O professor Kramer é alvo
da obscurantista aliança
entre os "racialistas" e o Direito "achado no lixo"
Reinaldo Azevedo
André Dusek/AE
Kramer: UnB no século
XIX
A Universidade de Brasília é a vanguarda do
retrocesso no Brasil. Há dias, seu site dava destaque
a um professor cubano, "100% Fidel Castro", que exaltava as
virtudes do planejador Che Guevara, o facínora que
matava por um pedaço de pão. A UnB é
ainda líder nas ações afirmativas em
favor dos negros e na estupidez com que as implementa. Na
semana passada, o professor de ciências políticas
Paulo Kramer, 50 anos, acusado de "racismo", foi condenado
pela direção a trinta dias de suspensão,
pena convertida em multa de 1 750 reais. Numa aula, referiu-se
a negros americanos como "crioulada".
Na UnB, uma fotografia decide
quem tem direito a cota racial – o que já a fez aceitar
um gêmeo e recusar o outro, idêntico. Arruaças
envolvendo estudantes africanos foram vistas como conflitos
de raça. A instituição foi criada pelo
antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), um teórico
da neomiscigenação, para quem "o surgimento
de uma etnia brasileira, inclusiva, passa tanto pela anulação
das identificações étnicas de índios,
africanos e europeus como pela indiferenciação
entre as várias formas de mestiçagem". A sua
UnB virou um monstro.
Contra Kramer estão Gustavo
Amora, 25 anos, mestrando de ciência política
e militante negro – sua pele é só morena –,
e o professor Alexandre Bernardino, presidente da comissão
de sindicância e expoente do grupo O Direito Achado
na Rua, cujo propósito é afrontar o direito
tradicional. Amora não gostou da palavra "crioulada",
e o professor se desculpou pelo mal-entendido. O aluno voltou
ao tema em outra aula, liderando um grupo, aí com um
gravador escondido. Kramer chegou a chamá-los de "Ku
Klux Klan negra", sugerindo que eles adotavam as mesmas táticas
dos racistas brancos dos EUA. Sua conduta foi considerada
"indevida". Recebido o parecer, na semana passada, em menos
de 24 horas o reitor Timothy Mulholland decidiu a punição.
A comissão pede ainda ao Ministério Público
que investigue crime de racismo.
Kramer, que não é racista, foi vítima de uma armadilha. Amora já tentou preparar uma outra contra a professora Lúcia Avelar, ação frustrada porque o e-mail em que combinava a tramóia com um amigo foi inadvertidamente enviado a outros estudantes. Foi um linchamento politicamente correto revestido de processo legal. É aí que entra o Direito Achado na Rua. Criada pelo advogado Roberto Lyra Filho (1926-1986), tal corrente entende que o verdadeiro direito é o que nasce dos movimentos sociais. Um de seus seguidores é José Eduardo Romão, diretor do Departamento de Justiça (Dejus), aquele que queria submeter programas de TV a uma forma de censura prévia. O ministro da Justiça, Tarso Genro, já escreveu ensaios para a turma. Num dos textos de referência do movimento, Lyra Filho chama os mestres da área no Brasil de "catedr'áulicos" e "nefelibatas". Emenda: "Nós somos da planície, democrática, popular, conscientizada e libertadora". O Direito Achado na Rua, nascido na UnB, combina-se agora com a militância racialista. Kramer é a primeira vítima. Nessa velocidade, a UnB logo chega ao século XIX.