Acabou mesmo
A
Air France, reduto dos fumantes,
proíbe o cigarro
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Barzinho
com exaustor,
revistas e
champanhe: desativação
em
novembro
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Num
setor chegado aos grandes gestos, foi um movimento até discreto,
mas inclemente: pouco a pouco, as principais companhias aéreas
do planeta resolveram abolir o fumo em seus aviões. A última
integrante da lista é a Air France, empresa venerada pelos
tabagistas justamente por ainda contar com fumódromos em
suas aeronaves um cantinho nos fundos dotado de poderoso
exaustor onde passageiros, de pé, podem dar suas baforadas
enquanto lêem revistas, petiscam e, da classe executiva para
cima, tomam champanhe. A partir de 1º de novembro, atendendo
a anseio detectado em pesquisas feitas entre os próprios
passageiros, a festa chega ao fim. Para compensar a proibição
de fumar a bordo, a Air France vai oferecer apoio psicológico
aos viciados mais inveterados. No embarque em Paris, por um preço
equivalente a 45 reais a consulta, um psicólogo terá
como missão avaliar o fumante e, conforme o caso, aconselhar
o uso, durante o vôo, de chicletes ou adesivos de nicotina,
que inibem a vontade de fumar. "Nossa intenção é
de que o passageiro se anime, marque outras consultas e deixe de
fumar de vez", diz Silvia Levy, diretora de marketing da companhia
no Brasil.
A
investida contra os fumantes mesmo num negócio caracterizado
pela extrema competição mostra como o cigarro é
cada vez mais repudiado. Para amenizar o calvário dos passageiros
tabagistas, as empresas aéreas quando muito oferecem expedientes
paliativos, sobretudo em vôos mais longos. A Japan Airlines
(JAL) distribui um tubinho de plástico, no formato de cigarro
de verdade, com gosto de hortelã a cada "tragada". Varig,
Swissair e Lufthansa oferecem, a pedidos, chicletes antifumo. O
cerco à fumaceira começou nos Estados Unidos. Em alguns
anos, depois de muita resistência, a moda pegou. No Brasil,
uma portaria de 1997 do Departamento de Aviação Civil
proibiu o fumo durante a primeira hora de qualquer vôo que
decolasse em território nacional. No ano passado, uma sentença
da Justiça Federal de Porto Alegre suspendeu de vez o cigarro
em companhias brasileiras. As empresas da Europa, onde em terra
ainda se fuma desbragadamente, foram as últimas a aderir.
Agora, com a rendição da Air France, o fumante que
quiser deixar o Brasil com a perspectiva de voar de cigarrinho na
mão só conta com três opções:
Lloyd Aéreo Boliviano, Cubana de Aviación e a russa
Aeroflot. Uma questão de escolha.
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