Edição 1866 . 11 de agosto de 2004

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Cartas

 

"VEJA abre as portas do cérebro humano para que seus leitores mergulhem nos mistérios que já intrigavam o filósofo grego Aristóteles."
José Wagner Cabral de Azevedo
Tambaú, SP

 

Cérebro

A evolução, a genética e a neurociência são áreas fundamentais para explicar a origem daquilo que nos faz humanos. A descoberta da estrutura do DNA contribuiu de forma significativa para comprovar como as alterações dos genes permitem o mecanismo de seleção natural proposta por Charles Darwin, além de ampliar os horizontes da genética. Em seus últimos anos de vida, Francis Crick ("Ele decifrou o código da vida", 4 de agosto) focou suas pesquisas no entendimento do cérebro, em especial na criação de uma teoria científica para explicar a consciência, um dos grandes mistérios da biologia. Quem sabe, se dispusesse de mais alguns anos de vida, Crick poderia nos presentear com mais algumas descobertas que mudariam nossa forma de compreender o ser humano e encarar a vida ("O cérebro devassado", 4 de agosto).
Emerson Magno Fernandes de Andrade
João Pessoa, PB

O cérebro, ao contrário das poderosíssimas máquinas de última geração, é estimulado com o "erro". O erro, capaz de imobilizar qualquer programação e de desestruturar qualquer máquina, no cérebro humano funciona como um desafio. Não há nada mais desafiador que as múltiplas elaborações do universo cerebral. Como sabemos de nossa finitude – a angústia da morte é o que nos impulsiona –, vêm daí os eternos desafios para os homens, aliás, os únicos seres que sabem que erram. Errar é humano, portanto "o novo mapa do cérebro", dentro em pouco, já estará obsoleto. Novos paradigmas virão. Assim caminha a humanidade.
Isaac Soares de Lima
Maceió, AL

A reportagem atualiza, instrui e informa na medida correta o grande público sobre como as neurociências têm evoluído nos últimos anos. A enorme velocidade do desenvolvimento das técnicas de neuroimagem funcional não permite sua concomitante assimilação pela prática neurológica rotineira. Preocupa, como mostrado em matéria deste mesmo exemplar, a inevitável escalada de custos provocada pelos avanços tecnológicos. É excepcional contar com todos esses avanços, mas é preciso salientar que na profissão médica não haverá técnica sofisticada, ressonância funcional nem prática laboratorial que substituam o profissional atencioso e dedicado que oferece aos doentes a atenção necessária à redução do sofrimento.
Maurice Vincent
Professor adjunto, Faculdade de Medicina da UFRJ
Chefe do Serviço de Neurologia, HUCFF – UFRJ
Rio de Janeiro, RJ

 

Tales Alvarenga

Belíssimo o artigo "Heróis no túmulo" (Tales Alvarenga, 28 de julho). É tão difícil definir os atributos que conferem heroísmo a um ser humano. E Tales Alvarenga o fez com tanta sutileza e sensibilidade! Seus heróis são os meus, Tales.
Henry I. Sobel
Presidente do Rabinato
Congregação Israelita Paulista
São Paulo, SP

 

André Petry

Cumprimento VEJA por abordar um assunto tão importante para o Brasil – a criação do Sistema Nacional Antidrogas – que está sendo discutido no Congresso Nacional sem que a sociedade esteja alertada sobre suas nefastas conseqüências. Na verdade, a pretensão do governo é a explícita e irrestrita liberação do uso de todas as drogas ilícitas, bem como seu plantio para uso próprio. Mas, para não chocar o país, preferiu-se um subterfúgio – a descriminalização indireta. É necessário discutir à exaustão que o usuário de drogas, nem sempre delas dependente, é quem gera demanda e alimenta o tráfico, sem contar que, quase na totalidade dos casos, é o preceptor dos novos usuários ("Da vida e da morte", 4 de agosto).
Demóstenes Torres
Senador (PFL-GO)
Brasília, DF

 

Yoram Yovell

O psicanalista Yoram Yovell (Amarelas, 4 de agosto) deixa bastante claro, dentre outras coisas, que na boa relação médico-paciente, especificamente nos casos de psicoterapia ou psicanálise, a empatia é o item mais importante para o bom andamento do trabalho psicoterápico. Ou seja, o bom vínculo empático existente entre o terapeuta e seu cliente, independentemente de raça, cultura ou credo religioso.
Doutor Edson F. Nascimento
Ribeirão Preto, SP

 

Stephen Kanitz

Além de refletir sobre um dos problemas que afligem a educação, o artigo traz a lume novos paradigmas no que se refere ao modo de ensino, despertando as autoridades políticas e a sociedade em geral para o fato de que nossos estudantes não passam de meros reprodutores de idéias. Ou seja, não observam, não pensam, logo não criam, o que implica afirmar que continuam na vereda da alienação (Ponto de vista, 4 de agosto).
Maurilio Rodrigues de Mattos
Mirassol d'Oeste, MT

 

Homeopatia

Cromoterapia, chás milagrosos, ímãs e cataplasmas também têm seus adeptos famosos. Desde Hannemann, em fins do século XVIII, até os dias de hoje, a homeopatia continua a mesma. O que mudou foi a expectativa de vida das pessoas (de 30-40 para 70-80 anos), o índice de cura das doenças infecciosas, a terapia do diabetes, das doenças alérgicas (asma, bronquite, rinite), os altos índices de cura no tratamento do câncer, dos diversos tipos de reumatismo, o controle do colesterol e de doenças cardíacas, o controle medicamentoso dos doentes de aids, entre outros. Isso se deve à alopatia – a verdadeira medicina holística –, que trata "tudo" o que vier pela frente ("Crer ou não: eis a questão sobre a homeopatia", 4 de agosto).
Jairo Len,
médico pediatra
Por e-mail

