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Edição 1 768 - 11 de setembro de 2002
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DVD

Century Fox

A Fúria: tensão à la De Palma


A Fúria
(The Fury, Estados Unidos, 1978. Fox) – Amy Irving (a senhora Bruno Barreto) tinha 25 anos e cara de criança quando fez a adolescente Gillian, que tem um imenso poder paranormal, mas vê seu dom como uma praga. Durante seus transes, ela é capaz de fazer outras pessoas sangrarem até quase a morte – e também de ter visões sobre o passado e o futuro. Por isso uma agência sinistra do governo quer pôr as mãos nela, e por isso também Kirk Douglas precisa encontrá-la – para que ela o ajude a resgatar seu filho, raptado por essa mesma agência. O diretor Brian De Palma acabara de inscrever seu nome no mapa com Carrie, a Estranha quando fez A Fúria, e se superou (embora não em popularidade). Atenção, por exemplo, à cena magistral da fuga de Gillian. Alfred Hitchcock teria tido orgulho de rodá-la.

 

LIVRO

Amor, Etc., de Julian Barnes (tradução de Léa Viveiros de Castro; Rocco; 204 páginas; 25 reais) – Um dos expoentes da geração de autores ingleses hoje na faixa dos 50 e tantos anos, ao lado de Martin Amis e Ian McEwan, Julian Barnes hesitou durante algum tempo para escrever esse livro. Tratava-se de uma seqüência de um de seus maiores sucessos, Em Tom de Conversa, e o autor temia cair na mesmice. O resultado foi bem o contrário disso. No romance anterior, os amigos do peito Stuart e Oliver rompem relações quando o segundo rouba a mulher do primeiro, Gillian. Amor, Etc. retoma a vida do trio décadas depois. Enquanto Gillian e Oliver amargam um casamento frio, Stuart ressurge no pedaço rico e se propõe a dar uma força aos velhos conhecidos – ou será que, no fundo, ele só pretende vingar-se? Leia trechos do livro.

 

DISCOS

 
Divulgação

Bruford: dotes jazzísticos

Footloose and Fancy Free, Bill Bruford's Earthworks (Voiceprint) – O baterista Bill Bruford é admirado entre os fãs de rock progressivo por seus trabalhos à frente do Yes e King Crimson. Esse disco mostra uma faceta mais refinada do instrumentista. Bruford testa seus dotes jazzísticos ao lado do saxofonista Patrick Clahar, do pianista Steve Hamilton e do baixista Mark Hodgson. Abandona a percussão eletrônica, que ditou o seu trabalho nos anos 80 e 90, e se esmera na bateria acústica. Gravado durante duas apresentações do quarteto em junho do ano passado em Londres, o álbum traz grandes improvisações de Bruford (Triplicity), do saxofonista Clahar (No Truce with the Furies) e um solo primoroso de Hamilton (Come to Dust). Trata-se de uma introdução e tanto ao trabalho do quarteto, que faz show no final deste mês em São Paulo.

 
Divulgação

Los Lobos: muito além de La Bamba

Good Morning Aztlán, Los Lobos (Warner) – Para muita gente, o nome Los Lobos remete unicamente àquela versão do clássico latino La Bamba, de Ritchie Valens, que fez grande sucesso no início dos anos 90. Nada mais injusto, no entanto, do que lembrar deles apenas por causa daquele hit. Formado em Los Angeles no início dos anos 70, o Los Lobos é o mais respeitado grupo de rock hispano-americano surgido até hoje. Aplicado à música do conjunto, o adjetivo "eclético" reveste-se do melhor sentido. Os rapazes têm um jeito peculiar de combinar folk, blues, country, música tradicional mexicana e outros estilos. Em Good Morning Aztlán, eles provam que ainda têm muito gás. O disco oferece rock pesado (Done Gone Blue), soul music (The Word), música latina (Luz de Mi Vida) e até uma faixa com batucada brasileira (Malaqué).

A Música em Pessoa, vários intérpretes (Biscoito Fino) – Lançado em vinil em 1985 e apenas agora em CD, esse disco-tributo traz compositores, cantores e atores brasileiros dando interpretação a textos de Fernando Pessoa e seus heterônimos Ricardo Reis, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. As cantoras Nana Caymmi e Vânia Bastos destacam-se em Segue o Teu Destino e Quem Bate à Minha Porta, respectivamente, enquanto Marília Pêra e Marco Nanini recitam O Menino da Sua Mãe e Passagem das Horas. As músicas ficaram a cargo de compositores como Edu Lobo, Francis Hime e Tom Jobim. Desse último há no CD uma versão inédita para Autopsicografia, um dos poemas mais famosos de Pessoa, que não constava do disco original.

 

TELEVISÃO

11 de Setembro (quarta-feira, às 22h, no GNT, e às 2h10, na Globo; sábado, dia 14, à 0h05, no Globonews) – Durante vários meses do ano passado, os irmãos franceses Jules e Gedeon Naudet filmaram a rotina de um quartel do corpo de bombeiros de Nova York para fazer um documentário. No dia 11 de setembro, eles acompanhavam uma operação corriqueira dos bombeiros, a poucas quadras do World Trade Center, quando o primeiro avião atingiu uma das torres gêmeas. Jules e Gedeon foram os únicos a filmar o choque. Depois, enquanto Gedeon captava a reação das pessoas nas ruas, Jules registrava momentos de pavor no interior do edifício. Os cinegrafistas escaparam por pouco de morrer soterrados – e fizeram o mais contundente registro dos atentados terroristas que chocaram o mundo. Confira imagens do documentário.

 

CRÍTICA – OS MAIS VENDIDOS

Em 1919, um grupo de rapazes de Petrópolis promoveu um concurso para premiar aquele que pintasse e bordasse a mais linda almofada. O evento chamou a atenção da imprensa e mereceu um comentário ácido do escritor Lima Barreto: "Foi à custa da abnegação dos pais que esses petroniozinhos obtiveram ócio para bordar almofadinhas em Petrópolis". Futilidades à parte, o tal concurso repercutiu no vocabulário nacional: o termo "almofadinha" virou sinônimo de "homem que se veste com excessivo apuro", na definição do Aurélio.

Essa é uma das várias curiosidades sobre palavras e expressões contidas em A Casa da Mãe Joana (Campus; 250 páginas; 29,90 reais), quarto colocado na lista de não-ficção de VEJA. Sim, é mais um manual que contribui apenas para a cultura inútil. Mas, diante do tratamento divertido dispensado ao tema pelo professor de português Reinaldo Pimenta, ele está longe de ser um livro de meia-tigela. Aliás, "meia-tigela" remonta aos tempos do absolutismo em Portugal. Enquanto os altos funcionários da corte tinham direito a uma porção inteira de alimento, a plebe empregada no palácio real ganhava bem menos. Era a turma da meia tigela.

Pimenta demonstra como alguns termos adquiriram sentido muito diferente do original. A interjeição "puxa!", por exemplo, vem de uma palavra espanhola cujo conteúdo chulo não se pode revelar aqui. Por último: o manual explica de onde vem "a casa-da-mãe-joana" do seu título. Trata-se, segundo Pimenta, de uma referência a Joana I, rainha que regulamentou os bordéis de Nápoles no século XIV. Com isso, esses lugares começaram a ser chamados popularmente daquela forma.

Marcelo Marthe

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Siciliano; Natal: Sodiler, Nobel; Florianópolis: Laselva, Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano; Belo Horizonte: Laselva, Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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