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Edição 2016

11 de julho de 2007
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DVDs

Lassie (Inglaterra/Irlanda, 2006. Paris) – Em suas incontáveis encarnações cinematográficas e televisivas, a collie Lassie (ou "Mocinha") foi sempre sinônimo não apenas da proverbial fidelidade canina, mas também de inteligência, sensibilidade e beleza. Poucas vezes, porém, a história da mascote que é separada de seu pequeno dono (ou dona, conforme a versão) e enfrenta dificuldades indescritíveis para se reunir a ele foi contada com tanto charme quanto nessa produção inglesa recente. Lassie é vendida para um duque (Peter O'Toole) porque sua família passa dificuldades. Mas ela não se conforma: foge o tempo todo para voltar à sua casa – numa das vezes, cruzando centenas de quilômetros de paisagens estonteantes. Uma história que nunca fica velha. Veja cenas.


Divulgação
9. Pelotão: a guerra no Afeganistão, pelos russos

9. Pelotão (9 Rota, Rússia/Ucrânia, 2005. Flashstar) – Depois de um longo inverno, o cinema russo atravessa uma retomada junto a seu próprio público, graças a filmes como Guardiões da Noite e este 9. Pelotão, que acompanha um grupo de soldados desde seu recrutamento até o combate no Afeganistão, já no fim da guerra – que foi de 1979 a 1989. O tom é heróico, mas o realismo é um bocado mais acentuado do que nos similares americanos. Tecnicamente, também, o filme é um arraso, tirando excelente partido das locações e transmitindo com grande eficácia o terror que a soldadesca enfrentou nesse conflito desastroso. Fyodor Bondarchuk, portanto, é um diretor e um ator (ele interpreta aqui o sargento Khokhol) cujo trabalho deve ser acompanhado, e que faz jus ao pai, Sergey Bondarchuk, um dos grandes cineastas soviéticos dos anos 50 e 60.

 

LIVROS

 
Roger Viollet/AFP
Racine: três versões do mito de Hipólito

Hipólito e Fedra, de Eurípides, Sêneca e Racine (tradução de Joaquim Brasil Fontes; Iluminuras; 496 páginas; 53 reais) – Devotado ao culto de Ártemis, deusa da caça, o adolescente Hipólito – filho de Teseu, rei de Atenas – leva uma existência casta, no meio das florestas. Sua madrasta, Fedra, se apaixona pelo jovem. Incapaz de seduzi-lo, ela o acusa de estupro e depois se mata. Esse mito ganhou sua primeira grande representação literária na tragédia Hipólito, do grego Eurípides, dramaturgo do século V a.C. O romano Sêneca, no século I d.C., comporia sua versão da história em Fedra – que também é título da obra-prima de Jean Racine, dramaturgo do classicismo francês, no século XVII. As três grandes tragédias estão reunidas nesse livro, sempre em versão bilíngüe. Leia trecho.

Monstro de Deus, de David Quammen (tradução de Maria Guimarães; Companhia das Letras; 448 páginas; 57,50 reais) – Embora o ser humano tenha conseguido se colocar no topo da cadeia alimentar, o terror primitivo de ser transformado na refeição de outro animal ainda subsiste. Aparece tanto em mitos antigos quanto em filmes de ficção científica como Alien. Consagrado autor de história natural e colaborador da revista National Geographic, o americano David Quammen investiga a situação de ursos, leões e crocodilos. Também examina o modo de vida dos povos que convivem com os predadores – como os udeges, que, no extremo oriente russo, dividem território com os tigres siberianos. Esse livro fascinante desvenda uma triste ironia: quase todos esses grandes predadores hoje estão ameaçados de extinção. Leia trecho.

 

DISCOS

 
Divulgação
Interpol: a solidão em Nova York, ao som de guitarras chorosas

Our Love to Admire, Interpol (EMI) – O terceiro álbum do Interpol é o primeiro lançado por uma grande gravadora, a Capitol. Mostra o amadurecimento musical da banda, que deixa de lado o romantismo do disco anterior, Antics – mas sem abandonar o estilo quase gótico, tanto no visual e nos temas como nas guitarras chorosas. Our Love to Admire apresenta pequenas crônicas da vida em Nova York, cidade da banda, com ênfase na solidão e no lado sombrio da rotina urbana. Pioneers to the Falls abre o álbum de forma épica, mas as faixas seguintes seguem mais a linha decadentista, com temas que vão do ménage à trois (No I in Threesome) ao tédio profundo (Rest My Chemistry). É também um disco cheio de humor, e com texturas musicais sutis.

 
Champman Baehler
Queens: sem querer salvar o rock

Era Vulgaris, Queens of the Stone Age (Universal) – A vida noturna de Hollywood, com seus drogados e prostitutas, foi a inspiração do vocalista e fundador do Queens, Josh Homme. O novo disco traz canções cheias de sarcasmo e descrença, embaladas por uma guitarra bem ritmada e uma bateria pulsante. Apesar do clima desiludido, Era Vulgaris é um álbum descompromissado, sem pretensões de ser a salvação do rock, que critica com mais ironia do que moralismo. Prova disso é I'm Designer, em que Homme diz, ao som de um riff contagiante, que toda sua geração está à venda. Destaque para a participação de Julian Casablancas, do Strokes, na guitarra e nos backing vocals de Sick, Sick, Sick. Em tempo: a expressão latina era vulgaris se refere à "era comum", ou seja, os dias de hoje.

 

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.
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