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Home  »  Revistas  »  Edição 2138 / 11 de novembro de 2009


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Fotografia

Rio 400 graus

Tirem as crianças da sala: o livro de Mario Testino celebra
o Rio de Janeiro de todas as sensuais e previsíveis maneiras.
Mas quem resiste a ver Gisele, Isabeli, Grazi, Fernanda...


Juliana Linhares

Fotos Mario Testino/Art Partner Inc
TOQUE TESTINO
Isabeli faz aquele olharzinho: "As modelos confiam em mim porque sabem que não vou sacrificar a beleza delas"

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No Rio de Janeiro de Mario Testino a paisagem é sublime, o povo é alegre, os homens são esculpidos e as mulheres, bem, as mulheres são Gisele Bündchen, Isabeli Fontana, Grazi Massafera, Fernanda Lima, Alinne Moraes... E ainda por cima despidas, de um jeito que só Mario consegue. É um clichê? Sem dúvida. Lindo de morrer? Absolutamente. MaRio de Janeiro, o livro recém-lançado de Testino, que aos 55 anos continua a se equilibrar na disputadíssima posição de fotógrafo de moda mais celebrado do mundo, tem 200 páginas e 107 personagens de todos os sexos, famosos e anônimos, suficientemente sensuais para torná-lo a coisa mais disputada em qualquer mesinha de centro – e mantido longe do alcance dos menores. Todos com o jeito classudo característico do "toque de Testino", o peruano que descobriu o Rio aos 17 anos e passou o resto do tempo fotografando mulheres lindas, famosas e provocantes. Em outras palavras, Gisele, sua mais conhecida inspiração. Até acontecer o encontro mutuamente transformador, Testino viveu as agruras previsíveis. Morou em um canto de um hospital londrino abandonado e fazia retratos a 25 euros de aspirantes a modelo. Copiava a estética dos fotógrafos ingleses que, à época, só queriam saber das modelos mais transparentemente magras. "Foi quando decidi fotografar meninas com cintura e bumbum que dei certo", conta Testino em um perfecto português e simpatia à altura, mais do que suficiente para quebrar as barreiras de celebridades apressadas e complicadas. Só para começar a lista: Madonna, Angelina Jolie, Nicole Kidman, Demi Moore, Catherine Zeta-Jones, Julia Roberts, Kate Moss e, no topo de todas, Diana, em belas e humanas fotos, sem pose de princesa, pouco antes da morte trágica.

Fotos Mario Testino/Art Partner Inc
CULTO AO CORPO
Os rapazes do Rio e Grazi: "Cheguei, tirei a roupa e simplesmente fui fazendo o que ele pedia"


A primeira foto que Testino fez de Gisele foi para a revista americana Allure, quando a modelo tinha 17 anos. "Passei seis meses tentando vendê-la a produtoras de moda, mas ninguém a queria. Insisti nela e, pouco tempo depois, as mesmas produtoras diziam que era impossível vender revista sem Gisele", conta Testino. É justamente parte desse ensaio que consta do novo livro, com uma Gisele adolescente e totalmente descontraída em relação ao modelo com o qual faz par, num show de, digamos, corporalidade. Fazer o posado parecer espontâneo é o mínimo que se espera de qualquer fotógrafo profissional, mas aquela expressão de desejo, o olharzinho de vamos ver no que dá, as tatuagens que brotam de lugares nunca antes desvendados... "Ele tem algo que faz a gente tirar a roupa. Não sei o que esse homem tem", disse recentemente Fernanda Lima, em um evento em homenagem a Testino. "Ao contrário de muitos fotógrafos, ele põe a mão na modelo, abraça, sussurra um monte de besteiras no ouvido delas. Isso as deixa envolvidas em um clima de sedução. O resultado são fotos extremamente sexuais", explica um dos mais experientes fotógrafos do país, Clício Barroso. "É quase um flerte o que rola. Se a modelo está linda, fico com a boca aberta, mostrando como estou louco, mas também, se ela não está se saindo bem, digo ‘você está com cara de estúpida’", conta Testino, às gargalhadas.

Na abertura do livro de Testino, Gisele assina um depoimento: "Nós nos entendemos. Ele respeita muito os meus limites, mas, ao mesmo tempo, é quem mais os desafia". Para Grazi, a experiência de fotografar com Testino foi "muito delicada" – talvez quem a veja frente a frente com o namorado, Cauã Reymond, numa espécie de choque tectônico de corpos, use adjetivo diferente. "É incrível como foi tudo simples. Eu já sabia que ele me queria nua. Então, cheguei, tirei a roupa e fui simplesmente fazendo o que ele pedia. Ele é carinhoso e foi me levando devagarzinho", conta Grazi. Para os críticos de Testino, seu trabalho é "cosmético" demais e as fotografadas gostam mesmo é de parecer ainda mais deslumbrantes do que são (os fotografados também: a beleza masculina é exaltadamente cultuada por ele). Testino assina embaixo: "Nunca deixo ninguém mal. As modelos confiam em mim porque sabem que não vou sacrificar a beleza delas para que minhas fotos ganhem força". E o estereótipo de brasileira sensual ondulando a caminho do mar? "Do Rio para cima, vocês têm muitas modelos gostosas. Mas há meninas do Sul que mais parecem alemãs. Veja o caso de Raquel Zimmermann e Carol Trentini", diz. E qual das infindáveis beldades ele prefere? "Ah, a Gisele é incrível, a Fernanda Lima é linda, a Daniella Sarahyba é demais e a Raquel Zimmermann é uma loucura. Meu coração é brasileiro."

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