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Edição 1977 . 11 de outubro de 2006

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Brasil | Eleições 2006
Nova geografia

Números sugerem que o PT fez sucesso nas
urnas, mas o partido está no rumo do grotão


Alexandre Oltramari

 

Rejane Carneiro/Ag. A Tarde
Militantes festejam vitória de Wagner, na Bahia: o partido virou refém do Nordeste

Examinando-se os números brutos, ficou a impressão de que o PT, mesmo depois de um escândalo atrás do outro, surpreendeu nas urnas. Embora as projeções dos analistas variassem, ninguém acreditava que o partido seria capaz de eleger mais do que 75 deputados. Pois o PT extrapolou essa marca, elegendo 83 deputados federais, e ainda cravou um recorde: obteve 13,9 milhões de votos para a Câmara dos Deputados, a maior votação de um partido nestas eleições. Outro dado que lustrou o desempenho do PT nas urnas foi a eleição para governador. Antes, o partido tinha apenas três governos estaduais. Agora, conseguiu quatro. Conquistou, já em primeiro turno, o governo da Bahia, o quarto maior eleitorado do país, onde o senador Antonio Carlos Magalhães reinava há dezesseis anos ininterruptos. Ainda está na disputa em dois estados, o Rio Grande do Sul e o Pará.

Analisado sob esse ângulo, o desempenho eleitoral do PT soa luminoso e faz parecer que o eleitorado não deu a mínima para o mensalão, os dólares na cueca, a Land Rover, a mala de dinheiro sujo... Mas é um engano. Debulhando-se os números, descobre-se que, em comparação com a eleição realizada em 2002, o PT perdeu 2,1 milhões de votos, numa proporção parecida com as perdas do PFL (veja o gráfico). O dado mais significativo do desempenho eleitoral do PT, no entanto, talvez esteja na distribuição do seu novo eleitorado: sua popularidade despencou nos estados do Sul e Sudeste e disparou no Norte e Nordeste, acompanhando a divisão geográfica da votação do presidente Lula. Ou seja: o partido que nasceu urbano, fruto da confluência do movimento sindical e da intelectualidade acadêmica, está caminhando no rumo dos grotões.

Na eleição passada, o deputado petista mais votado em São Paulo foi José Dirceu, hoje cassado. Obteve 557.000 votos. Agora, o petista mais bem votado em São Paulo, o mensaleiro João Paulo Cunha, conseguiu menos de um terço da votação de Dirceu – 177 000 votos. A nova rota do PT em direção aos grotões é resultado dos sucessivos escândalos que causaram a perda do voto de classe média, mas há outro fator relevante – o impacto eleitoral do Bolsa Família. No Nordeste está metade dos recursos do programa, algo como 6 bilhões de reais. O cientista político Fernando Abrucio, da Fundação Getulio Vargas, explica: "Já se sabia que o Bolsa Família iria trazer muitos votos para o presidente Lula. A novidade é que os candidatos a deputado do PT também souberam tirar benefícios eleitorais do programa".

 

 

 

 
 
 
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