TELEVISÃO
Jogada
Decisiva (He Got Game, Estados Unidos, 1998. Segunda-feira,
às 20h30, na HBO) Este filme do diretor Spike Lee
não foi lançado por aqui, nem nos cinemas nem em
vídeo. É uma injustiça. Vibrante e ambicioso,
ele conta a história de um presidiário (Denzel Washington)
que ganha uma semana de liberdade para convencer seu filho, Jesus,
um disputado jogador de basquete juvenil, a ingressar em determinada
universidade. Mas Jesus está rodeado de traidores e, além
disso, culpa o pai por seus sofrimentos. A metáfora não
é sutil, mas Lee a executa com paixão.
Era
uma Vez em Hollywood (Domingo, 15, às 20h, e dias
16 e 17, às 21h, no MGM Gold) Feita em 1974, esta
é considerada a melhor antologia da época de ouro
dos musicais. Está tudo lá: desde as belas cantorias
de Judy Garland em O Mágico de Oz até uma
curiosa imagem de Clark Gable, astro de ...E o Vento Levou,
cantando e dançando. O documentário, que reúne
trechos de cerca de 100 produções do estúdio
MGM, finalmente chega à TV por assinatura. Com sete horas
de duração, será exibido em três episódios
todos entremeados por depoimentos de astros como Frank
Sinatra e James Stewart.
LIVRO
O
Fim das Forças, de Joseph Conrad (Tradução
de Julieta Cupertino; Revan; 190 páginas; 22 reais)
Na obra do polonês naturalizado inglês Joseph Conrad,
é difícil dizer onde termina a experiência
pessoal e começa a literatura. Essa regra vale também
para O Fim das Forças, com suas descrições
vívidas dos mares do Oriente, que o autor singrou como
marinheiro. O livro retoma um tema central para Conrad: a fidelidade,
mostrada aqui no relacionamento entre um velho marujo e sua filha
em dificuldades. Não é um trabalho de primeira grandeza,
como Lord Jim ou O Coração das Trevas.
Mas, no caso de um autor clássico como ele, sempre há
o que tirar das obras menores.
FILME
Mario Tursi
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| U-571:
tensão no submarino |
U-571 A Batalha do Atlântico (U-571,
Estados Unidos, 2000. Estréia nesta quinta-feira no país)
Jonathan Mostow causou sensação há
três anos, quando dirigiu Breakdown: com um mínimo
de recursos, transformou num suspense eletrizante a história
de um sujeito que procura sua mulher, raptada no deserto. Ele
repete esse feito com U-571. Em 1942, um submarino americano
aborda uma nave inimiga para roubar dela a Enigma o aparelho
com que os nazistas codificavam suas ordens de ataque. Mostow
se inspira em vários clássicos, como o alemão
O Barco Inferno no Mar, e se sai com um filme que
é pura tensão do começo ao fim. Só
os ingleses não gostaram: eles é que capturaram
a Enigma, meses antes de os americanos entrarem na guerra.
DISCO
Doolittle,
Pixies (Roadrunner) O pop atual deve muito à
banda americana Pixies. Surgido no final dos anos 80, em Boston,
este quarteto injetou uma bem-vinda dose de energia no rock desanimado
de então. Boa notícia: está saindo no país
um pacote com cinco CDs que só haviam sido lançados
em vinil ou permaneciam fora de catálogo. O melhor deles
chama-se Doolittle. Segundo álbum da banda, é
também aquele em que ela atinge o equilíbrio perfeito
entre letras inteligentes, belas melodias e atitude punk
ou seja, músicas curtas e sem floreios. Tais elementos
tiveram influência decisiva sobre artistas que engatinhavam
no período. Até Kurt Cobain, líder do Nirvana,
curvava-se perante eles.
DVD
Universal
City Studios
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| Monty
Python: lacuna no humor |
O Sentido da Vida (Monty Python's the Meaning of Life,
Inglaterra, 1983. Columbia) O sexteto inglês Monty
Python, de A Vida de Brian, mostra o que o seu humor tem
de mais abrasivo nesta sua última produção
para o cinema, até hoje inédita em vídeo
no Brasil. Fiéis ao título, eles começam
achincalhando o milagre da concepção (num quadro
musical que opõe os férteis católicos aos
contidos protestantes) e terminam zombando da morte, que sofre
para convencer um grupinho animado de que a festa, para eles,
acabou. Entre um extremo e outro, caem todos os pilares da fé
e da civilização. É mais uma prova de que,
extinto há mais de uma década, o grupo deixou uma
enorme lacuna.
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LITERATURA
BRASILEIRA
O
Herói Devolvido
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Marcelo
Mirisola
Editora
34;
191 páginas;
18 reais
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Lançado
originalmente em 1998 e reeditado há poucas semanas
com algumas revisões, Protesto, do brasilianista
Malcolm Silverman, é o único bom estudo panorâmico
sobre o romance nacional das décadas de 60, 70 e
80 disponível no mercado. Com a diligência
típica dos acadêmicos americanos, Silverman
leu quase toda a produção desse período
e sustenta a idéia de que a atitude de protesto
como já indica o título de seu livro
foi marca distintiva das obras desses trinta anos. A tese
é interessante. Enseja várias discussões,
inclusive sobre os escritores que estão surgindo
agora. Tome-se como exemplo o jovem paulista Marcelo Mirisola,
que acaba de lançar seu segundo livro, a coletânea
de contos O Herói Devolvido. Seus textos
destilam fartas doses de raiva e sarcasmo. Será que
ele dá prosseguimento à tradição
do protesto, ou acaba por desviar-se dela?
Tudo
indica que a segunda alternativa é a mais correta.
Na literatura do passado recente analisada por Malcolm Silverman,
o combate quase sempre era travado contra inimigos precisos:
a ditadura militar; a "burguesia exploradora". Já
Mirisola, por assim dizer, potencializa e universaliza sua
irritação: "Eu só tenho uma coisa pra
falar. Que é o seguinte: o folclore e os sons e as
cores e a casa grande e a senzala e todas as nuances e reverberações
dessa cultura miscigenada, antropofágica, carnavalesca,
sebastianista, barroca, tropicalista e o diabo do PFL no
poder nunca me fizeram falta. As coisas teriam sido
muito melhores se Hebe Camargo e Mário de Andrade
jamais tivessem existido". Em passagens como essa, do conto
O Nome Disso, ou em outros textos, como Basta
um Verniz para Ser Feliz, não resta pedra sobre
pedra. É preciso destacar outro aspecto de sua literatura:
a maneira desbocada como fala de sexo. Ele usa muito palavrão
e descreve visitas do arco-da-velha a bordéis e prostitutas.
Curiosamente, não descai para a pornografia, nem
soa como um desses autores que fazem de tudo para "chocar".
Sua falta de pudor é apenas outra instância
da recusa em fazer concessões ao politicamente correto.
Se
é verdade que a literatura de protesto já
tem trinta anos entre nós, o autor que se contentar
com a "denúncia de injustiças" ou meramente
assumir a pose de "combativo" tem tudo para incidir no anacronismo
e ser detectado como fraude. É preciso dar um passo
a mais no caminho da crítica. Autores como Nelson
de Oliveira ou André Sant'Anna têm feito isso.
O mesmo vale para Marcelo Mirisola, com seus contos cheios
de força e humor.
Carlos
Graieb
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