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Brasil
A turma do mal está de volta
O sistema político permite que acusados de corrupção
infestem o Congresso  Heloisa
Joly e Victor Martino Não há
modelos perfeitos no campo da política, mas certamente há melhores
do que o brasileiro. Ele permite que participantes de crimes se elejam e reelejam,
assim como não impõe dificuldade para que figuras folclóricas,
como o costureiro Clodovil, tomem assento no Congresso. Entre os eleitos, há
sete mensaleiros, cinco sanguessugas e envolvidos em escândalos diversos,
como o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, acusado de corrupção
e de quebrar o sigilo bancário do caseiro que o denunciou. Eles voltam
ao Congresso porque a legislação é indulgente com os ilícitos
cometidos por políticos, conferindo-lhes foro privilegiado e saídas
para escapar à punição. Para não falar do espírito
corporativo dos parlamentares. Na última legislatura, a Câmara absolveu
onze deputados flagrados no mensalão. Os analistas recomendam que se endureça
a legislação eleitoral, para que os envolvidos em crimes sejam proibidos
de se candidatar. Defendem, ainda, a adoção do voto distrital, em
que as listas de postulantes são circunscritas a pequenas regiões,
o que diminui a chance de candidatura de figuras suspeitas e bizarras e estreita
o vínculo do eleitor com o político eleito. Seja qual for a fórmula,
é preciso encontrar alguma para impedir que senhores como os destas páginas
integrem o Congresso.
Lindomar
Cruz
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JOSÉ
GENOÍNO Deputado (PT-SP)
Acusações Ser um dos chefes do
mensalão e avalizar os empréstimos fajutos do lobista Marcos Valério
para o PT. Situação
jurídica Responde a inquérito por formação
de quadrilha, peculato e corrupção. Embora ainda não tenha
sido diplomado pela Câmara, o processo corre no Supremo porque seu inquérito
envolve parlamentares. A eleição não muda sua situação.
Se for condenado, terá seus direitos políticos suspensos. Como Genoíno
não tinha mandato quando os crimes foram cometidos, há dúvidas
se a Câmara poderá cassá-lo. Agência
Estado
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VALDEMAR
COSTA NETO Deputado (PL-SP)
Acusações Chefiar o mensalão
no PL, desviar dinheiro da prefeitura de Mogi das Cruzes e tentar comprar votos
durante a última eleição. Situação
jurídica Boy, como é conhecido, renunciou ao mandato
de deputado para não ser cassado. Como foi reeleito, o processo poderá
ser reaberto. No Supremo, responde por formação de quadrilha, lavagem
de dinheiro e corrupção passiva. Condenado, terá os direitos
políticos suspensos. Seu mandato ainda pode ser cassado pelo crime eleitoral.
Celso
Junior/AE
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JOÃO
PAULO CUNHA Deputado (PT-SP)
Acusações Integrar a quadrilha
dos mensaleiros e receber 50 000 reais do valerioduto.
Situação jurídica Apesar
de ter sido absolvido pela Câmara, o deputado ainda precisa provar sua inocência
na Justiça. Cunha responde a um inquérito por corrupção
passiva, peculato e lavagem de dinheiro por seu envolvimento no mensalão.
Como continua deputado, ele será julgado pelo Supremo. Mas uma eventual
condenação por essa instância superior deve levar a Câmara
a abrir um processo para analisar novamente a cassação do seu mandato.
