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Por computador
Roriz
é acusado de fazer
mutreta
por e-mails
O
Ministério Público em Brasília vai denunciar o governador
do Distrito Federal, Joaquim Roriz, depois de pilhá-lo numa mutreta
por computador. Recolhendo cópia de mensagens trocadas por
e-mail, os procuradores descobriram que o governador assinou um perdão
de dívida fiscal feito sob medida para o cliente. A empresa beneficiada,
Martins Comércio e Serviço, a maior atacadista da América
Latina, com 4.000 funcionários, devia 6 milhões de reais ao
governo de Brasília. Pediu um parcelamento, mas levou muito mais.
Desconsiderando pareceres contrários à operação,
o governador perdoou integralmente a dívida de 6 milhões,
brindou a empresa com novo contrato e assinou o perdão com data retroativa.
As mensagens eletrônicas mostram que tudo foi feito do jeitinho
que a empresa queria. O texto do contrato, seus termos e até a
data em que Roriz teria de assinar o documento foram ditados por diretores
da Martins Comércio e Serviço, que passaram as orientações
por e-mail à Secretaria da Fazenda. O perdão da dívida
foi assinado com data de 28 de junho de 1999, embora a papelada só
tenha ficado pronta dois meses depois. O Ministério Público
vai denunciar o governador por improbidade administrativa (por dar um
perdão fiscal abusivo) e falsidade ideológica (por assinar
documento com data falsa). Só falta descobrir por que o governador
resolveu, sem mais nem menos, ser tão generoso com a empresa.
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