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Pela décima quinta vez

ACM e FHC voltam a trocar farpas públicas
numa disputa sobre o recado das urnas

Leonardo Coutinho, de Salvador

Depois das juras de amor que selaram a aliança entre tucanos e pefelistas, lá nos idos de 1994, é a décima quinta vez que o senador Antonio Carlos Magalhães, rei da Bahia consagrado nas urnas de domingo, promove um arranca-rabo público com o presidente Fernando Henrique. Na semana passada, o motivo foi a participação azeitada com verbas públicas de dois ministros – José Serra, da Saúde, e Fernando Bezerra, da Integração Nacional – nas campanhas na Bahia. No embalo, ACM traduziu o recado das urnas: os eleitores quiseram dizer, interpretou o senador, que o presidente tinha de trocar alguns ministros. Na Alemanha, ao chegar a Berlim, Fernando Henrique respondeu: "Ninguém recomenda ao presidente da República nada. Nem pessoas que se crêem muito poderosas". No Brasil, o senador retrucou: "O poder às vezes inebria as pessoas, e as pessoas pensam que podem tudo, mas ele não pode tudo".

A briga não quer dizer nada, nem pretende conseqüência alguma além de uma troca de afagos dentro de alguns dias. Por trás das farpas, está a disputa pelo Senado, cujo comando ACM deixa em fevereiro e não quer ceder ao senador Jader Barbalho, do PMDB, para quem o Palácio do Planalto arrasta asa. É uma disputa que até o gramado do Congresso sabe que terá novos embates até lá. Mas chama a atenção como os políticos de Brasília trabalham e retrabalham com o resultado das eleições. Ungido na Bahia, ACM bateu no peito a vitória de Antonio Imbassahy a prefeito de Salvador – único entre as capitais de peso a vencer no primeiro turno. Seu PFL ganhou 125 prefeituras baianas e conseguiu a adesão de partidos que comandam outras 266. No fim, ficou com 94% das 417 prefeituras do Estado. Um desempenho notável, que repete o tamanho de suas vitórias de 1996.

"Minha tese" – Ganhador em casa, o senador falou grosso com o presidente da República. Esperto como raposa, quer fazer crer na existência de uma lógica inquebrável: quem é bem votado em seu Estado tem de ser bem ouvido em Brasília. O senador também não perdeu um segundo para mostrar ao país que seu partido é donatário da Bahia – e promoveu um barulho de fazer inveja ao PT de Lula, conhecido pela potência da buzina. Deu certo. Tanto que ninguém lembrou de dizer que, na verdade, o PFL que mais cresceu é o do Maranhão. Ali, o partido saltou de 28 para 73 prefeituras e selou alianças que o colocam em 200 dos 217 municípios maranhenses. "Isso reforça minha tese. O PFL tem o direito de ter candidato próprio ao Palácio do Planalto", diz a governadora Roseana Sarney. Enfim, cada um fatura o recado das urnas como pode.

 
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