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Edição 1977 . 11 de outubro de 2006

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
André Petry
Reinaldo Azevedo
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
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Cartas

 
"Estamos sob as patas pesadas de
um elefante chamado Estado e somos
obrigados a trabalhar quatro meses
por ano para sustentá-lo."

Maria Isabel de Assis Pereira
Goiânia, GO

Para voltar a crescer

Esta eleição presidencial vai mostrar nitidamente o nível de tolerância ou ignorância dos eleitores brasileiros quanto aos problemas da corrupção que afloraram neste governo ("O massacre dos impostos", 4 de outubro).
João Afonso Lima
Montes Claros, MG

Mais do que situar o leitor leigo em economia e administração pública nos meandros do nosso Estado paquidérmico, a reportagem permite que qualquer um de nós, meros joguetes em uma estrutura viciada, entenda quem fez o que pelo nosso país. Matérias como essa devem ser repetidas, pois ajudam o cidadão comum a melhor diferenciar o que é mera retórica do que é verdade na propaganda política.
Eduardo Weltman
São Paulo, SP

Que imagem assustadora aquela do paquiderme sobre o brasileiro que se vê angustiado com tantos impostos para pagar. A cena retrata fielmente a realidade, mas isso tem de acabar.
André Ricardo Gravatá
Embu das Artes, SP

É uma pena que o presidente Lula não seja afeito a uma boa leitura. Seria ótimo que ele (e todos os seus eleitores) lesse e relesse a reportagem.
Jairo Len
São Paulo, SP

Excelente a exposição no artigo "O peso do Estado". Mas não deviam ter utilizado um elefante para expor o assunto, um animal na maioria das vezes muito dócil, e sim um tiranossauro rex.
Richard Fontana
Londrina, PR

O próximo presidente tem a obrigação de reativar o Ministério da Desburocratização e fechar vários sem utilidade, que apenas abrigam correligionários. Com isso poderemos nos livrar da máxima dos burocratas que criam dificuldades para vender facilidades.
Fernando Ventura
Recife, PE

A burocracia é a pedra angular do controle do Estado sobre os cidadãos e, não nos enganemos, opõe-se por natureza à liberdade. O bom senso deveria pautar o limite e o equilíbrio da burocracia. Afinal, aprendemos que administrar é apenas uma questão de ética e sensatez. Nós, brasileiros, sabemos que esses dois elementos básicos têm faltado sistematicamente ao Estado, esse grande Leviatã descrito por Thomas Hobbes.
Marlon Pereira
São Paulo, SP

O xis da educação brasileira é tão visível: investimento maciço e responsável no ensino fundamental e médio ("O X da educação", 4 de outubro).
Maria das Graças Targino
Teresina, PI

Uma forma democrática seria transformar o Enem no critério básico para admissão nas universidades públicas e privadas. A aprovação no exame indicaria que o aluno tem os conhecimentos exigidos para quem conclui o 2º grau, estando, portanto, capacitado para fazer qualquer curso superior no país. Mas, aí, já seria querer demais.
Simon Podolsky Sala
Araraquara, SP

 

Eleições 2006

Eu gostaria de expressar minha satisfação com a ótima reportagem "Tensão e dinheiro na chegada" (4 de outubro). A estrela do PT ainda brilha, mas, infelizmente, distanciando-se a cada dia da verdade dos fatos. O uso político de um órgão público, no caso a Polícia Federal, a favor de interesses partidários só depõe contra o governo, que luta com todas as suas armas para se manter no poder.
Flávio Boechat Poubel
Niterói, RJ

A corrida presidencial parece que será muito acirrada. Lula vai ter de suar a camisa, pois terá pela frente dois adversários de peso. O primeiro é seu opositor Alckmin, que vem obtendo menores índices de rejeição. O segundo adversário parece ser mais forte: seus assessores, que ultimamente só têm contribuído para a sua queda. É a velha história: dependendo dos amigos, não precisamos de inimigos.
François Karizio Fernandes Leite Cavalcante
Natal, RN

