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Edição 1977 . 11 de outubro de 2006

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Roberto Pompeu de Toledo
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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• ELEIÇÕES 2006

Como dois e dois
Quem conversa com Aécio Neves e José Serra, donos de projetos próprios para 2010 – ambos são candidatos à Presidência –, fica convencido de que este foi o último pleito com reeleição. Apostam nisso como algo 100% certo. Seja qual for o resultado do dia 29.

Bateu o interesse
Eis uma medida do interesse do mercado financeiro nesta reta final de eleição: durante o primeiro turno, o Ibope foi contratado por seis bancos para realizar pesquisas de intenção de voto. O resto, pelo visto, achava que a fatura já estava decidida. Não valia a pena rasgar dinheiro. O jogo mudou. Na semana passada, o Ibope já fechou contratos para fazer pesquisas para outros 24 bancos.

Palocci ainda longe dos holofotes
Caiu a ficha de Antonio Palocci: ele voltará sem muito barulho ao cenário político como deputado federal. Já desistiu de tentar vôos altos em 2007. Nada de presidência da Câmara, como pensara inicialmente. Prefere ver a onda baixar, sempre trabalhando nos bastidores.

Tomou Doril
Os fazendeiros brasileiros adoram a temporada eleitoral. Como que por encanto, o MST pára de perturbar. As invasões cessam. Aliás, alguém viu a turma de Stedile por aí? Sumiu, mas é por pouco tempo. Findo o segundo turno, eles voltam.

Os sem-voto
Nada menos que 21 candidatos a deputado estadual que, Brasil afora, concorreram nas eleições do dia 1º obtiveram apenas um voto. Provavelmente o seu próprio. Outros dezoito candidatos ao mesmo cargo tiveram um apoio pouco maior: dois votos cada um. Talvez o do candidato e o de sua mulher. Com três votos cada um ficaram 22 candidatos.

Serra versus Ciro
Causou profunda irritação no ninho de José Serra a acusação estrambótica feita por Ciro Gomes de que ele estaria por trás da montagem do "dossiê Vedoin". Essa briga, que começou na campanha de 2002, já teve muitos socos e pontapés – alguns abaixo da linha da cintura. Mas Serra vem levando a melhor. Ele tem ganho as ações por danos morais que moveu. Em uma delas, Ciro está condenado a pagar 100 salários mínimos de indenização por ter acusado Serra de ser "o candidato dos grandes negócios e negociatas...". Essa conta pode dobrar caso Ciro perca o recurso em uma outra ação, na qual já foi condenado em primeira instância. Se somar, dá quase 80.000 reais, fora as custas dos advogados.

O que se fala de Tasso
Tasso Jereissati saiu derrotado das eleições no Ceará. Em compensação pode virar o ministro da Fazenda de Geraldo Alckmin, num eventual governo tucano.

Petecão e Biffi
O partido dos nomes bizarros tem numerosa bancada na nova legislatura da Câmara dos Deputados. Encabeçam a lista: o acreano Petecão, o alagoano Carimbão, o sul-mato-grossense Biffi e os baianos Cajado Sim e Bassuma. É uma turma extensa e suprapartidária: reúne gente da direita e da esquerda.

 

Duda fez a campanha de Cid e Ciro


Vidal Cavalcante/AE e Alex Silva/AE
Ciro, Cid e Duda: campanha feita a distância

Ao contrário do que se imagina, Duda Mendonça não ficou fora desta campanha. O marqueteiro da campanha de Lula em 2002 trabalhou – mas em absoluto silêncio. Duda criou a estratégia, o slogan, a logomarca e o jingle da campanha de Cid Gomes, novo governador do Ceará. Atuou da mesma forma para Ciro Gomes, eleito deputado federal pelo PSB cearense com 667 000 votos. Duda entrou no jogo a pedido de Ciro, de quem se aproximou no segundo turno da última campanha presidencial. Sem ir ao Ceará uma vez sequer, o marqueteiro baiano despachou para lá dois de seus braços-direitos para tocar a campanha: Manoel Canabarro e Edu Freiha.

 

• ITAMARATY

As apostas
Nem bem começou o segundo turno e, no Itamaraty, só se fala nisso: os dois nomes mais fortes para chefiar o Ministério das Relações Exteriores num eventual governo Geraldo Alckmin são Sérgio Amaral e Rubens Barbosa.

 

• CERVEJA

Guerra de espuma
Por via das dúvidas, a Brahma já começou a rever pontos de sua estratégia de marketing para combater a nova investida publicitária da Kaiser.

 

• ECONOMIA

Zé do bilhão
José Dirceu está trabalhando pelos interesses no Brasil do bilionário mexicano Carlos Slim (dono da Claro e da Embratel). Já viajou para a Cidade do México exclusivamente para isso.

Spoleto chega à Europa
O Spoleto, rede de fast-food de massas com 148 lojas no país e três no México, está desembarcando na Espanha. Até o fim do ano, abre uma loja em Madri. O plano de vôo prevê cinqüenta lojas em cinco anos. A rede brasileira é um dos maiores casos de sucesso de franquia de fast-food dos últimos anos.

 

• AVIAÇÃO

A Varig não morreu
Pelo menos na ponte aérea Rio–São Paulo, a Varig voltou a decolar. À custa de muita promoção, é verdade, foi a empresa aérea que conseguiu o maior porcentual de ocupação nos vôos – 66% entre a semana passada e a retrasada. A Gol e a TAM voaram com, respectivamente, 63% e 61% dos assentos ocupados.

 

Sucesso só na TV

Divulgação
Maria Paula, numa cena do filme: não emplacou

Em suas cinco primeiras semanas de exibição, Seus Problemas Acabaram, o segundo longa da turma do Casseta & Planeta, seguiu o mesmo, e inesperado, rumo do primeiro – fracassou. Um fracasso relativo: seus 500 000 espectadores seriam um grande sucesso para um filme de expectativa mediana de público. Não foi o caso: esperava-se mais de 1 milhão de espectadores, quem sabe 2 milhões. Frustrados, os cassetas pensam em nunca mais voltar às telas. Na televisão, no entanto, o programa do grupo continua em alta: é um dos cinco mais vistos da Globo.

Colaborou: Marcelo Bortoloti

 


Fotos Getty Images/Daniel Ochoa de Olza/AP



Fotos Getty Images/Daniel Ochoa de Olza/AP
 
 
 
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