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Carta ao leitor
Um "não" a tudo isso
Ed Ferreira/AE
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| Fila de votação: a maioria dos eleitores não
quer um governo que cause vergonha |
Pesquisas eleitorais, gostam de dizer os diretores
de institutos, são como fotografias de um momento. Antes
do primeiro turno da eleição presidencial, as "imagens"
obtidas por esses levantamentos indicavam que, apesar da gradativa
perda de cacife de Lula, os candidatos da oposição,
juntos, não ultrapassariam o total de votos do atual presidente.
Pois sucedeu o contrário. Geraldo Alckmin, Heloísa
Helena e Cristovam Buarque arrebanharam 51,1% dos sufrágios,
contra 48,6% de Lula. Além disso, Alckmin conseguiu milhões
de votos a mais do que prognosticavam as pesquisas, atingindo a
segunda maior votação jamais recebida por um político
brasileiro, em números absolutos, num primeiro turno de eleição
presidencial. Dessa discrepância entre os levantamentos e
a realidade, há duas lições a tirar, e nenhuma
delas significa uma condenação das pesquisas. A primeira
lição é que, realmente, elas são como
fotografias de um momento. A segunda é que esse momento pode
sofrer uma reviravolta tal que o instante seguinte já é
o seu oposto. Foi o que ocorreu às vésperas do último
dia 1º.
A verdade é que a quantidade
de eleitores que mudaram de idéia sobre em quem votar, horas
antes do pleito, foi suficiente para levá-lo a uma segunda
rodada. Isso demonstra a capacidade dos brasileiros de não
se deixar instrumentalizar e de se indignar. A maioria deles, como
comprovou o resultado das urnas, não quer um país
onde as autoridades responsáveis pela manutenção
das leis e pelo respeito à ética são as primeiras
a quebrá-las. Também não quer um governo que
cause vergonha e subverta a regra rudimentar, segundo a qual o crime
não pode e não deve compensar. É bom para o
Brasil que os eleitores tenham mantido a capacidade de julgamento.
Alguém disse que a política não é uma
ciência exata, e sim uma arte. Faltou dizer que o grande artista,
no caso, é quem tem o direito de destituir os maus e colocar
os bons no poder, para tentar melhorar o quadro geral. Você,
eleitor.
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