Ainda bem que o eleitor não vem se contentando com desculpas desconexas por parte do presidente e mostrou que, se no passado a esperança venceu o medo, agora a tolerância acendeu uma luz amarela bem forte para um possível novo mandato.
Eduardo Rocha
Fortaleza, CE

Com imensa alegria li a notícia de que haverá um segundo turno nas eleições presidenciais. O resultado do primeiro mostra que o começo do fim da era Lula já está em andamento. Agora é só esperar que o povo brasileiro tenha coragem e lucidez para acabar com a podridão que domina o governo daquele que não sabia de nada.
Ana Caspari
Frankfurt, Alemanha

Depois do susto inicial, e do suspiro de alívio após o término das apurações, fui dormir tranqüila. Devemos cumprimentar os brasileiros por se darem mais uma chance. Nós nos recusamos a continuar sendo um povo ignorante, conivente, sem moral, que vive de esmolas do governo.
Olga Maria Negreiros Lyrio Sessa
Vitória, ES

O rei está nu, sua soberba e arrogância fizeram com que caísse do seu trono e, por fim, humilhado, reconhecesse que o brasileiro não é palhaço, não atura desmandos, seja de quem for, de esquerda ou de direita, e dá valor ao que temos de mais sagrado, que é a democracia.
Rodrigo Borges Gonçalves
Joinville, SC

Eu queria muito que o presidente Lula dissesse: "Errei, me arrependi e estou renunciando a minha candidatura". Ele estaria dando exemplo. Daí, sim, eu passaria a acreditar no que meus pais dizem. Tenho 19 anos e leio VEJA todos os domingos, assim que ela chega a minha casa. Eu me orgulho de saber que jornalismo ainda é uma das poucas coisas que funcionam neste país.
Bruna Brigatti Valentin
Campo Grande, MS

 

Ceia nada santa

Genial a representação de "Uma ceia nada santa" (4 de outubro). Antes de se comparar com Cristo, Lula deve lembrar-se de que em sua mesa, entre os doze apóstolos, havia um único traidor. Os outros onze se encarregaram de promover sua reabilitação e reintegração na história, testemunhando sua mensagem. Os participantes da mesa de Lula são todos traidores – não sobra ninguém com credibilidade para promover sua reabilitação.
Elizio Nilo Caliman
Brasília, DF

Caberia perguntar ao presidente se ele, ao longo de trinta anos de convivência com seus "meninos", não teria sido capaz de escolher os seus amigos.
Sinvaldo do Nascimento Souza
Rio de Janeiro, RJ

Quem se compara com Tiradentes e com Cristo diante da verdade eleitoral brasileira, pensando que o povo não sabe distinguir gato de rato, está equivocado, como equivocado estava quando só escolheu Judas para compor sua equipe nada santa.
José Mendonça de Morais
Patos de Minas, MG

A imagem de Lula na mesa da "Ceia nada santa" foi genial. Olhei para ela, comparei-a com a da Santa Ceia e pensei comigo: "Se Lula fosse Jesus, eu seria ateu".
Guilherme Augusto Zampieri
Alfenas, MG

As obcecadas comparações de Lula com figuras heróicas ou divinas é uma última fantasia para o baque da dura realidade. Ao se comparar a Jesus Cristo, ele se esquece de que na mesa com Cristo havia doze apóstolos e somente um o traiu, enquanto na sua mesa o número é bem superior a esse. Mas com certeza ele pode se comparar ao apóstolo Pedro, pois, antes de o dia raiar, ele nega tudo três vezes.
Waldir Rosenberger
Por e-mail

Parabéns a VEJA pela bela coletânea dos improvisos do presidente. Dignos do troféu Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País). Ufa! Haja asneira.
Onofre Correa
Imperatriz, MA

 

Cartas

A edição 1776 de VEJA (6 de novembro de 2002) publicou minha manifestação sobre a eleição de Lula, nestes termos: "1990, 1994, 1998, 2002. Água mole em pedra dura tanto bate até que Lula". Agora, em 2006, minha manifestação se resume em duas palavras: "Basta, Bastos".
José Vicente Dias Leme
Barretos, SP

