ahmadinejad. Nesse mundo de pernas para o ar, inconcebível até recentemente, os manifestantes mantiveram a tradição de invectivar o presidente americano, mas com sinal invertido: "Obama, Obama, você está do lado deles ou do nosso". Imaginem só, o líder do mundo livre reprovado nas ruas de Teerã por não apoiar uma tendência democratizante no regime dos aiatolás. O silêncio do governo americano obedece a um imperativo superior: nada é mais importante do que conseguir que o Irã aceite a proposta de um grande acordo pelo qual o combustível de seu programa nuclear será processado no exterior, garantindo assim que não incidirá em bruxarias atômicas. Com acordo, será um
Obama nas alturas. Sem ele, o roteiro da catástrofe já está escrito.
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