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Apocalipse em 2012"As profecias são muitas e pouco convincentes, mas seguimos
vivendo num planeta que sempre nos dá motivos para dizer: é o
fim do mundo!" Lúcida, esclarecedora e muitíssimo bem escrita a
reportagem "O fim do mundo em 2012" (4 de novembro). É impressionante
como o homem, ao longo da história, sempre buscou respostas no sobrenatural,
tal como exposto na matéria. Entretanto, como estamos em pleno século
XXI, parte dos atuais defensores de mais essa crença descabida está
se baseando em pretensos fundamentos científicos, como a mudança
no eixo de rotação da Terra, a reversão do campo magnético
do planeta e seu deslocamento para o centro da galáxia, cujo diâmetro
é de nada menos que 100.000 anos-luz. É no mínimo ridículo.
Aguardemos a data, a fim de ver qual será a desculpa. Muito oportuna e bem-humorada a reportagem. Acredito no seguinte:
o mundo que vai acabar é esse modelo arraigado no egoísmo e no
orgulho que temos visto. O mundo vai mudar, será "regenerado" quando
os homens se despirem desses vícios morais e passarem a cultivar as virtudes,
como a honradez, a humildade e a tolerância - assuntos também tratados
nesta rica edição de VEJA. Parabéns aos autores de ambos
os trabalhos. Espetacular a reportagem. Nem a grandiloquência cinematográfica
dos melhores filmes do gênero se compara à profundidade analítica
da matéria. Muito esclarecedor o quadro "Os fins do mundo e seus fins". Que
no dia 21 de dezembro de 2012 estejamos lendo as maravilhosas reportagens de
VEJA, em paz e conscientes de que o apocalipse acontecerá um dia, mas
somente um ser eternamente Divino sabe quando. A capa é de rara felicidade, não sei se intencional
ou não. Uma capa que menciona o medo do apocalipse e vem ilustrada no
alto com a foto de três figuras apocalípticas é realmente
sensacional. Duas figuras que podem realmente apressar essa realidade: Dilma
Rousseff e Hugo Chávez. É esperar para ver essa previsão
apocalíptica. O que mais assusta na reportagem é a frieza com que ela
afirma que os seres humanos estão aqui porque, por acaso, um peixe sofreu
uma mutação e foi se aventurar em terra firme. E que o espermatozoide
que gerou Albert Einstein também foi obra do acaso, e que poderia ter
sido outro, e então o gênio não teria habitado a Terra.
Pergunto: qual é o papel de Deus nisso tudo?
Manual da civilidadeA reportagem "Pequeno manual da civilidade" (4 de novembro) é
extremamente oportuna nesta época de tamanha inversão de valores.
É um necessário puxão de orelhas em todas as pessoas, principalmente
em nós, brasileiros, que, de algum tempo para cá, estamos vendo
empalidecer cada vez mais a noção de ética, honestidade,
honra, solidariedade e altruísmo. Estamos nos fechando em nosso mundinho,
enxergando o próximo como um agressor ou concorrente, e não como
uma pessoa semelhante a nós, com os mesmos direitos. Fiquei realmente feliz e impressionada com o nível e o
conteúdo da reportagem "Pequeno manual da civilidade". Para mim, que
trabalho exaustivamente semeando essas ideias em cursos abertos e treinamentos
empresariais sob o manto da tradicional e moderna etiqueta, foi gratificante
verificar que elas ainda são partilhadas e valorizadas por muitos. Adorei a reportagem sobre civilidade. Ela nos faz pensar em quantas
vezes devemos ter tolerância, por nós e pelos outros, sem perder
a honradez. Como consultora de etiqueta, percebo que atitudes de gentileza,
consideração e respeito estão cada vez mais valorizadas.
São recursos que possuímos e que podemos melhorar para tornar
nossa vida e a vida do outro mais agradáveis.
Marqueteiros de DilmaO Partido dos Trabalhadores foi apressado ao engolir crua a decisão
do presidente Lula de indicar para sua sucessão a ministra Dilma Rousseff.