Há tempos leitora de VEJA, tenho percebido que a revista vem dedicando cada vez mais espaço à seção Cartas. Isso muito me agrada, porque é um espaço justo e democrático. Na última edição (1976), li com muito fervor as opiniões tão distintas sobre os mais variados assuntos publicados e constatei que vivemos num país rico em pensamento e crítica, que vão desde jovens assinantes de 10 anos de idade até o próprio candidato à Presidência Geraldo Alckmin.
Anne Louize Marins Machado
São Gonçalo, RJ

 

Veja essa

A triste declaração do ministro da Cultura, Gilberto Gil ("A corrupção não impede a cidadania. Ela é inerente à condição humana", 4 de outubro), revela a dimensão de duas graves misérias: a falta de dignidade e o desconhecimento da carga valorativa inserta na Carta Magna de 1988. Quando se trata de autoridade e de pessoa reprodutora de opiniões, o fato resulta em desesperança para aqueles que acreditam na histórica evolução da espécie humana.
Clayton Reis
Curitiba, PR

 

Greg Behrendt

Como sempre, as páginas amarelas trazem entrevistas surpreendentes. Mas Greg Behrendt (4 de outubro) foi espetacular. É ótimo ver a opinião de um homem sobre o comportamento das mulheres em relação aos desafetos amorosos. Vou seguir seus conselhos. Parabéns pela entrevista.
Ionne Nunes Rocha Santos
Imperatriz, MA

Impressionantes as idéias de Greg Behrendt. É triste pensar que as pessoas, independentemente do sexo, têm passado tanto tempo tentando entender a cabeça do parceiro. As mulheres passam cada vez mais tempo tentando entender a cabeça dos homens, quando deveriam estar desfrutando os momentos prazerosos que vivem com alguém.
Zilene Vieira da Silva Barros
Guanambi, BA

Claro, preciso, tanto na matéria como no livro, Ele Simplesmente Não Está a Fim de Você. Ele nos faz sair fortalecidas quando as fichas caem e nos leva a tomar uma decisão.
Alzia Freitas
Por e-mail

Achei muito simplista a opinião de Greg Behrendt a respeito da condução dos relacionamentos entre homens e mulheres. Do modo como foi colocada, fica a impressão de que os homens estão no comando, numa relação quase maquinal, e o sucesso desta depende exclusivamente de sua vontade. Que homem chato esse, que busca apenas um troféu ao final de uma disputa e não se importa muito em conhecer melhor a mulher a seu lado.
Nádia Lardo Sanchez
Botucatu, SP

 

Lya Luft

Impressionantes o direcionamento oportuno e a exatidão com que Lya Luft brinda seus leitores semanalmente. O artigo "Perfil de um líder" (Ponto de vista, 4 de outubro), além de reproduzir a imagem do comportamento insólito e irresponsável do presidente da República desta nossa sofrida nação, conseguiu alertar os milhares de eleitores para o fato de que nem tudo está perdido.
Marcelo Cerqueira
Brasília, DF

Aqui em casa nosso coração vermelho-desbotado se colocou, mais uma vez no domingo, diante das urnas eleitorais, esperando agora ter acertado na escolha do novo líder. Artigos da revista VEJA como esse deveriam ser tema nas escolas, pelo menos em períodos pré-eleitorais.
Marisa Dias Leite
Osasco, SP

Quando meu filho nasceu, ganhei um daqueles álbuns nos quais podemos colocar as lembranças desse período e deixar também mensagens. Quando li o artigo de Lya, neste domingo, eu me lembrei da mensagem que havia escrito oito anos atrás: "Que você seja um homem honrado".
Mari Viana
São Bernardo do Campo, SP

 

Roberto Pompeu de Toledo

Realmente, não dá para acreditar. Jamais imaginei que tão cedo seria aprovada uma lei contra a poluição visual, tema que só acreditava ser discutido e regulado em países desenvolvidos, ainda mais quando se trata de uma capital como São Paulo. Isso é uma verdadeira revolução, um salto de progresso, principalmente por privilegiar o interesse público sobre o particular ("Nem dá para acreditar", 4 de outubro).
Éder Daniel Riffel
Brusque, SC  

