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A
maioria já faz essas coisas? Não, não faz, a começar
pela acumulação de gordura corporal. Um em cada três
brasileiros está acima do peso ideal. A cada década, o peso
aumenta cerca de 4%, enquanto a massa muscular reduz-se 5%. O tecido adiposo
é uma reserva essencial e sua proporção correta foi
estabelecida pelos médicos. No caso das mulheres, a média
deve girar em torno de 9% a 20% da massa corporal. No dos homens, de 8%
a 18%. Ao se ultrapassarem esses limites, começam os perigos. Adultos
que estão 15 quilos acima do peso já têm mais riscos
de hipertensão, ataques cardíacos e diabetes do que uma
pessoa que está dentro dos padrões. Estudos mostram que
basta perder 4 quilos e meio e já se reduzem a níveis normais
a pressão sanguínea e o risco de diabetes. O ideal é
começar a se preocupar com o peso na adolescência
isso porque, uma vez infladas, as células adiposas nunca voltam
inteiramente ao normal. Por isso, são maiores os riscos de uma
criança gordinha tornar-se um adulto obeso, ou que vive em regime.
A situação complica-se a partir dos 40 anos, quando diminui
a capacidade de queima calórica. A fórmula mais recomendada
para perder os quilos extras é combinar exercícios com dieta
balanceada. Uma alimentação com excesso de açúcares,
pães e frituras pode causar doenças como hipertensão
e diabetes. Regimes muito pobres em proteínas e fontes de vitaminas,
como frutas e legumes, são causas de problemas como osteoporose
e doenças típicas da falta de imunidade do organismo. Essas
são algumas das poucas certezas da nutrição. Não
há consenso médico sobre a dieta ideal.
Antonio Milena

SAMANTHA
FLOMENBAUM E LUÍS CIOCLER
Desde que se casaram, há cinco anos, adotaram novo estilo de
vida. Abandonaram o fumo, fazem ginástica e dieta. "Quando
estamos felizes, tudo melhora", diz Samantha |
Veja
o capítulo das gorduras. Nos últimos vinte anos, a ordem
foi evitá-las ao máximo, restringindo o consumo de proteínas,
e abusar dos carboidratos. Os argumentos eram que, além de mais
calóricas, as gorduras (principalmente as saturadas) provocavam
o aumento do colesterol, substância que obstrui as artérias
e eleva o risco de infarto. Hoje sabe-se que apenas 15% do colesterol
presente no organismo é proveniente da comida. E também
que as gorduras podem ser ótimas na prevenção de
certas doenças. As do tipo ômega 3, presentes em peixes como
o salmão, não só reduzem a formação
de coágulos nas artérias que causam o infarto como diminuem
o nível de açúcar no sangue, que causa o diabetes.
A maioria dos médicos hoje prescreve a dieta mediterrânea
como a ideal. Ela é composta de frutas, carnes magras, legumes,
grãos e muito azeite de oliva. O otorrino Cassio Antonini, 28 anos,
de São Paulo, vivia doente e estressado. Há dois anos decidiu
tentar uma reeducação alimentar com a ajuda do irmão,
que é nutricionista. Desde então não toma refrigerante,
não come molho de tomate nem pizza. Perdeu 10 quilos no primeiro
mês, as espinhas do rosto desapareceram, a disposição
aumentou e ele dorme melhor.
Claudio Rossi

CASSIO
ANTONINI
Faz dieta, perdeu 13 quilos e vive menos estressado. "Até as
espinhas que tinha no rosto sumiram", conta |
Evitar
o fumo e o álcool é o fator mais determinante para manter
uma boa saúde, mostrou o megaestudo de Boston. Quantidades moderadas
de álcool, algo como dois copos de vinho por semana, trazem benefícios
ao coração e ao sistema circulatório. Mais do que
isso pode ser danoso, principalmente ao fígado e ao cérebro.
O fígado não se recupera sozinho e qualquer lesão
é irreversível. O cérebro tolera muito menos. Um
simples fim de semana de muita bebida extermina alguns neurônios.
Mais de 30 milhões de brasileiros fumam, um vício difícil
de largar. Os médicos de Boston constataram que sete de cada dez
fumantes transformaram-se em velhos muito doentes. O fumo provoca vasoconstrição,
formação de placas de gordura, aumento da freqüência
cardíaca, da pressão arterial e do colesterol. Toda vez
que um fumante acende um cigarro está danificando pelo menos dois
sistemas fundamentais do corpo: o respiratório e o circulatório.
Uma semana de abstinência do cigarro já produz algum benefício
para o sistema cardiovascular. Um ano depois de parar de fumar, o risco
de doenças cardíacas cai pela metade. Após cinco
anos, a probabilidade de um ex-fumante ter um ataque cardíaco fica
bem próxima da que cerca alguém que nunca fumou. Estudo
da American Heart Association mostra que quem pára de fumar entre
35 e 39 anos aumenta a expectativa de vida em cinco anos. No sistema respiratório,
contudo, os danos são quase irreparáveis. Apesar de o pulmão
recuperar a cor natural quando se pára de fumar, isso não
significa que todas as células voltarão a ser saudáveis.
Até quem deixou de fumar há trinta anos corre maior risco
de câncer de pulmão.
Zeca Araújo

