Se você não
é a Mulher Maravilha, pense
muito bem antes de usar um par de hotpants
Silvia Rogar
Todo mundo sabe
que há coisas que os estilistas colocam na passarela
só para criar um clima, peças que, por ser muito
estranhas, muito ousadas ou muito caras, não vão
jamais parar nas lojas. À primeira vista, foi esse
o caso das chamadas hotpants, uma espécie de calcinha
de cintura alta, que lembra muito a parte de baixo do célebre
figurino da Mulher Maravilha. Versão abreviada do short,
peça que hoje freqüenta praia, festas e escritórios
no corpo das mais ousadas e das menos críticas, as
hotpants apareceram primeiro nas coleções das
grifes estreladas: em outubro do ano passado, Prada, Dolce&Gabbana
e, mais que todas, Chanel casaram a tal calcinha com vestidos
curtíssimos, camisas e até casaquinhos de tweed.
Tudo bem, ficou bonito na passarela, mas que mulher em sã
consciência sairia por aí vestindo uma coisa
dessas? Bem, primeiro aquelas acostumadas a fazer qualquer
coisa para arrasar no tapete vermelho, como a inglesa Victoria
Beckham, 33 anos, gordura zero, que no mês passado compareceu
a uma entrega de prêmios vestindo hotpants Chanel, corpete,
bolero, luvas e salto agulha. "As celebridades adotaram essa
moda porque é uma excelente maneira de chamar atenção.
A mensagem é direta: ficar sexy", resumiu a VEJA Becky
Sunshine, editora de estilo da WGSN, a maior consultoria de
tendências de moda e comportamento do mundo.
Sendo as brasileiras
fãs assumidas de tudo que é justo e curto, os
shorts-calcinha marcaram presença em várias
das coleções nacionais Sommer, Zigfreda,
Mara Mac, Tereza Santos, Forum, Isabela Capeto, entre outras
desfiladas em junho, nas semanas de moda do Rio de
Janeiro e de São Paulo, que começam a chegar
às lojas em agosto. Você adivinha quem é
que pode usar uma coisa dessas? "É preciso ser magra,
ter pernas alongadas e bonitas. Mais: só dá
para usar à noite", diz a estilista da Zigfreda, Katia
Wille, que criou três modelos para ser vendidos sob
encomenda, a preços entre 400 e 500 reais. Também
a Forum, que apresentou hotpants nas cores preta e azul-marinho
combinadas com cinto e frente-única, só planeja
atender encomendas. Já a Sommer, da estilista Thaís
Losso, garante que vai vender nas suas lojas, a 70 reais,
o modelo da calcinha em várias cores, fazendo par com
os microvestidos da marca. "Fica muito confortável
e deve pegar", acredita Thaís. Deus tenha piedade de
nós.