Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 708 - 11 de julho de 2001
Geral Comportamento
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
  Os figurinistas na lista dos bilionários
Pai gay e mãe lésbica
Astros dos rodeios agora têm profissão regular
Fernandinho Beira-Mar não é o número 1
Jim Morrison continua ídolo trinta anos depois da morte
Pesquisador caça genes de tribos isoladas
O ator André Gonçalves arma escândalo no avião
Estudo ensina a envelhecer com saúde
O humor como antídoto de doenças
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Vexame no ar

O ator André Gonçalves tumultua
vôo da Varig e reacende discussão
sobre baderna a bordo

Flávia Varella

 
Fotos André Cypriano/Fotosite
Os comissários tentam controlar André: palavrões, cuspe e pouso forçado com o ator amarrado

Um episódio cada vez mais comum para as companhias aéreas teve um brasileiro como protagonista na semana passada. Bêbado e descontrolado, André Gonçalves, ator de novelas globais e filmes, tumultuou o vôo 8864 da Varig, que ia de São Paulo para Nova York na madrugada da segunda-feira 2 e foi obrigado a fazer escala em Belém com 264 passageiros e quinze tripulantes a bordo. Para desespero dos tripulantes dos jatos comerciais, os incidentes envolvendo passageiros violentos estão aumentando perigosamente. Segundo a Iata, a Associação Internacional de Transporte Aéreo, o número de problemas com passageiros a bordo aumentou cinco vezes entre 1994 e 1997, ano em que ocorreram 5.416 casos. Apenas em junho, a Varig registrou dez ocorrências com passageiros inconvenientes. No mesmo mês do ano passado, foram duas. O ator André Gonçalves aprontou uma confusão digna de novela da TV. Cuspiu e deu tapas nos comissários, descobriu Pelé na primeira classe e tentou beijá-lo na boca, ficou gritando que o avião ia cair a qualquer momento. Acabou amarrado à poltrona, deitado, amordaçado e sedado com uma injeção na veia.

Confusões como essa de André podem representar risco para o vôo, para não falar em prejuízos financeiros. Estima-se que a Varig tenha gasto cerca de 100.000 dólares só para remediar o estrago que o ator provocou. O avião MD-11 em que André deu o vexame teve de jogar no mar 60.000 litros de combustível para poder aterrissar em Belém, onde o rapaz poderia receber atendimento médico. Custo: 16.000 dólares. Por causa do atraso na chegada, a Varig foi obrigada a providenciar novos vôos, hotel, alimentação e transporte para quem perdeu conexões. Se cerca de 25% dos passageiros tinham conexões, estima-se que a empresa tenha gasto cerca de 80.000 dólares para resolver seus problemas. Ainda teve de pagar hora extra aos tripulantes, que tiveram o expediente espichado em quase três horas.


Por causa da segurança e do dinheiro, a preocupação é mundial. A Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte promoveu na sexta-feira passada o segundo dia de ação contra o comportamento violento dos passageiros aéreos. "Queremos que os governos e as empresas adotem uma atitude de intolerância total para com o comportamento agressivo de certos passageiros", explica Pedro Azambuja, presidente da Federação Nacional dos Aeronautas e Aeroviários. A Inglaterra seria um exemplo. Lá, uma lei específica e severa pune com prisão e multa quem perturba o vôo, e as companhias criaram uma lista negra de passageiros indesejáveis. Se André Gonçalves tivesse obrigado um avião inglês a fazer um pouso imprevisto, como fez com o jato da Varig, nunca mais viajaria em companhia aérea britânica.

Segurança é o principal motivo para a campanha. "É comum a pessoa descontrolada querer invadir a cabine de comando. Além disso, toda a tripulação tem funções relativas a segurança e não pode ficar por conta de um único passageiro", diz o comandante Ronaldo Jenkins, coordenador de segurança do sindicato das empresas aéreas. Em março do ano passado, um passageiro de 39 anos da Alaska Airlines tirou a camisa, ameaçou matar todos a bordo, forçou a abertura da porta lateral do avião, atacou o co-piloto na cabine de comando e mexeu nos instrumentos de controle de vôo. O avião fez um rápido mergulho de nariz até voltar a ser controlado. "Estamos preocupados também com a segurança física dos tripulantes e dos passageiros vítimas das agressões", diz Fernando Vieira, presidente da Associação dos Comissários da Varig. Há dois anos, o comissário Leonardo Picini foi mordido ao imobilizar uma passageira em surto psicótico que já tinha jogado um carrinho de comidas contra uma colega sua e quebrado a porta do banheiro.


Depois que uma comissária de bordo inglesa foi golpeada por um passageiro com uma garrafa e recebeu quarenta pontos na cabeça, o CAA, órgão responsável pela aviação civil na Inglaterra, decidiu endurecer com os baderneiros aéreos. Ao pesquisar as causas dos incidentes, descobriu que 64% dos casos são provocados por pessoas alcoolizadas (
veja quadro ao lado). É exatamente o caso de André, que começou a dar trabalho aos comissários pouco depois da decolagem. O ator tomou o vinho que lhe foi oferecido e ainda se serviu de novos copos sem autorização. "Dentro do avião, a absorção do álcool pelo organismo humano é maior e seu efeito, potencializado", afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial, José Luiz Madrigrano. Pior ainda quando o excesso de álcool é combinado a outras substâncias químicas, como no caso de André Gonçalves, que ingerira um remédio para dormir. "A altitude, porém, não justifica todos os casos de descontrole. Contam ainda características de personalidade, o stress do vôo e outras variáveis", diz o médico Madrigrano. André, lamentavelmente, também se encaixa nessa análise.

Aos 25 anos, André Gonçalves é um ator experiente. Começou sua carreira aos 12 anos, quando, ainda favelado, foi descoberto vendendo pipoca na rodoviária por um diretor de teatro em busca de capoeiristas para uma peça. Trabalhou em novelas e minisséries da Globo, fez cinema e teatro, mas é mais conhecido pela invejável lista de namoradas: Carol Machado, Nathalia Lage, Renata Sorrah, Alessandra Negrini, Tereza Seiblitz, com quem tem uma filha, e Miriam Rios, que espera outro rebento seu. Além dessas conquistas amorosas, seu currículo inclui pelo menos duas brigas feias. Quando fazia um personagem homossexual na novela A Próxima Vítima, em 1995, meteu-se numa briga na rua. Alegou que fora vítima de preconceito. No ano passado, posou para fotos com o maxilar quebrado e hematomas no rosto depois de uma briga numa churrascaria em Portugal. Por sua mais recente atuação, desta vez no ar, André Gonçalves acabou transformado em garoto-propaganda da luta dos aeronautas contra os arruaceiros aéreos.


Com reportagem de Silvia Rogar

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS