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Edição 1 708 - 11 de julho de 2001
Brasil Sudene

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Agora, complicou

Auditoria descobre que empresa
de
ex-ministro usou nota falsa

Alexandre Oltramari

 
Ana Araujo
O ex-ministro e senador Fernando Bezerra: sócio majoritário

Desde que deixou o Ministério da Integração Nacional, há dois meses, o senador Fernando Bezerra tenta convencer a opinião pública de que são infundadas as suspeitas de que teria desviado dinheiro público da extinta Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Em maio passado, VEJA mostrou que, entre 1989 e 1998, quando Bezerra era dono da Metasa, a Sudene o brindou com 3,9 milhões de reais para montar uma indústria de ferro. Passados doze anos, no entanto, a empresa ainda não funciona. A suspeita fez Bezerra virar ex-ministro. Agora, apareceu um fato. Uma nota fiscal fria apresentada pela Metasa à Sudene revela que a empresa de Bezerra desviou dinheiro do órgão – e que o senador mentiu no plenário do Senado ao dizer que todos os recursos que recebeu do governo foram corretamente aplicados na companhia.

É a nota fiscal número 000185, de 28 de agosto de 1997, emitida pela empresa Usimec – Serviços Mecânicos e Comércio Ltda., de Parnamirim, na região metropolitana de Natal, no valor de 559.686 reais. A nota aparece na prestação de contas que a empresa do senador fez à Sudene para justificar a aplicação dos recursos. Na semana passada, os auditores do governo, depois de consultar a Secretaria de Finanças do Rio Grande do Norte, para verificar a autenticidade da nota, receberam a resposta: a Usimec não registrou a venda de 559.686 reais à Metasa em sua contabilidade, e a Metasa também não a registrou em seus livros contábeis. Pior: em 1997, a empresa do senador declarou ter comprado mercadorias no valor de apenas 379 reais. Ou seja: a operação entre a Metasa e a Usimec nunca existiu.

Fernando Bezerra, atualmente licenciado da presidência da Confederação Nacional da Indústria, diz que, embora fosse sócio majoritário da Metasa em 1997, já não a administrava. Seu ex-sócio na Metasa, Marcelo Porto, diz que a nota é autêntica, está registrada nos livros contábeis da Metasa e que os equipamentos comprados fazem parte do parque industrial da empresa. O curioso é que nada disso foi confirmado pela auditoria. E a Usimec fez tanta emissão de nota fria para financiados da Sudene que até perdeu a licença para funcionar no Rio Grande do Norte e hoje nem existe mais.

 
 
   
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