
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
Bilionários
de
corte e costura
Figurinistas
entram para o
seleto clube das pessoas com
mais de 1 bilhão de dólares
O seleto clube dos bilionários tem cinco novos membros vindos do
universo da moda. Três desses recém-chegados à lista
de 538 afortunados com um patrimônio pessoal de mais de 1 bilhão
de dólares, preparada pela revista americana Forbes, são
nomes que todo mundo reconhece: Giorgio Armani, Miuccia Prada e Achille
Maramotti. O quarto, praticamente desconhecido dos brasileiros, é
o espanhol Amancio Ortega, dono da rede de lojas Zara. É o mais
rico de todos, com uma fortuna de 6,6 bilhões de dólares,
maior que a soma de todo o dinheiro dos outros três. O quinto estreante
no clube do bilhão, o italiano Paolo Bulgari, não faz roupa,
mas jóias e relógios. Esses cinco somam-se a quinze outros
magnatas da moda na lista das pessoas mais ricas do mundo, entre eles
Ralph Lauren e Luciano Benetton. Em conjunto, esses vinte bilionários
valem mais de 80 bilhões de dólares, quase o PIB de um país
de porte médio, como a Noruega.
Os novos bilionários têm em comum a aposta na criatividade
e na inovação e, com certeza, a habilidade para tirar
proveito da globalização do glamour. Prada, Armani e MaxMara
(a grife de Maramotti) criam produtos e tendências internacionais
caríssimos, restritos a consumidores endinheirados. Já Zara,
a empresa do espanhol Ortega, capta as tendências da moda, produz
e distribui os modelos com espantosa velocidade e preços bem em
conta. No ano passado, pela primeira vez, a grife Armani apareceu no relatório
da Interbrand, empresa americana que avalia as 75 marcas mais importantes
do mundo, ao lado de pesos pesados como Mercedes-Benz, Coca-Cola ou IBM.
A estrela mais surpreendente da nova geração de super-ricos
é Amancio Ortega. Ele nasceu pobre (Armani e Maramotti também)
e fez sua fortuna no mais improvável dos lugares, a Galícia,
uma das regiões menos industrializadas da Espanha. O negócio
de Ortega explodiu nos últimos cinco anos, quando a rede de lojas
Zara saltou de 179 unidades na Espanha para 450 espalhadas por 29 países,
incluindo o Brasil. No mesmo período, sua empresa dobrou o lucro
para 2,3 bilhões de dólares. Qual o segredo de tamanho sucesso?
"Um sistema de produção e distribuição infalível",
diz Pedro Janot, diretor da divisão brasileira da companhia. Enquanto
outras redes internacionais, como a americana Gap e a sueca H&M, demoram
cinco meses para colocar a última moda na loja, a Zara faz o mesmo
em duas semanas. Aos 65 anos, trabalhando desde os 14, Ortega tem horror
a aparecer. O homem mais rico da Espanha gaba-se de nunca ter dado uma
entrevista na vida.
O milanês Giorgio Armani abriu o próprio negócio em
1975. Até então trabalhava para o figurinista Nino Cerruti
e se desfez de um velho Volkswagen para bancar a empreitada. É
dono de um império de 247 lojas em 33 países e de uma fortuna
pessoal de 1,7 bilhão de dólares. No início deste
ano, suas criações foram exibidas com status de obra de
arte no Museu Guggenheim, de Nova York. Por trás do criador há
um empresário de raro tino comercial. Possui lojas que vendem desde
jeans até móveis e objetos de decoração. Seus
negócios crescem a uma média de 11% ao ano. O lucro no ano
passado foi de 117 milhões de dólares.
O italiano Achille Maramotti adotou uma estratégia diferente. Advogado,
ele fundou em 1951 a confecção MaxMara, que fazia casacos
e roupas tradicionais de alta qualidade. Nos anos 70, passou a empregar
figurões da moda como consultores. Medalhões como Karl Lagerfeld,
Moschino e a dupla Dolce & Gabbana já deram palpites em coleções
da MaxMara. Maramotti tem um patrimônio pessoal estimado em 2,1
bilhões de dólares, incluídos na conta um castelo
do século XV, onde vive com a família, e uma das mais impressionantes
coleções de arte renascentista da Itália. Nada mau
para o filho de uma costureira do norte da Itália.
Todos esses bilionários souberam diversificar o negócio
a partir de uma empresa-mãe. Armani tem sete filhotes, Prada, quatro
e Zara, cinco. Mesmo a veneranda joalheira Bulgari Paolo Bulgari, que
herdou o negócio centenário da família, tem uma fortuna
pessoal de 1,9 bilhão de dólares passou a produzir relógios
e perfumes. Hoje é a terceira maior joalheria do mundo, atrás
apenas da francesa Cartier e da americana Tiffany. Miuccia Prada tinha
apenas 28 anos e um doutorado em ciências políticas em 1978
quando assumiu a empresa de artefatos de couro fundada pelo avô,
em Milão, no começo do século passado. Seu patrimônio
pessoal é estimado em 1,4 bilhão de dólares. Não
é à toa que Miuccia foi considerada uma das trinta mulheres
mais influentes da Europa pelo Wall Street Journal.
|
GIORGIO
ARMANI
1,7 bilhão de dólares
Começou com o capital obtido da venda
de um velho Volkswagen
Suas 247 lojas em 33
países vendem de roupas a móveis
MIUCCIA
PRADA
1,4 bilhão de dólares
Herdou do avô uma fábrica de artigos de couro de luxo
em Milão
Dona das 188 lojas das grifes Prada e Miu
Miu, possui ações de outras marcas, como Gucci
ACHILLE
MARAMOTTI
2,1
bilhões de dólares
Filho de uma costureira do norte da Itália, o dono da MaxMara
montou seu império a partir de uma pequena confecção
de casacos e ternos
Tem 400 lojas em noventa países
AMANCIO
ORTEGA
6,6
bilhões de dólares
Aos 14 anos era contínuo numa loja de confecções
em La Coruña, na Espanha
Criou a marca Zara, um
império de fábricas de
roupas e sapatos, com 450 lojas em 29 países
|
|
|
 |
|
 |

|
 |