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Edição 1 708 - 11 de julho de 2001
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Bilionários de
corte e costura

Figurinistas entram para o
seleto clube das pessoas com
mais de 1 bilhão de dólares

O seleto clube dos bilionários tem cinco novos membros vindos do universo da moda. Três desses recém-chegados à lista de 538 afortunados com um patrimônio pessoal de mais de 1 bilhão de dólares, preparada pela revista americana Forbes, são nomes que todo mundo reconhece: Giorgio Armani, Miuccia Prada e Achille Maramotti. O quarto, praticamente desconhecido dos brasileiros, é o espanhol Amancio Ortega, dono da rede de lojas Zara. É o mais rico de todos, com uma fortuna de 6,6 bilhões de dólares, maior que a soma de todo o dinheiro dos outros três. O quinto estreante no clube do bilhão, o italiano Paolo Bulgari, não faz roupa, mas jóias e relógios. Esses cinco somam-se a quinze outros magnatas da moda na lista das pessoas mais ricas do mundo, entre eles Ralph Lauren e Luciano Benetton. Em conjunto, esses vinte bilionários valem mais de 80 bilhões de dólares, quase o PIB de um país de porte médio, como a Noruega.

Os novos bilionários têm em comum a aposta na criatividade e na inovação – e, com certeza, a habilidade para tirar proveito da globalização do glamour. Prada, Armani e MaxMara (a grife de Maramotti) criam produtos e tendências internacionais caríssimos, restritos a consumidores endinheirados. Já Zara, a empresa do espanhol Ortega, capta as tendências da moda, produz e distribui os modelos com espantosa velocidade e preços bem em conta. No ano passado, pela primeira vez, a grife Armani apareceu no relatório da Interbrand, empresa americana que avalia as 75 marcas mais importantes do mundo, ao lado de pesos pesados como Mercedes-Benz, Coca-Cola ou IBM.

A estrela mais surpreendente da nova geração de super-ricos é Amancio Ortega. Ele nasceu pobre (Armani e Maramotti também) e fez sua fortuna no mais improvável dos lugares, a Galícia, uma das regiões menos industrializadas da Espanha. O negócio de Ortega explodiu nos últimos cinco anos, quando a rede de lojas Zara saltou de 179 unidades na Espanha para 450 espalhadas por 29 países, incluindo o Brasil. No mesmo período, sua empresa dobrou o lucro para 2,3 bilhões de dólares. Qual o segredo de tamanho sucesso? "Um sistema de produção e distribuição infalível", diz Pedro Janot, diretor da divisão brasileira da companhia. Enquanto outras redes internacionais, como a americana Gap e a sueca H&M, demoram cinco meses para colocar a última moda na loja, a Zara faz o mesmo em duas semanas. Aos 65 anos, trabalhando desde os 14, Ortega tem horror a aparecer. O homem mais rico da Espanha gaba-se de nunca ter dado uma entrevista na vida.

O milanês Giorgio Armani abriu o próprio negócio em 1975. Até então trabalhava para o figurinista Nino Cerruti e se desfez de um velho Volkswagen para bancar a empreitada. É dono de um império de 247 lojas em 33 países e de uma fortuna pessoal de 1,7 bilhão de dólares. No início deste ano, suas criações foram exibidas com status de obra de arte no Museu Guggenheim, de Nova York. Por trás do criador há um empresário de raro tino comercial. Possui lojas que vendem desde jeans até móveis e objetos de decoração. Seus negócios crescem a uma média de 11% ao ano. O lucro no ano passado foi de 117 milhões de dólares.

O italiano Achille Maramotti adotou uma estratégia diferente. Advogado, ele fundou em 1951 a confecção MaxMara, que fazia casacos e roupas tradicionais de alta qualidade. Nos anos 70, passou a empregar figurões da moda como consultores. Medalhões como Karl Lagerfeld, Moschino e a dupla Dolce & Gabbana já deram palpites em coleções da MaxMara. Maramotti tem um patrimônio pessoal estimado em 2,1 bilhões de dólares, incluídos na conta um castelo do século XV, onde vive com a família, e uma das mais impressionantes coleções de arte renascentista da Itália. Nada mau para o filho de uma costureira do norte da Itália.

Todos esses bilionários souberam diversificar o negócio a partir de uma empresa-mãe. Armani tem sete filhotes, Prada, quatro e Zara, cinco. Mesmo a veneranda joalheira Bulgari – Paolo Bulgari, que herdou o negócio centenário da família, tem uma fortuna pessoal de 1,9 bilhão de dólares – passou a produzir relógios e perfumes. Hoje é a terceira maior joalheria do mundo, atrás apenas da francesa Cartier e da americana Tiffany. Miuccia Prada tinha apenas 28 anos e um doutorado em ciências políticas em 1978 quando assumiu a empresa de artefatos de couro fundada pelo avô, em Milão, no começo do século passado. Seu patrimônio pessoal é estimado em 1,4 bilhão de dólares. Não é à toa que Miuccia foi considerada uma das trinta mulheres mais influentes da Europa pelo Wall Street Journal.

 

GIORGIO ARMANI
1,7 bilhão de dólares
Começou com o capital obtido da
venda de um velho Volkswagen
Suas 247 lojas em 33 países vendem de roupas a móveis

MIUCCIA PRADA
1,4 bilhão de dólares

Herdou do avô uma fábrica de artigos de couro de luxo em Milão
Dona das 188 lojas das grifes Prada e
Miu Miu, possui ações de outras marcas, como Gucci

ACHILLE MARAMOTTI
2,1 bilhões de dólares
Filho de uma costureira do norte da Itália, o dono da MaxMara montou seu império a partir de uma pequena confecção de casacos e ternos
Tem 400 lojas em noventa países

AMANCIO ORTEGA
6,6 bilhões de dólares
Aos 14 anos era contínuo numa loja de confecções em La Coruña, na Espanha
Criou a marca Zara, um império de fábricas de roupas e sapatos, com 450 lojas em 29 países

 

   
 
   
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