Edição 1866 . 11 de agosto de 2004

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O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre, Estados Unidos, 1948. Warner) – O acaso junta três homens muito diferentes numa busca por ouro no deserto mexicano. Um feliz acaso, é o que parece: aquilo que nenhum deles poderia fazer sozinho resulta, em grupo, numa empreitada de sucesso – a fortuna é encontrada. E aí, na hora de transportá-la em lombo de burro para a civilização, a ganância começa a operar as suas tragédias. Este filmaço é o ápice de várias carreiras já muito respeitáveis: a do diretor John Huston, a de seu pai, Walter Huston – encantador no papel do mais velho e filosófico dos três garimpeiros –, e a de Humphrey Bogart, como o homem cujos fantasmas põem o grupo a perder. O disco duplo traz excelentes documentários e curiosidades da época.

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Ver-te-ei no Inferno: um filmaço a descobrir


Ver-te-ei no Inferno
(The Molly Maguires,
Estados Unidos, 1970. Paramount) – No fim do século XIX, nas minas de carvão da Pensilvânia, os operários irlandeses sabotam o regime de tirania em que vivem mandando para os ares, com uma bomba aqui e outra ali, os lucros da companhia. A missão do detetive James McKenna (Richard Harris, sensacional) é fazer-se passar por mineiro e ganhar a amizade dos colegas, para então delatá-los à polícia. O problema é que McKenna passa a gostar genuinamente do líder do movimento clandestino (Sean Connery). Se ele vai preferir proteger o amigo a ganhar uma promoção, já é outra história. As atuações vívidas e o humor que o diretor Martin Ritt extrai do enredo tornam um prazer descobrir ou redescobrir esse filme meio esquecido.

 

LIVROS

O Caso Elgin, de Theodore Vrettos (tradução de Roberto Leal Ferreira; Odysseus; 258 páginas; 42 reais) – Se você deseja conhecer a civilização grega antiga, Londres é uma parada obrigatória. É no Museu Britânico que se encontram expostas algumas das peças gregas mais preciosas, com destaque para o frontão e os frisos do Partenon, de Atenas. Disputadas até hoje pelo governo grego, essas peças de mármore foram retiradas do prédio original no início do século XIX por Tomas Bruce, sétimo conde de Elgin, que servia em Istambul como embaixador da coroa britânica no Império Otomano. Com um trabalho exaustivo de pesquisa, o historiador americano Theodore Vrettos reconstitui todas as fascinantes intrigas que cercaram esse famoso caso de expropriação artística.

Larousse do Vinho (tradução de Antonio de Pádua Danesi, Celeste Marcondes, Maria Alice Sampaio Doria e Mary Amazonas Leite de Barros; Larousse do Brasil; 384 páginas; 119 reais) – Quem aprecia um bom vinho vai encontrar nesse livro um guia abrangente e claro para sua degustação. A edição brasileira não é somente uma tradução do original francês, mas foi adaptada para atender às necessidades do consumidor daqui, incluindo capítulos sobre o vinho no Brasil, no Chile e na Argentina. O guia ainda ensina a combinar os diversos tipos de vinho com os mais variados pratos – inclusive da culinária brasileira. Leia trechos.

Praga, de Arthur Phillips (tradução de Fábio Fernandes; José Olympio Editora; 420 páginas; 52 reais) – Aos olhos de alguns aventureiros ocidentais, o fim do comunismo cobriu os antigos países da Cortina de Ferro com uma sedutora aura de decadência e renovação simultâneas. Arthur Phillips foi um dos estrangeiros que se mudaram para a região no início dos anos 90. A experiência foi fundamental para compor esse elogiado romance de estréia, que acompanha a vida de cinco americanos no Leste Europeu. Detalhe: apesar do título, a ação se dá quase toda em Budapeste, que foi, para Phillips, a cidade festiva que Ernest Hemingway, outro escritor americano expatriado, encontrou na Paris dos anos 20.

 

DISCOS

As Próximas Horas Serão Muito Boas, Cachorro Grande (Independente) – O Analista de Bagé, tipo criado pelo escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, diria que o Cachorro Grande "é mais ortodoxo do que reclame de xarope". De fato, o grupo gaúcho é muito cioso das tradições do rock. Todos trajam terninhos, à moda dos roqueiros da década de 60, e suas músicas remetem às produções daquela época. As Próximas Horas Serão Muito Boas tem guitarras, baixo e bateria no volume máximo e canções que narram farras e aventuras do quinteto. O Cachorro Grande fez questão de gravar o disco ao vivo no estúdio, para tentar reproduzir o astral de suas apresentações. Você Não Sabe Nada e Que Loucura! são boas amostras da energia do grupo.

 
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Scissor Sisters: extravagância  

Scissor Sisters (Universal) – Imagine a extravagância de um Elton John multiplicada por cinco. Em seguida, adicione alguns trinados agudos ao estilo dos Bee Gees e uma variedade de ritmos dançantes. Isso lhe dará uma idéia do que seja a música do Scissor Sisters, uma das bandas mais malucas da atualidade. Suas letras não têm nada de politicamente correto. Take Your Mamma, primeiro hit do quinteto, narra a história de um adolescente que embebeda a mãe de champanhe barato para fazer uma festinha de arromba com os amigos. E por aí vai. Mais do que romper tabus, contudo, a banda quer divertir. Uma boa prova disso é a versão racha-assoalho para Comfortably Numb, do Pink Floyd. Ouça o disco.

 

CINEMA

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Garotas: inglesas excêntricas


Garotas do Calendário
(Calendar Girls,
Inglaterra/Estados Unidos, 2003. Em cartaz desde sexta-feira) – Numa cidadezinha da Inglaterra, palestras sobre os milagres dos brócolis são o que há de mais palpitante nas reuniões do Instituto das Mulheres. Também o calendário beneficente que o clube produz, com paisagens bucólicas, não angaria mais do que uns trocados. Daí uma das sócias (Helen Mirren) ter a idéia de apimentar as coisas: a solução, diz ela, é imitar os calendários de oficinas mecânicas – ou seja, apelar para a nudez. As modelos, claro, serão as próprias mulheres do instituto, todas já bem entradas nos 50 anos (ou passadas deles). Inspirado num episódio real, o filme retrata os ingleses como excêntricos incorrigíveis. Mas compensa o estereótipo com o bom humor e as excelentes atrizes. Veja cenas.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Livraria Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Livraria Leitura.
 
 
 
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