Dida
Sampaio/AE
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JOSÉ
MENTOR Deputado (PT-SP)
Acusações Participar do mensalão e receber 300 000
reais de um doleiro em 2004, em troca da exclusão do nome do meliante do
relatório da CPI do Banestado. Situação
jurídica Embora tenha sacado 120 000 reais do valerioduto, ainda
não responde a inquérito pelo mensalão. A acusação
de favorecer o doleiro resultou em um inquérito de corrupção
passiva que corre no Supremo. Se Mentor for considerado culpado, seus direitos
políticos serão suspensos. Sua reeleição não
muda o andamento do processo. Evaristo
Sa/AFP
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ANTONIO
PALOCCI Deputado (PT-SP)
Acusações Desviar recursos públicos
destinados à coleta de lixo de Ribeirão Preto no período
em que foi prefeito. Ordenar a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro
Francenildo Costa. Situação
jurídica A polícia pediu sua prisão por peculato,
falsidade ideológica, formação de quadrilha e lavagem de
dinheiro por causa de seu envolvimento nos desvios de Ribeirão Preto. Ele
será preso se a Justiça comum deferir o pedido antes de dezembro,
quando ganhará o diploma de deputado. Depois, só poderá ir
em cana por ordem do Supremo. J.F.Diorio/AE
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PAULO
MALUF Deputado (PP-SP)
Acusações Desviar recursos de
obras públicas durante sua gestão como prefeito de São Paulo
(1993-1996) e enviar ilegalmente o dinheiro roubado para contas no exterior.
Situação jurídica Responde
a processos na Justiça comum por corrupção, improbidade administrativa,
formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Quando for diplomado
deputado, a maior parte dessas ações passará a tramitar no
Supremo. Como o foro privilegiado não se aplica a ações civis,
a ação de improbidade continuará na Justiça comum. Bruno
Stuckert/Obritonews
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JADER
BARBALHO Deputado (PMDB-PA)
Acusações Desviar dinheiro do
Banco do Estado do Pará, da Sudam e da reforma agrária.
Situação jurídica O deputado
responde a quatro ações penais e a dois inquéritos no Supremo.
Os ilícitos que lhe são atribuídos são improbidade
administrativa, peculato, crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
Como foi reeleito, essas ações continuarão seu curso normal
no Supremo. Se for condenado em alguma delas, Jader terá os direitos políticos
suspensos e deverá enfrentar um processo de cassação do seu
mandato pela Câmara. Valter
Campanato/ABR
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FERNANDO
COLLOR Senador (PRTB-AL)
Acusações
Ser o principal beneficiário do esquema de corrupção
montado pelo empresário PC Farias, o que o levou a deixar a Presidência
da República. Situação
jurídica Sofreu impeachment, o que o tornou inelegível
e inabilitado para assumir cargos públicos por oito anos após o
fim do seu mandato. O ex-presidente cumpriu a pena até 2002. Em 1994, o
Supremo absolveu Collor das acusações de corrupção,
porque considerou que as provas inseridas no processo foram obtidas ilegalmente.
Ele poderá, portanto, fazer um "trabalho excepcional" no Congresso, de
acordo com seu novo amigo, Lula. Lindomar
Cruz/ABR
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PEDRO
HENRY Deputado (PP-MT)
Acusações Receber e distribuir
mensalão no PP e participar da máfia dos sanguessugas.
Situação jurídica Pedro
Henry foi absolvido pela Câmara no caso do mensalão. Agora, ele responde
a um processo judicial sobre sua participação no esquema. Reeleito,
continua a ter foro privilegiado. Por isso, o caso será julgado pelo Supremo.
Se condenado, seus direitos políticos serão suspensos. A Câmara
o julgará no caso dos sanguessugas. Caso seja inculpado, perderá
o mandato e ficará inelegível por oito anos. Tiago
Queiroz/AE
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IBSEN
PINHEIRO Deputado (PMDB-RS)
Acusações
Receber 230 000 dólares da máfia dos anões do
Orçamento entre 1989 e 1993, período em que foi líder do
PMDB na Câmara e presidente da Casa. Sonegar impostos por não
ter declarado esse valor à Receita Federal. Situação
jurídica Foi cassado pela Câmara porque não deu
uma explicação decente sobre a origem do dinheiro que recebeu dos
anões. Em decorrência da cassação, ficou inelegível
por oito anos. Processado por sonegação, pagou a dívida com
o Fisco, o que equivale a um reconhecimento de culpa nesse caso. |