Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 768 - 11 de setembro de 2002
Diogo Mainardi

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Especial
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
98|99|00|01|02
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Diogo para
presidente (3)

"Ao contrário de Patrícia Pillar, minha
mulher se recusou a gravar uma declaração de voto a meu favor. Disse
que sou grosso, autoritário e mentiroso.
Minha candidatura está abalada"

Domingo – Acaba de ser divulgada nova pesquisa eleitoral. Estou em último lugar. Meus aliados começam a dar preocupantes sinais de desânimo. Bandeiras enroladas. Adesivos queimados. Analiso os dados da pesquisa para corrigir os rumos da campanha. Os eleitores mais escolarizados votam em Lula, o candidato menos escolarizado. É o velho mito do bom selvagem, incrustado na consciência nacional. Lula é igual aos canibais que os jesuítas exibiam na Europa do século XVI, um símbolo de bondade e pureza do homem primitivo. Ainda bem que o Brasil continua cheio de analfabetos, que só aceitam votar em quem conhece uns rudimentos de gramática e aritmética. É o meu eleitorado. Viva o analfabetismo! Prometo solenemente dobrar o número de analfabetos no exíguo prazo de quatro anos!

Segunda-feira – Passei o dia em campanha num supermercado. Enorme sucesso. Duas simpáticas donas-de-casa prometeram votar em mim. Pena que o supermercado e as simpáticas donas-de-casa se encontrassem na Itália, onde moro há diversos anos, prova indiscutível de meu amor pátrio. Acho que os estrangeiros deveriam ter o direito de participar das eleições brasileiras. Não digo os italianos, que, como nós, votam muito mal, mas os noruegueses, que têm longa tradição de bons governos. Aliás, eu iria ainda mais longe: delegaria inteiramente aos noruegueses a tarefa de escolher nossos governantes. Eles poderiam assistir na televisão aos programas eleitorais (preferivelmente sem tradução) e votar em nosso lugar. Certamente sairíamos ganhando.

Terça-feira – Apenas 37% dos brasileiros confiam na democracia. Estimulados por esse dado, Ciro Gomes visitou o túmulo de Getúlio Vargas e Lula elogiou o general Medici. Que tirano sobrou para mim? D. Pedro I? Aquele que meteu uma bala na cabeça de um escravo que não pôde ajoelhar-se em sinal de reverência porque carregava um enorme fardo? Viva a monarquia!

Quarta-feira – Alguns de meus adversários se vangloriam de ter tido uma infância pobre. Segundo o relato emocionado de Gugu Liberato, José Serra é filho de um fruteiro, mas, graças à sua determinação, conseguiu subir na vida. Eu fiz o caminho inverso: nasci rico e fui empobrecendo ao longo dos anos. De acordo com o formulário usado pelos publicitários para determinar a classe social dos consumidores, atualmente pertenço à classe C, como 51,3% dos moradores de favela do Rio de Janeiro. Sou o mais pobre dos candidatos. Votem em mim, pobres!

Quinta-feira – Os demais candidatos podem contar com o apoio de personalidades de reconhecido valor intelectual, como Zeca Pagodinho (Lula), Fagner (Ciro), KLB (Serra) e Edmílson (Garotinho). Onde estão meus formadores de opinião?

Sexta-feira – Ao contrário de Patrícia Pillar, minha mulher se recusou a gravar uma declaração de voto a meu favor. Disse que discorda de todas as minhas teses. E que sou grosso, autoritário e mentiroso. E que, de agora em diante, recusa-se a dormir comigo. Minha candidatura está abalada.

Sábado – Desisti de ser presidente do Brasil. Prefiro ser vereador em Teletubilândia.

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS