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Televisão
Esta é grande, mesmo
Eventos mostram que o futuro da
TV já chegou com projeções em
telas gigantescas e efeitos em 3D

Ethevaldo Siqueira, de Berlim
Fotos divulgação
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| Acima, imagem de homem sob tela criada pelo
instituto Fraunhofer. Abaixo, versão exibida em Berlim,
que compara o ângulo de visão do equipamento com
uma TV normal e outra de alta definição (HDTV)
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O futuro está chegando depressa para
os televisores. Eventos reunindo produtos eletrônicos, realizados
em setembro em Berlim e em Amsterdã, demonstraram que a tecnologia
já transformou em realidade avanços que pareciam coisas
de ficção. É o caso de gigantescos telões,
com qualidade de imagem beirando a perfeição, desenvolvidos
pelo instituto alemão Fraunhofer. A versão apresentada
nas feiras européias tinha uma tela côncava, com quase
5 metros na diagonal, sobre a qual cinco projetores despejavam jatos
de luz que formavam a imagem de alta resolução. A
sensação visual do espectador era parecida com a de
quem assiste, por exemplo, a um jogo de futebol no estádio.
A entidade alemã já realizou exibições
em áreas mais amplas, com até 15 metros, utilizando
um maior número de projetores. Em menor escala, esse conceito
de "tela de imersão" será aplicado futuramente ao
home theater ou a "cinemas digitais domésticos", na
expressão mais apropriada de seus criadores. A aplicação
desses recursos claramente vai ultrapassar o campo do entretenimento,
alcançando também as escolas, os centros de treinamento,
os shows de multimídia e a publicidade.
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| Dá para pegar: versão de tela de computador
com imagem em 3D. A tecnologia está madura |
É admirável o estágio
de desenvolvimento das telas que produzem imagens em três
dimensões, ou 3D. Na exposição de Berlim, a
IFA 2006, o público parecia magnetizado diante das imagens
que, em um pavilhão de quase 1.000 metros quadrados montado
pela Philips, saltavam para fora de TVs como holografias de altíssima
resolução. A nova tecnologia de 3D em televisão
é mais impressionante do que a já utilizada nos cinemas.
Mesmo em sua fase experimental, as imagens podem ser vistas em todas
as suas dimensões sem o uso de óculos especiais. Como
isso funciona? Os efeitos tridimensionais são produzidos
numa placa de vidro instalada na frente do monitor de cristal líquido
(LCD). Pequenas lentes convexas são colocadas a cada dois
pixels os pontos que formam a imagem na tela. Essas lentes
desviam a informação luminosa que chega aos pixels,
fazendo com que elas passem de um olho para outro do espectador,
criando a sensação de três dimensões.
Na televisão e no cinema, a idéia de movimento é
assegurada pela retenção das imagens de cada quadro
em nossa retina por um décimo de segundo. A ilusão
visual de 3D exige a superposição de duas imagens,
uma para cada olho. É um truque que a tecnologia usa para
enganar o cérebro. Nada de assustador. A conversão
de luz em impulsos eletroquímicos, que ocorre nos processos
naturais da visão humana, não deixa de ser um truque.
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| Leite derramado: a Philips já produz TV que
cria efeito tridimensional |
No equipamento experimental da
Philips, as três dimensões são criadas com a
ajuda de um chip, o IC3D. Pensando nos mercados corporativo e publicitário,
a empresa já havia lançado um aparelho desse tipo
com 42 polegadas, mas que só pode ser comprado pelo canal
de distribuição da Philips 3D Solutions. O preço
é de 20.000 dólares pouco mais de 40.000 reais.
Viabilizar comercialmente a TV tridimensional vai exigir, é
claro, que exista conteúdo produzido originalmente para a
exibição em 3D. Isso demora. É um ciclo conhecido
dos fabricantes de novos padrões. Primeiro vem a tecnologia
e, depois, no prazo de três ou cinco anos, a demanda e o lançamento
de novos conteúdos estimulam-se mutuamente até que
surja um mercado estável para a novidade.
Mais do que entretenimento, a
grande tendência da eletrônica de consumo atualmente
é atender às demandas das pessoas por novas experiências
visuais e sonoras. Essa é a visão dominante dos líderes
setoriais, a começar de Rudy Provoost, presidente da área
de eletrônica de consumo da Philips holandesa. Disse Provoost
a VEJA: "Estamos ingressando numa etapa que pode ser definida como
a era da nova convergência. O que conta agora são as
experiências que se podem proporcionar ao usuário,
seja pela TV, seja pelo home theater, por técnicas de iluminação,
áudio, vídeo, jogos interativos ou serviços
de informação". Essa nova convergência colocou
a indústria eletrônica na corrida para obter o máximo
de integração entre todos os tipos de conteúdos
e equipamentos. Desse empenho estão nascendo as formas de
lazer que em breve estarão tornando a vida das pessoas mais
agradável.
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