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Nobel
A sabedoria em família Por que tantos
premiados são parentes uns dos outros? Os genes explicam, mas não
tudo  Duda
Teixeira Dino
Vournas/Reuters
 | | Roger
Kornberg e o pai, Arthur: o filho foi criado entre cientistas |
Dos
vencedores do Prêmio Nobel nas categorias medicina, química e física
anunciados na semana passada, um chama atenção não apenas
pela importância do trabalho, mas pelo sobrenome. O bioquímico americano
Roger Kornberg, ganhador do Nobel de Química, é filho de Arthur
Kornberg, um dos vencedores de 1959 em medicina. A contribuição
do pai foi descobrir como a informação genética é
transferida de uma molécula de DNA para outra. Já o filho conseguiu
fotografar a formação de proteínas dentro das células,
um feito que auxilia outros pesquisadores na tentativa de controlar o crescimento
de células-tronco. Os Kornberg são a décima família
a ter mais de um membro entre os vencedores do Nobel. A façanha ressuscita
um antigo debate sobre se genialidade é ou não hereditária.
Entre todos os clãs de cientistas, a história dos Curie é
a que mais alimenta essa discussão. Quatro familiares conquistaram a maior
honraria acadêmica. O primeiro prêmio veio em 1903, quando a cientista
franco-polonesa Marie Curie e o marido, Pierre, ganharam o Nobel pelos estudos
com radioatividade. Em 1911, após a morte de Pierre, Marie levou mais um
pela descoberta dos elementos químicos rádio e polônio. Em
1935, foi a vez de a filha Irène Curie e o marido, Frédéric
Joliot, dividirem o prêmio por terem induzido a radioatividade artificialmente.
A inteligência tem de fato um
componente hereditário. O banco de dados do Centro Nacional de Informação
em Biotecnologia, nos Estados Unidos, possui catalogados 340 genes ligados à
inteligência. Receber dos pais um desses genes pode levar o filho a ter,
por exemplo, uma melhor orientação espacial ou um quociente de inteligência
4 pontos acima da média mundial. Em que medida a herança genética
determina o sucesso de uma pessoa, no entanto, permanece uma controvérsia.
Nos anos 70, o milionário americano Robert Graham criou um banco de sêmen
de ganhadores de Prêmio Nobel, com a finalidade de gerar novos gênios.
Como encontrou poucos voluntários menos de cinco , Graham
incluiu também amostras de professores e estudantes universitários
com altas notas nos testes de QI. Dos mais de 240 bebês nascidos desse material,
quinze foram localizados décadas depois. Nenhum deles se tornou um gênio
ou teve uma carreira brilhante. "O ambiente em que a criança foi criada
tem a mesma influência em seu desenvolvimento intelectual quanto os fatores
genéticos", diz a médica geneticista Iscia Lopes Cendes, professora
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Para ser um bom cientista, ajuda
muito ter crescido em um lar em que o estudo é valorizado e o acesso ao
conhecimento seja fácil." Kornberg
desde cedo viveu cercado por cientistas. Seu pai, Arthur, sua mãe, Sylvy,
e seu irmão, Thomas, são bioquímicos. "A ciência era
parte das nossas conversas no jantar e uma atividade comum nos fins de semana",
disse Thomas Kornberg, professor na Universidade da Califórnia, nos Estados
Unidos. A francesa Irène Curie também foi favorecida pela educação.
Ela freqüentou uma cooperativa de ensino particular criada por sua mãe,
na qual professores universitários davam aulas de física experimental,
matemática e química a um grupo de apenas dez crianças. Já
o dinamarquês Aage Bohr, prêmio de Física em 1975, ajudava
o pai, Niels Bohr, vencedor em 1922, a escrever correspondências e artigos
científicos quando jovem. A possibilidade de fazer pesquisas com a tutela
paterna permitiu ao inglês Lawrence Bragg ser o mais jovem vencedor da história
do Nobel. Em 1915, aos 25 anos, ele dividiu o prêmio de Física com
seu pai, William. Os dois receberam a honraria pela invenção da
técnica de cristalografia usada por Roger Kornberg em sua pesquisa
vencedora. Evidentemente, o sobrenome
famoso pode dar considerável empurrão na carreira universitária.
"Se o filho for inteligente, terá mais chance de conseguir uma vaga em
um laboratório de ponta ou um financiamento para pesquisa do que outros
colegas do mesmo nível", disse a VEJA o americano Robert Marc Friedman,
professor de história da ciência na Universidade de Oslo, na Noruega.
Com uma única exceção, a dos irmãos holandeses Jan
Tinbergen, Nobel de Economia em 1969, e Nikolaas Tinbergen, Nobel de Medicina
em 1973, todos os prêmios científicos em família se deram
no mesmo campo de atuação ou em áreas muito parecidas, o
que indica alguma ajuda entre as gerações. Quando era adolescente,
Roger Kornberg trabalhou no laboratório de Paul Berg, um grande amigo de
seu pai e ganhador do Nobel de Química em 1980. Graças a esses incentivos,
que não lhe tiram o mérito, Kornberg receberá em dezembro,
em Estocolmo, na Suécia, uma medalha, um diploma e um documento confirmando
o depósito em sua conta do equivalente a 3 milhões de reais, o valor
do prêmio dado pela Fundação Nobel.
OUTROS PREMIADOS DA SEMANA PASSADA
FÍSICA – John Mather,
da Nasa, e George Smoot, da Universidade da Califórnia
Larry
Downing/Reuters
 | Kimberly
White/Reuters
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Conseguiram
captar, com um satélite, radiações do início do universo,
reforçando a teoria do Big Bang MEDICINA
– Craig Mello, da Universidade de Massachusetts, e Andrew Fire, da Universidade
Stanford
Reuters
 | Kimberly
White/Reuters
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Desenvolveram
técnica com potencial para interromper a formação de uma
proteína do HIV, o que abre a perspectiva de cura da aids |
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