O que veremos a seguir nos palanques e na mídia será uma mulher-monstro,
criada das visões surrealistas de marqueteiros ou de brain storms regados a uísque de procedência duvidosa. Sinceramente, o povo
brasileiro, pela sua índole, merece muito mais que aventureiros a conduzi-lo.
Estamos cansados de Frankensteins ("A reconstrução da ministra",
4 de novembro). Dilma Rousseff é insuportável, e não haverá
marqueteiro de Obama capaz de transformá-la numa mineira simpática,
afável e de discurso simples. Ainda que tenha nascido em Minas, ela nunca
será alternativa de Minas para o poder. Não tem mineiridade. É
autoritária e inflexível. Minas só voltará ao poder
com Aécio Neves, um dia, talvez.
Lula e a imprensaNa reportagem "Más notícias, presidente" (4 de novembro),
VEJA nos mostra com brilhantismo a relação conflituosa de Lula
com a imprensa. Lula a cada dia demonstra mais seu desconforto com os meios
de comunicação, provando com cada palavra sua vocação
autoritária. A imprensa livre realmente atrapalha o governante que deseja
agir sem nenhum tipo de fiscalização. O texto é uma obra-prima de defesa, não só
da liberdade de imprensa, mas, em âmbito muito maior, de toda a democracia.
A convivência do Brasil com os párias Evo, Chávez, Rafael,
Cuba, Coreia do Norte, Irã e os Kirchner é um atraso total. Continuem
denunciando e fiscalizando. Por isso leio VEJA.
SobeDesceCom o apoio de Chico Buarque ao MST (SobeDesce, 4 de novembro)
e de Oliver Stone e Sean Penn a Chávez, fica claro que ser artista cult
não significa necessariamente ser inteligente ou culto.
Estados UnidosA economia americana dá sinais de recuperação.
Seu PIB cresceu 3,5% no terceiro trimestre, pondo fim à recessão.
No Brasil, país que tem as condições econômicas para
aumentar seu PIB, há tecnocratas preocupados em arrecadar e gastar o
dinheiro público a torto e a direito. Os bancos, ao primeiro sinal de
recuperação, sinalizam com aumento de juros. O governo, com a
criação de mais impostos e a taxação dos investimentos,
não conseguiu que o PIB crescesse mais de 2%. Enquanto isso, as exportações
caem, pois com o dólar baixo não existe incentivo para exportar.
Por esse motivo, o preço dos alimentos deveria cair, mas não é
o que acontece nos supermercados. Basta ver o porcentual de aumento nas cestas
básicas. A economia americana, tão criticada pelo presidente Lula,
vai dar de goleada na brasileira.
Cordão umbilicalA matéria sobre a propaganda, muitas vezes enganosa, dos
bancos privados de sangue de cordão umbilical traz fatos que já
ocorrem há alguns anos. Eu, como personagem da matéria, confirmo
o assédio que sofri durante minhas duas gestações. Entretanto,
como bióloga e pesquisadora, gostaria de esclarecer que o sangue do cordão
umbilical e o tecido do cordão umbilical dos meus dois filhos foram aproveitados
para pesquisa científica. Não foram descartados. Mas isso só
foi possível devido ao fato de eu conhecer pesquisadores que trabalham
com esse material e que foram pessoalmente buscar a doação. Infelizmente,
a maioria das gestantes não consegue doar. É uma pena.
Bárbara PazBárbara Paz mostra a que veio quando de forma estupenda
interpreta Renata, uma vítima de drunkorexia, ou anorexia alcoólica,
infelizmente tão comum nos nossos jovens de hoje, mormente entre as meninas.
Mais uma vez, Manoel Carlos em sua novela demonstra que a arte imita a vida,
e vice-versa. Bárbara estreou na TV Globo pela porta da frente ("Brinde
de boas-vindas", 4 de novembro).