FELÍCIA
KIEPLER
Professora, sente-se melhor hoje, aos 54 anos, do que quando tinha
40. Há três anos, faz caminhadas e musculação.
Agora quer mudar os hábitos do resto da família |
"Não
interessa a idade que você tenha, o importante é dar a reviravolta
e mudar de vida", diz o médico João Toniolo, da Universidade
Federal de São Paulo. A paulistana Felícia Kiepler, uma
professora de inglês de 54 anos, mudou os hábitos de vida
há cinco, depois de doar um de seus rins. O corpo de Felícia
modificou-se completamente desde que começou a fazer caminhadas
e musculação cinco vezes por semana e iniciou uma dieta
equilibrada. "Minha forma física está melhor do que quando
tinha 40", diz. Da alimentação, cortou carne vermelha e
evita doces. Recentemente passou a tomar estrógeno para a reposição
hormonal. Sua massa óssea está 22% acima do normal para
a idade que tem. O colesterol baixou de 210 para 174. Pesquisas recentes
mostram que a musculação pode reverter alguns danos causados
pela idade. Em pessoas com mais de 50 anos, restaura a massa óssea
perdida, diminui os riscos de artrite e melhora a resistência à
insulina, comum a pessoas que têm diabetes tipo 2. Outros estudos
apontaram que os maiores beneficiados pela musculação são
as pessoas entre 30 e 40 anos. As mais musculosas queimam mais calorias
naturalmente. Se junto com a musculação forem feitas atividades
aeróbicas de três a cinco vezes por semana, os ganhos são
maiores ainda. Quando o coração bate mais rápido,
o sangue irriga todo o corpo e a pressão abaixa. Com a melhora
do fluxo sanguíneo, o coração precisa fazer menos
esforço para bombear o sangue para os órgãos. Bastam
algumas horas semanais de exercícios para reduzir a quase zero
o risco de desenvolver diabetes. O mais surpreendente é que os
benefícios da atividade física aparecem independentemente
do peso. Estudos comprovam que homens obesos e ativos têm o mesmo
risco de morrer em um período de dez anos do que pessoas magras
e ativas.
O
executivo Karol Sapiro mudou radicalmente de vida depois de um susto pregado
pelo coração, há quinze anos. Tinha 40 anos quando
soube ser portador de uma isquemia que poderia matá-lo de uma hora
para outra. Começou com caminhadas e acabou se tornando maratonista.
Há três anos descobriu que não tinha nada no coração.
"Minha vida melhorou tanto que nem penso em abandonar o esporte e a dieta",
diz. George Vaillant, o chefe da megapesquisa do Brigham and Women's Hospital,
dá outro conselho a quem está preocupado em manter-se jovem
por mais tempo. "Fique calmo", recomenda ele. O stress, que tanto atormenta
o homem moderno, nem sempre é ruim. Trata-se de uma reação
natural de defesa do organismo em situações de tensão.
O problema é não conseguir relaxar quando o perigo passa.
Experimentos demonstram que entre 10% e 15% dos estressados têm
surtos de pânico, 70% sofrem de depressão, 10% podem tornar-se
pessoas ansiosas ou com distimia (a doença do mau humor). Sem falar
nas probabilidades de desenvolver mais úlceras, infartos, doenças
de pele e insônia. As pessoas estão sujeitas ao stress em
qualquer fase da vida. Mas são mais vulneráveis na faixa
dos 30 aos 50 anos, época em que a luta pelo trabalho e pela estabilização
social é maior.
A
medicina não conseguiu achar uma receita padrão para manter
a calma. Muita gente chegou a isso mudando de profissão, adotando
passatempos ou simplesmente mudando de atitude. Márcia de Lucca
passou nove anos como vendedora em empresas de exportação,
em São Paulo. "Comia mal, tinha colesterol alto e crises de tensão
pré-menstrual", diz. Um dia, ela foi fazer um curso de ioga nos
Estados Unidos e voltou mudada. Hoje, Márcia é uma das mais
requisitadas professoras de ioga de São Paulo. Todos os dias medita
e faz sessões de ioga ou caratê e segue uma alimentação
naturalista. "Sem falsa modéstia, meu corpo é melhor do
que o de muita menininha de 20", diz ela, mãe de duas jovens, de
26 e 28 anos. "Tenho certeza de que a boa saúde vem do fato de
ser e não de ter. A filosofia e o estar bem são o que conta."
Com
reportagem de
Bia Barbosa
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