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VEJA Recomenda CINEMA
Amigas com Dinheiro (Friends with Money,
Estados Unidos, 2006. Estréia nesta quinta-feira no país)
O que as amigas do título mais têm, na verdade, são problemas.
Jane (Frances McDormand) desenha roupas que são um sucesso, mas está
num surto ininterrupto de raiva. Christine (Catherine Keener) começou a
se dar conta de algo que todos já sabiam: casou-se com um brucutu. Franny
(Joan Cusack), a mais rica delas, parece ser também a mais feliz em assuntos
conjugais desde que não se preste muita atenção à
sua rotina vazia. E, numa prova de que a falta de dinheiro também não
traz felicidade, Olivia (Jennifer Aniston), que de professora passou a faxineira,
vive uma crise íntima radical. A diretora Nicole Holofcener enxerga essas
pequenas tragédias com humor. Mas, sensatamente, não faz delas uma
comédia. Veja
cenas. DVD Verdade
Nua (Where the Truth Lies, Estados Unidos/Canadá, 2005. Imagem)
Nos filmes do egípcio Atom Egoyan, como O Doce Amanhã
e O Fio da Inocência, tragédias de imensas repercussões
parecem se iniciar com atos casuais uma derrapagem no gelo, um pedido de
carona. O que ele sugere, porém, é que seus personagens já
caminhavam de forma inevitável para esses acontecimentos. Verdade Nua
segue esse mesmo princípio. Em 1972, uma repórter (Alison Lohman)
entrevista dois comediantes (Kevin Bacon e Colin Firth) que quinze anos antes
romperam uma parceria de sucesso, por motivos que podem ou não envolver
uma camareira morta no quarto de hotel da dupla. O diretor funde os genes do suspense
aos do melodrama e chega a um filme forte (em todos os sentidos), que merece mais
atenção do que obteve nos cinemas. Veja
cenas. LIVROS A
Máquina de Ser, de João Gilberto Noll (Nova Fronteira; 160
páginas; 22 reais) No conto Em Nome do Filho, um homem recebe
a notícia de que seu filho morreu, acompanha o cadáver em uma espécie
de enterro industrial e, em seguida, vai ganhar a vida dirigindo seu táxi.
O cenário soturno às vezes parece um pesadelo de ficção
científica mas o táxi percorre endereços prosaicos
de Porto Alegre, cidade em que Noll mora. Autor de romances como Harmada e
A Céu Aberto, Noll sempre praticou essa mistura de elementos estranhos
e familiares, de realismo e alucinação. Os 24 contos de A Máquina
de Ser levam essa mescla a limites perturbadores. Leia
trecho. A
Inocência do Padre Brown, de G.K. Chesterton (tradução
de Carlos Ancêde Nougué; Sétimo Selo; 305 páginas;
39 reais) No ensaio Como Escrever uma História de Detetive,
que figura no apêndice dessa coletânea de contos, o inglês Gilbert
Keith Chesterton (1874-1936) diz que fracassou muitas vezes na tentativa de escrever
um enredo do gênero. Mas isso é falsa modéstia: o autor inglês
é um dos mestres do filão. Na linha dos detetives Auguste Dupin,
de Edgar Allan Poe, e Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, o padre Brown, criação
de Chesterton, é um prodígio do raciocínio. O sacerdote detetive
desvenda crimes com base apenas nos seus poderes de dedução
e no seu conhecimento da natureza humana. Leia
trecho.
As
Crônicas do Brasil, de Rudyard Kipling (tradução de
Luciana Salgado; Landmark; 144 páginas; 22,50 reais) Autor de clássicos
da aventura como O Homem que Queria Ser Rei, o inglês Rudyard Kipling
(1865-1936) ambientou a maioria de seus livros na Índia, então uma
colônia britânica e sua terra natal. Mas também visitou o Brasil,
em 1927, deixando suas impressões nos artigos desse livro. Ele é
um cronista afável da vida brasileira (o racismo do autor, conhecido por
sua defesa apaixonada do colonialismo britânico, está relativamente
mitigado aqui). Entre os registros mais curiosos, inclui-se sua participação
no Carnaval carioca, em que o ganhador do Nobel de 1907 se misturou aos foliões
nas guerras de lança-perfume. A edição das crônicas
é bilíngüe. Leia
trecho.
DISCOS Matt
Cardy/Getty Images
 |  | | Bajofondo:
tango jovem | |
Presents
Supervielle, Bajofondo Tango Club (Dubas) Liderado pelo músico
e produtor argentino Gustavo Santaolalla, ganhador do Oscar de trilha sonora por
O Segredo de Brokeback Mountain, o grupo Bajofondo Tango Club tem como
objetivo levar o tango às platéias mais jovens. Para tanto, eles
colocam sons eletrônicos e até mesmo rappers para duelar com o bandoneón,
o instrumento típico do gênero. Atualmente, o Bajofondo se empenha
em impulsionar a carreira-solo de seus integrantes como Supervielle, que
começou num grupo de rap de Buenos Aires. Entre as várias parcerias
que ele protagoniza no disco, a melhor é aquela com o cantor e compositor
uruguaio Jorge Drexler (outro que ganhou o Oscar de canção, por
Diários de Motocicleta) na faixa Perfume, um tango de cores
psicodélicas. Ta-Dah,
Scissor Sisters (Universal) Se os integrantes do grupo Bee Gees perdessem
todas as inibições e montassem uma banda com o cantor e compositor
inglês Elton John, o resultado final provavelmente sairia bem parecido com
o Scissor Sisters. Os músicos do grupo americano são assumidamente
gays (o nome é uma gíria usada para definir o sexo entre mulheres)
e sabem brincar com os cacoetes da discoteca dos anos 70. Ta-Dah, seu segundo
CD, é cheio de vocais em falsete, palminhas e uma alegria esfuziante digna
dos melhores discos de Elton John que, aliás, não apenas
se nomeou padrinho da banda como toca piano em I Don't Feel Like Dancin',
o destaque do disco.
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