Paulo Renato SouzaAo tentar defender a política meritocrática para
a Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, o senhor
secretário da Educação Paulo Renato Souza atribui grande
responsabilidade pelos problemas da escola aos professores e à sua formação,
apontando as faculdades de educação, nominalmente a Unicamp e
a USP, pelos males da educação do estado de São Paulo.
Afirma o senhor secretário que a formação nesses cursos
é muito teórica e ideológica, em que se defende a ausência
de método e não se provê o professor de técnicas
adequadas de ensino. No caso do curso de pedagogia da Unicamp, há mais
de uma década temos defendido e trabalhado, como princípios norteadores
de nosso currículo, a formação teórica sólida
(já que formamos educadores, e não técnicos), a pesquisa
como eixo de formação, e a unidade teoria-prática, sendo
o nosso compromisso com a educação pública de qualidade.
Venezuela no MercosulÉ preocupante saber que Hugo Chávez, sinônimo
de tirania e retrocesso, está prestes a ser convidado a ingressar no
Mercosul ("Nosso sócio é um desastre", 4 de novembro).
O que será que essa Comissão de Relações Exteriores
do Senado tem na cabeça? A entrada da Venezuela no Mercosul é um fato importante.
O que se lamenta é que alguns setores no Brasil misturem as coisas. O
que está em jogo não são questões políticas,
mas comerciais. E não consta que a Venezuela, a exemplo do Brasil e de
outras nações sul-americanas, seja uma ditadura. Precisamos crescer
no campo político. E, por consequência, no desenvolvimento de que
precisamos.
Robert AumannExcelente a entrevista com Robert Aumann ("O Irã não
nos atacaria", Amarelas, 4 de novembro). Pena que o economista não
tenha sido interpelado sobre como suas teses poderiam ser aplicadas em conflitos armados nacionais como as disputas
pelo tráfico de drogas nas grandes cidades brasileiras. O prêmio Nobel de Economia de 2005, em sua entrevista nas
Páginas Amarelas, parece que foi um discípulo do Doutor Pangloss,
o filósofo criado por Voltaire que acreditava na inocência humana.
Aumann imagina que o Irã, possuindo um arsenal nuclear, não oferecerá
perigo à humanidade. Deixa de considerar o exacerbado fanatismo fundamentalista,
o ódio latente dos aiatolás contra a civilização
ocidental. Não dá grande importância a uma nação
cujo presidente chega ao ponto de negar a existência do holocausto judeu.
CrackEm 4 de maio de 1994, VEJA publicou uma das primeiras grandes
reportagens a respeito do crack. Com o título "As perversas pedras
de pó", VEJA produziu um excelente retrato da situação
vivida pelas pessoas que usavam aquela droga. O resumo da reportagem dizia:
"Em São Paulo, o crack alucina quem o fuma, quem o vê e quem
o combate pensando em guerra às drogas". Passados mais de quinze
anos da publicação, VEJA nos brinda com nova matéria sobre
o assunto. Em "Uma droga brutal" (4 de novembro), tomamos conhecimento
de mais uma tragédia provocada pelo uso de crack. Depois de tudo isso,
o presidente da República Federativa do Brasil ainda tem a coragem de
dizer publicamente que a imprensa não deve comentar os fatos, somente
informar. Perdi um irmão adotivo na semana passada com apenas 28
anos devido à combinação de álcool com crack. Minha
família sentiu na pele por vários anos o sofrimento que é
estar na companhia constante de um dependente químico com alucinações
e todo tipo de alteração em exames corriqueiros decorrente dessa
droga, que devasta a pessoa e, consequentemente, a família toda. Espero
que o Ministério da Saúde libere logo esses 117 milhões
de reais para melhorias nesse tipo de tratamento, pois só quem passou
pela situação sabe quanto ele é difícil e caro.
