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11 de julho de 2007
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Auto-retrato
Cécile Bonnefond

Divulgação


A francesa Cécile Bonnefond é uma raridade: na indústria de bebidas, feudo persistentemente masculino, preside há sete anos a Veuve Clicquot Ponsardin, que produz o tradicional champanhe. Baseada em Paris e dividindo o tempo entre a vinícola em Reims e os 150 países onde a empresa está presente, Cécile, 51 anos, sem filhos, esteve em São Paulo e falou à repórter Mariliz Pereira Jorge durante um café-da-manhã tardio – onde, sim, bebericou champanhe.

COMO É SER EXECUTIVA EM UMA ÁREA DOMINADA POR HOMENS? É um paradoxo. Para chegar ao topo, é preciso passar por muito mais desafios do que os homens e provar todos os dias que você merece estar naquele cargo. Quando eu assumi, a única mulher que havia chefiado uma empresa nesse mundo do vinho era a própria madame Clicquot. Mas, por outro lado, a minha empresa tem uma essência feminina até no nome.

SER MULHER NESSE MEIO TRAZ ALGUMA VANTAGEM? Não. Na posição que ocupo, somos todos homens.

O ÚLTIMO RANKING ANUAL DAS MAIORES EMPRESAS ELABORADO PELA REVISTA FORTUNE APONTA APENAS VINTE MULHERES NOS CARGOS MAIS ALTOS. O QUE ELAS TÊM EM COMUM? Determinação. Mulheres mais jovens me perguntam como eu cheguei lá. Digo: não foi por acaso. É preciso trabalhar duro e, se possível, escolher o chefe. A pessoa jovem precisa de um bom mentor, que a estimule, dê direção, acredite nela mais do que ela mesma. Assim, as coisas acontecem. Mulheres que querem chegar ao topo também têm de ser apaixonadas pelo que fazem. Não dá para ter tudo, é necessário abrir mão de algumas coisas. Por fim, vão precisar de um pouco de sorte de estar no lugar certo na hora certa.

A SENHORA TEVE SORTE? Muita. Eu trabalhava na indústria alimentícia. Um headhunther escolheu meu nome e a única coisa que tive de fazer foi dizer sim. É o que eu chamo de sorte.

A SENHORA ENTENDIA DE CHAMPANHE QUANDO COMEÇOU NA VEUVE CLICQUOT? Como todo francês, achava que sabia tudo. Obviamente, descobri que não sabia nada e tive de aprender.

A PROPAGANDA DA SUA EMPRESA DIZ "SEJA CHIQUE, SEJA VEUVE CLICQUOT, PONTO FINAL". NA SUA OPINIÃO, O QUE É SER CHIQUE? Sem querer parecer arrogante, acho que a melhor tradução de ser chique é ser francês. Quando alguém bebe champanhe, quer viver um pouco do estilo de vida francês, um misto de tradição e modernidade, atenção aos detalhes, charme, elegância. Eu viajo pelo mundo e vejo pessoas que são inadequadas. Chique é saber ser adequado nas diversas situações.

MULHERES CONSOMEM MAIS CHAMPANHE DO QUE HOMENS? Isso não é verdade. O champanhe é uma bebida que tem público bastante equilibrado, metade homens, metade mulheres.

A SENHORA TOMA CHAMPANHE TODO DIA? Quase todos. A partir de umas 11 horas, estou pronta. Bebo sempre com outras pessoas, claro, porque uma de suas características, até pelo tamanho da garrafa, é ser uma bebida para ser compartilhada.

HÁ UMA OCASIÃO MAIS PROPÍCIA PARA TOMAR CHAMPANHE? Toda hora pode ser especial. Champanhe não é mais somente a bebida do Natal, do Ano-Novo, dos aniversários ou casamentos. O Brasil é hoje o 12º maior mercado da Veuve Clicquot. Há vinte anos, estava fora do mapa do champanhe.

O CLIMA MAIS QUENTE ESTÁ AFETANDO A PRODUÇÃO DA BEBIDA? Nos últimos três anos, começamos a perceber em Champagne alguns acontecimentos relacionados às mudanças dos ciclos da natureza. O inverno está menos frio, a chuva vem e vai de diferentes maneiras, os verões estão muito quentes. A vinícola sofre grande impacto com isso, porque nós não interferimos, deixamos a natureza agir. Temos feito muitas pesquisas para saber como reagir, como nos precaver dos efeitos das mudanças climáticas.

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