 

Planos de saúde

Se em vez de bravata, governo e ANS adotassem uma postura ponderada e reflexiva, seriam muito maiores as chances de encontrar soluções inteligentes para o sistema suplementar, garantindo serviços de qualidade a 38 milhões de brasileiros. Enquanto prevalecer a demagogia, o impasse permanecerá, com prejuízo para o paciente, justamente aquele que mais deve ser preservado. Ao ameaçar o setor privado, o governo esquece-se de que a obrigação de prestar saúde gratuita é do Estado, na forma da Constituição ("E quem paga a conta?", 4 de agosto).
Adriano Londres
Presidente do Sindicato dos Hospitais,
Clínicas e Casas de Saúde
do Município do Rio de Janeiro
Vice-presidente da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp)
Rio de Janeiro, RJ

Neste contexto ganham relevância os planos de saúde de autogestão, administrados diretamente pelas empresas, pelas associações de classe e pelos sindicatos. Operam sem objetivo de lucro, por isso conseguem viabilizar uma assistência médica integral a menor custo para seus beneficiários, atendendo às expectativas de seus prestadores de serviços médicos. Inexplicavelmente, a ANS, em vez de fomentar esse segmento, impõe-lhe as mesmas exigências feitas aos planos comerciais disponíveis no mercado, criando sérias dificuldades para essa importante iniciativa da sociedade brasileira.
Luiz Gonzaga Alves de Souza
Salvador, BA

 

Diplomacia

Lula Brancaleone e a nata das miseráveis repúblicas africanas estão a formar um bloco. Nosso estadista de faz-de-conta devia entender que é melhor ser o último dos melhores que o primeiro dos piores ("Uma cena triste", 4 de agosto).
Valiomar Rolim
João Pessoa, PB

 

Reforma agrária

Sobre a reportagem "Radicalzinho x radicalzão" (4 de agosto), a respeito do papel do MLST e do MST, senti a necessidade de esclarecer duas questões fundamentais: é verdade que VEJA não cometeu o equívoco de outros órgãos da mídia brasileira de nos colocar como uma dissidência do MST, mas a tônica da matéria busca acentuar as contradições entre esses dois movimentos, ao contrário de nossa opinião de que os pontos de unidade entre o MLST e MST são muito mais poderosos que as eventuais divergências. A segunda questão é que, ao acusar o agronegócio de "sinônimo de atraso e inimigo número 1 dos sem-terra", o faço com base em dados oficiais do IBGE, em que no conjunto da produção agropecuária do país a grande propriedade representa apenas 13,6%; a média propriedade, 29,7%, enquanto a agricultura familiar entra com 56,7% da produção nacional.
Bruno Maranhão
Coordenação Nacional do MLST
Recife, PE

 

CORREÇÃO: Paulo Salvador é diretor executivo de marketing, vendas e distribuição da Accor Hotels, e não gerente-geral do Sofitel, como informou a reportagem "Milionários por um dia" (4 de agosto).

 

De VEJA para as telas

A escritora e roteirista Laura Malin estava lendo a reportagem "Não admito" (VEJA, 23 de outubro de 2002) quando pensou: "Isso daria um filme". Passou os últimos dezoito meses pesquisando e escrevendo o roteiro, que conta a história de Odete Moschen em sua luta para conter o processo de cegueira do filho. Aos 14 anos, o rapaz fora diagnosticado com neuropatia óptica hereditária de Leber, (NOHL), mal genético que leva à cegueira e que já havia feito muitas vítimas em sua família. "Fiquei sensibilizada com a luta daquela mulher", diz Laura. A fita, que tem como título provisório O Fio de Ariadne, começará a ser rodada no próximo ano, com direção de Allan Fiterman e Marília Pêra no papel de Odete.

 

Gato por lebre

A moça da foto: lábios grossos Halle Berry: traços delicados

Alguns leitores escreveram para a redação de VEJA levantando dúvidas sobre a Mulher-Gato que aparece na seção Veja essa da semana passada. "Gostaria de avisá-los que a foto que se diz ser da atriz Halle Berry não é dela", escreveu Daniela Cuba do Nascimento, de São Paulo. "Acho que a foto é de seu dublê (um homem) em cenas de luta", escreveu Luiz Fabiano Costa, de Jundiaí, São Paulo. Os lábios grossos e o corpo musculoso que contrastam com as curvas e os traços delicados de Halle dão razão às desconfianças dos leitores. Em maio, houve uma polêmica a respeito das fotos promocionais do filme, que teriam sido estreladas não pela atriz, mas por uma dublê, Ruthie. A Warner negou, garantindo que Ruthie teria substituído a estrela do filme apenas em algumas cenas. A agência Gamma, que distribuiu a foto publicada na revista, diz que recebeu do estúdio a garantia de que se trata mesmo da atriz. O homem a que Luciano se refere é o havaiano Nito, que dublou a Mulher-Gato em uma cena de escalada. O leitor pode conferir nas fotos deste quadro se tudo não passa de uma suspeita infundada ou se o estúdio está enrolando a todos.

 
 
 
 
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