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CINEMA
A
Hora do Show (Bamboozled, Estados Unidos, 2000. Desde sexta-feira
em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) A nova incursão
do diretor americano Spike Lee pelo campo dos conflitos raciais traz fartas
doses de sarcasmo. Para desafiar seu chefe, o roteirista negro de televisão
Delacroix bola um programa calhorda: ressuscita os "minstrel shows", espetáculos
populares do século XIX em que atores brancos subiam ao palco com
o rosto pintado e davam vida ao estereótipo do escravo burro, preguiçoso
e bom cantor. No show de Delacroix, os atores são negros pintados
de preto. Para sua surpresa, o programa vira um sucesso. Ninguém
se salva da caçoada de Lee, sejam eles negros que se sujeitam ao
preconceito ou brancos que faturam com a "cultura negra". O título
original significa "macaqueado" e vem de um discurso do ativista Malcolm
X.
LIVRO
A
Terra do Fogo, de Sylvia Iparraguirre (tradução
de Marcos Santarrita; Record, 237 páginas, 30 reais) Ao
sair na Argentina, em 1998, esse romance conquistou uma enxurrada de críticas
positivas e o prêmio de livro do ano. Ele parte da história
real de um índio do Cabo Horn, comprado no século XIX por
um capitão inglês e levado à Europa para tornar-se
um "cavalheiro". Anos mais tarde, ele retorna ao seu povo com a tarefa
de educá-lo à maneira ocidental. O caso termina em tragédia.
A autora compôs boas descrições de Londres e das paisagens
argentinas, além de retratos curiosos de figuras como o naturalista
inglês Charles Darwin. Criou também um narrador mestiço
que elimina todo ranço politicamente correto (ou incorreto) desse
enredo sobre o encontro de culturas. Vigoroso, movimentado e muito bem
escrito, A Terra do Fogo merece os elogios que recebeu.
INFANTIL
Divulgação
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| Os
Rugrats: estripulias em Paris |
Rugrats em Paris Os Anjinhos (Rugrats in Paris, Estados
Unidos, 2000. Estréia nos cinemas nesta sexta) Perto de
Shrek e Atlantis, esse desenho animado é um azarão
na disputa pela garotada em férias. Mas o segundo longa-metragem
da série Os Anjinhos transmitida na TV pelo canal
pago Nickelodeon e pelo SBT oferece diversão de primeira
para as crianças mais novas. Nem a tenebrosa dublagem estraga as
aventuras da levadíssima turma. Numa atrapalhada viagem à
França, uma megera tenta se casar com o pai de Chuckie, órfão
de mãe medroso e carente. É para impedir isso que os anjinhos
fazem suas estripulias.
DISCOS
Show,
Ná Ozzetti (Som Livre) Uma das principais intérpretes
da atual MPB, a paulistana Ná Ozzetti desfia nesse CD pérolas
do cancioneiro nacional. São músicas eternizadas por gente
do quilate de Maysa, João Gilberto e Elis Regina. Com arranjos
criativos, as novas versões não fazem feio na comparação
com as antigas. Mensagem, por exemplo, ganhou ares de tango, graças
ao acordeão de Toninho Ferragutti, enquanto Meu Mundo Caiu
recebeu tratamento acústico. Além dos clássicos,
uma faixa inédita: Show, samba-canção que
rendeu a Ná o prêmio de melhor intérprete no Festival
da Música Brasileira do ano passado.
Sony
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| The
Black Crowes: inspiração retrô |
Lions,
The Black Crowes (Sum Records) O grupo liderado pelos irmãos
Chris e Rich Robinson (vocais e guitarra, respectivamente) é um
estranho no ninho do novo rock americano. Enquanto as bandas atuais investem
na mistura de pauleira com rap e ritmos eletrônicos, os Black Crowes
portam-se como uma típica banda dos anos 70. Eles trajam roupas
amarrotadas e tocam blues pesados, entrecortados por baladas com longos
solos de guitarra. Não à toa, o grupo é um dos prediletos
de Jimmy Page, ex-líder do Led Zeppelin. O passadismo tem dado
bons resultados, como se pode conferir por Lions. Entre as canções
do CD, destaque para Lickin' e Losing My Mind, que estão
entre as melhores já feitas pelos Black Crowes.
VÍDEO
The
Song Remains the Same, Led Zeppelin (Warner) O Led Zeppelin
foi a banda mais importante dos anos 70. Gravou discos antológicos
e, ao vivo, tocava com tanta fúria que suas apresentações
foram comparadas às pilhagens das hordas do bárbaro Gengis
Kahn. Esse filme, lançado em 1976, reproduz trechos de uma grande
temporada de shows realizada pelo grupo três anos antes, no Madison
Square Garden, em Nova York. Às cenas de palco foram acrescentadas
imagens psicodélicas delírios dos quatro roqueiros,
que aparecem como magos ou senhores feudais. Estão aqui alguns
clássicos do Led Zeppelin, como a balada Stairway to Heaven
e a imortal Rock'n'Roll. Quando lançado, o filme foi uma
rara oportunidade para que fãs de países como o Brasil vissem
a banda em ação. Hoje, é um documento precioso para
quem deseja entender a cena roqueira daquela época.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
O
preparador Nuno Cobra, autor de A Semente da Vitória
(Editora Senac, 224 páginas, 25 reais), é
um profissional respeitado. Em quarenta anos de carreira, ele desenvolveu
um método de aperfeiçoamento físico que conquistou
atletas de primeira linha. Cobra defende que o caminho para a sagração
de um vencedor passa não só pelo corpo, mas também
pela mente sadia, e aponta os cuidados fundamentais para se chegar
ao equilíbrio. Seu discurso seduziu uma extensa lista de
"pupilos", como gosta de se referir a seus alunos e ex-alunos, incluindo
a tenista Patrícia Medrado, os pilotos Mika Hakkinen e Rubens
Barrichello e o empresário Abilio Diniz. Para não
falar, é claro, do falecido Ayrton Senna. Com um cartaz desses,
nada mais natural que encontrar seu livro de estréia em sexto
lugar na lista dos mais vendidos de VEJA. Também não
chega a ser surpreendente que, ao passar da prática para
o papel, suas teorias tenham se encaixado tão perfeitamente
na categoria de auto-ajuda.
Flavio Torres
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| O
preparador físico Nuno Cobra: soterrado pelos lugares-comuns |
No livro, as bases científicas de suas idéias são
eclipsadas por uma quantidade cavalar de lugares-comuns. Em um trecho,
ele chega a dizer que "a essência do método Nuno Cobra
é o amor". Há momentos, ainda, de uma pretensão
que nem mesmo um luminar como Sigmund Freud, o pai da psicanálise,
ousou ter. Exemplo? Aí vai: "Ao analisar a maneira como meus
pupilos lidavam com suas alegrias e tristezas, com seus acertos
e erros, com suas vitórias e derrotas, criei uma teoria que
explica o que regula a vida das pessoas". Pois é. Há
que se dar um desconto, porém. Na hora de levantar o astral
de um esportista desanimado, não parece existir nada melhor
do que um treinador pronto para disparar pérolas do otimismo,
como "cada um de nós carrega em si um deus dormente que pede
para ser acordado". Deus dormente... Humm... Será que o Rubinho
captou essa?
Marcelo
Marthe
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