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Edição 1 708 - 11 de julho de 2001
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Salto de obstáculo

Melhores e Maiores revela que
empresas crescem apesar das crises

 
Ricardo Benichio
Civita e Maria Sílvia Bastos Marques, da CSN: eficiência

Está certo que a crise da energia elétrica e os problemas da Argentina andam perturbando o ânimo dos brasileiros. Mas concretamente a economia do país até que vai bem. Na semana passada, quando premiou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) por seu desempenho no ano 2000, o presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, revelou algumas descobertas interessantes feitas pelos consultores que selecionam as 500 melhores e maiores companhias brasileiras para a revista Exame. Elas cresceram, tornaram-se mais produtivas e mais lucrativas. Em média, a cada 100 reais vendidos as empresas lucraram 4 reais. Um salto notável diante do prejuízo de 2 reais em 100 registrado em 1999. "Enfrentar e superar adversidades é o esporte preferido dos empresários nacionais", disse Civita no discurso de abertura da solenidade de entrega dos prêmios.

A escolha da CSN como destaque da 28ª edição de Melhores e Maiores é emblemática. Demonstra os bons resultados das reformas pelas quais o país passou e serve como sinalizador do que ainda precisa ser feito. A CSN era uma estatal-modelo quando nasceu, na década de 40. Mas chegou a perder mais de 2 milhões de dólares por dia em 1990. Sob comando privado desde 1993, tornou-se eficiente. No ano passado, a empresa presidida pela mão forte da executiva Maria Sílvia Bastos Marques bateu recorde de lucro: foram 771 milhões de dólares. A privatização, portanto, produziu dois efeitos positivos: eliminou um sorvedouro de dinheiro público e criou uma companhia saudável, que exporta, emprega, agrega riqueza ao país. No entanto, a siderúrgica e todas as empresas brasileiras poderiam estar se saindo melhor.

Embora se tenha livrado de muitas estatais deficitárias, o governo ainda não consegue manter suas contas em ordem sem onerar exageradamente quem produz. A carga de impostos no país é alta e emperra o crescimento econômico. "Não é possível diminuir a carga tributária enquanto a demanda por gastos públicos não cair", afirmou o ministro da Fazenda, Pedro Malan, em seu discurso na noite da premiação. Em sua exposição, Malan fez uma defesa vigorosa do governo Fernando Henrique Cardoso. Um raro exemplo, aliás, de ministro que dá declarações públicas a favor do governo que integra.

 
Veja também
Da internet
  O brilho do aço
  Reportagem da revista Exame de 11/7/2001 sobre o sucesso da CSN

 

 
 
   
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