Kesiah VisioliEm tempos em que um academicismo bolorento e improdutivo insiste
em sustentar teses alienadas e chatésimas acerca do comportamento, é
digna de comemoração a pequena e riquíssima entrevista
com a paranaense Kesiah Visioli, eleita "a dona de casa mais bonita do
Brasil" (Conversa, 4 de novembro). Com objetividade e simplicidade, ela
devolveu o valor esquecido à opção da mulher, mesmo bonita,
mesmo inteligente, mesmo culta, de ser dona de casa cozinhar, lavar,
passar e varrer, sozinha e, ainda, levantou a suposição
de que assim mantém a grande forma física. Desculpem-me os eruditos,
mas não encontrei nos compêndios melhor ilustração
do que se pode chamar de sabedoria. Desejo cumprimentar VEJA pela conversa com Kesiah Visioli. Espero
que a mídia não desvirtue essa criatura, pois com certeza o mundo
seria diferente sem filhos abandonados, sem crise financeira, sem tantas amarguras
e desgraças. Esses bons exemplos deveriam ocupar a capa com a palavra
coerência.
GerdauGostaria de esclarecer que, como empresário, não
sou contrário a investimentos no setor siderúrgico, conforme mencionado
na nota "Gerdau contra a Vale na siderurgia" (Radar, 28 de outubro).
A existência de excesso de capacidade de aço no mundo é
uma constatação da World Steel Association, que recentemente divulgou
que, em 2009, o consumo de aço será de 1,1 bilhão de toneladas
no mundo diante de uma capacidade instalada de aproximadamente 1,8 bilhão
de toneladas. Logo, há um excesso de capacidade instalada de 700 milhões
de toneladas de aço no mercado mundial, segundo a entidade. A maior parte
dessa capacidade excedente, mais de 400 milhões de toneladas, está
localizada no mundo ocidental. A China, o maior mercado siderúrgico mundial,
consome toda a sua produção interna de aço. Os demais mercados,
que são atendidos pela siderurgia brasileira, têm em conjunto uma
capacidade instalada cerca de 100% maior do que o seu nível de consumo.
No Brasil, a situação não é diferente. Em 2009,
a demanda interna no país atendida pela produção local
de aço deverá ser de 19 milhões de toneladas contra uma
capacidade instalada de 42 milhões de toneladas. Por isso, as empresas
precisam comercializar excedentes de produção no mercado internacional,
cada vez mais restrito por medidas protecionistas de distintos países.
A produção adicional de aço que vier a ser feita no Brasil,
como consequência, deverá ser exportada, em um cenário de
adversidades crescentes. Com relação à reportagem "O esquema
do Bolsa Guerrilha" (14 de outubro), na qual é citada Ana Cerqueira
Cesar Corbisier, tenho a informar que a ação por ela movida contra
a Fundação Padre Anchieta é de sua exclusiva responsabilidade.
As famílias Corbisier e Cerqueira Cesar não têm absolutamente
nada a ver com isso. Contamos com parentes ilustres, de notória respeitabilidade,
como Manuel Ferraz de Campos Salles, tio-bisavô, presidente da República;
José Alves de Cerqueira César, bisavô, governador do estado
de São Paulo e que deu nome a uma cidade bem como a um bairro da capital;
Roberto Cerqueira Cesar, tio, arquiteto, professor da Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo da USP, presidente da Emurb na gestão Paulo Egydio Martins;
e Roland Cavalcanti de Albuquerque Corbisier, pai, bacharel em direito e filosofia,
jornalista, deputado estadual pela Constituinte da Guanabara, deputado federal,
escritor, autor de vinte livros, entre os quais Reforma ou Revolução,
no qual condena a guerrilha armada no Brasil.
Michael JacksonSobre a reportagem "Crepúsculo do astro" (4 de
novembro), não é preciso ser fã para reconhecer o talento
e a genialidade de um artista. Não sou uma superfã de Michael
Jackson. Gosto de suas músicas, admiro seu talento plural. O filme citado
pretende mostrar o show que seria por ele realizado. Não há por
que se prender às bizarrices do cantor. A "esquisitice" de Michael Jackson é a singularidade
e dádiva que nós, meros mortais, nunca conseguiremos alcançar.
Há os que criticam, mas há os que sabem reconhecê-lo e assim
o admiram. |