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11 de julho de 2007
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Música
Guitarristas de faz-de-conta

Considerado coisa de velho na música pop, o solo
de guitarra ganha sobrevida em um videogame

 
Fabiano Accorsi
Bittencourt, da banda Angra, e Freitas, fã do Guitar Hero: a técnica musical não garante vitória no jogo

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A guitarra já foi um grande objeto de idolatria. Nos anos 60 e 70, todo show de rock incluía aqueles momentos em que o guitarrista dava um passo à frente para se entregar a longas exibições de virtuosismo. Não é mais assim. Gêneros como o rap e a música eletrônica baniram a guitarra do palco. O rock contemporâneo ainda tem grandes guitarristas, como Jack White, da dupla White Stripes, mas desapareceram figuras como Jimi Hendrix e Jimmy Page, com seus solos intermináveis. Hoje, só a turma com mais de 30 anos ainda aprecia mais de sessenta segundos de distorção e microfonia. O solista de guitarra, porém, ganhou uma inusitada sobrevida: o Guitar Hero, um dos videogames mais populares da atualidade, oferece ao usuário a oportunidade de reproduzir solos famosos de bandas como Black Sabbath e Rage Against the Machine. Claro que tudo é de brincadeirinha – inclusive a guitarra.

Já em sua segunda versão, disponível para os consoles PlayStation e Xbox, o jogo segue a tendência de descartar o equipamento mais tradicional do videogame: o joystick. O console Nintendo Wii é o mais avançado nesse sentido: utiliza um controle sem fio que detecta os movimentos do jogador – com isso, um taco pode ser simulado em um jogo de golfe ou uma raquete em uma partida de tênis. Não tão sofisticado, o Guitar Hero II inclui um controle em formato de guitarra, cujo desenho imita a Gibson SG – que ficou famosa nas mãos de Pete Townshend, do The Who. A guitarra traz cinco botões coloridos no braço. O objetivo do jogador é imitar seqüências de "notas", representadas por cores, que aparecem na tela. Não é possível compor músicas, apenas copiar movimentos predeterminados, como nos pumps, as máquinas de dança dos fliperamas. Lançado em novembro do ano passado, o Guitar Hero II já vendeu 3,5 milhões de cópias. Dois meses no mercado foram suficientes para colocá-lo em quinto lugar na lista dos games mais vendidos de 2006 nos Estados Unidos.

O Guitar Hero II exige uma certa coordenação motora – mas a técnica do jogo não tem muito a ver com a habilidade exigida por uma guitarra de verdade. VEJA convidou músicos profissionais – dois guitarristas da banda de metal Angra, Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, e o guitarrista de jazz e produtor Conrado Goys – e um aficionado do jogo, Carlos Alberto de Freitas, estudante e fundador do fórum on-line Guitar Hero Brasil, para um campeonato informal em São Paulo. Os guitarristas apreciaram a brincadeira. "As notas da música são tocadas direitinho na tela. É bem-feito", diz Bittencourt. Na hora da competição, porém, os profissionais perderam para o amador. A partida final, entre Goys e Freitas, foi com a música Strutten, do Kiss. Nem toda a técnica da guitarra profissional foi suficiente para vencer quem é viciado no game: Freitas conseguiu mais de 90% de acerto na reprodução das notas, enquanto Goys estacionou nos 80%. Os novos heróis da guitarra não precisam nem mesmo saber tocar.

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