Somos alunas do Liceu Albert Sabin, de Ribeirão Preto (SP). Lemos o ensaio de Roberto Pompeu de Toledo e concordamos plenamente com essa nova lei. Foi uma rara vitória do interesse público sobre o privado, da ordem sobre a desordem, da estética sobre a feiúra.
Nicole Gonzales e Larissa Sette
Ribeirão Preto, SP  

A prefeitura declara sua incapacidade de executar a lei e decide exterminar todo um segmento econômico, colocando em um mesmo saco os legais e os que agem à margem da lei.
Dannie Dubin
Porto Alegre, RS  

Não temos dúvida de que a situação da cidade de São Paulo está à beira do caos em termos de poluição visual, mas daí a encerrar a atividade que gera no mínimo 20.000 empregos formais, e colocar tudo no mesmo saco, é como cortar todas as luzes da cidade porque existem muitos "gatos".
Jorge Brandão
Santa Maria, RS

 

Diogo Mainardi

Sei que você, Mainardi, se decepcionou com a ausência de Lula no debate do primeiro turno, mas, por favor, não deixe de comparecer ao debate do segundo. Com certeza, a este Lula vai e acredito que sentirá sua falta se você não estiver lá ("Um golpista sem farda", 4 de outubro).
Leonardo Rufino de Souza
Rio de Janeiro, RJ

O Podcast de Diogo Mainardi (em www.veja.com.br) foi muito bom para aproximá-lo dos leitores. Uma pena que a conversa tenha sido tão curta. Ainda assim, agradeço a VEJA o novo recurso que nos aproxima de um colunista como o Mainardi.
Briza Rocha Bueno Netto,
17 anos
Curitiba, PR

 

 

MÍDIA EXTERIOR

No ensaio "Nem dá para acreditar" (4 de outubro), Roberto Pompeu de Toledo comentou a lei municipal que proíbe a propaganda nas ruas da cidade: "Uma rara vitória do bem comum sobre o interesse privado". O presidente do Sindicato dos Publicitários do Estado de São Paulo, Benedito Antonio Marcello, e alguns profissionais da área escreveram para criticar o artigo. "Protestamos pelo fato de jogar na vala comum uma categoria profissional respeitada, comparando-a a criminosos que agem no narcotráfico e no lenocínio", disse Marcello. Pompeu esclarece: "Em nenhum momento comparei a classe dos publicitários à dos operadores do narcotráfico ou do lenocínio. O que disse é que, em diversas ocasiões em que o bem comum se defronta com o interesse particular, há lugar para o argumento da perda de empregos – seja num caso como o da proibição dos anúncios nas ruas de São Paulo, seja no do combate a organizações criminosas. A interpretação fraudulenta do meu argumento é uma tentativa de desviar a questão de seu ponto central, que é a oposição entre o interesse público e interesses particulares".

 

PAUL VANCE NÃO MORREU

Na edição passada, VEJA publicou na seção Datas uma nota na qual informava que o músico americano Paul Vance teria morrido. Na verdade, Vance, que compôs a canção Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka Dot Bikini, popularizada no Brasil como Biquíni de Bolinha Amarelinha, está vivo e goza de boa saúde. O erro de VEJA – e de muitas agências de notícias – teve origem em uma mentira contada pelo comerciante Paul van Valkenburgh à própria família. Ele dizia ser o autor da canção famosa e que não recebia royalties da música porque vendera seus direitos autorais. Em 26 de setembro, Rose Leroux divulgou que Valkenburgh, seu marido, era o compositor Paul Vance e tinha morrido de câncer aos 68 anos. Em seguida, o verdadeiro Paul Vance apareceu para dizer que o morto era outro. Rose ficou desolada por ter sido enganada pelo marido por quase quarenta anos. Vance, o legítimo, mora na Flórida, tem 76 anos e recebe regularmente os royalties de sua música.

 
 
 
 
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