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EmpreendedorismoRumo a uma vida sem chefes
Quem conversa com um jovem sobre perspectivas de carreira costuma citar, como meta a ser perseguida, um bom emprego numa multinacional ou em um órgão governamental. Poucos se lembram de mencionar a possibilidade de ter um negócio como caminho para a realização e a estabilidade financeira. Talvez porque abrir uma empresa e fazê-la sobreviver aos delicados primeiros anos nunca tenha sido tarefa fácil no Brasil. A boa notícia é que as condições gerais estão ficando um pouco mais amigáveis. Nos últimos três anos, de acordo com pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o porcentual de empresas que conseguem completar dois anos aumentou de 51% para 78%, resultado que pode ser atribuído ao ambiente econômico mais favorável com controle de inflação, maior disponibilidade de crédito, queda da taxa de juros e aumento de consumo e à melhora no grau de preparo dos empreendedores. O porcentual de donos de novos negócios com nível superior, completo ou incompleto, já chega a 79%, e a proporção dos que têm experiência anterior em empresa privada subiu de 34% para 51%. Conhecer o mercado em que se vai atuar é considerado o principal fator de sobrevivência das empresas recém-fundadas. Só assim é possível identificar oportunidades de negócio e desenvolver uma boa estratégia de vendas. Os engenheiros Gustavo Vieira, de 27 anos, e Bernardo Castro e Adriano Naspolini, de 29, por exemplo, perceberam que o agronegócio no Brasil demandava tecnologia a baixo custo e abriram uma empresa que desenvolve, entre outros produtos, sistemas automáticos de adubação. Com cinco anos de existência e baseada em Florianópolis, a Arvus deve fechar o ano com um faturamento de 1 milhão de reais. Do ponto de vista financeiro, a maior chance de sucesso está do lado de quem dispõe de recursos próprios para o investimento inicial e o capital de giro recorrer ao dinheiro caro dos bancos é o primeiro passo para abrir um rombo irrecuperável nas contas. O investimento médio para abrir um pequeno negócio no Brasil é de aproximadamente 100 000 reais. O retorno é demorado, mesmo porque é preciso reinvestir o lucro na própria empresa, especialmente nos primeiros anos.
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