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Agora,
complicou
Auditoria descobre que empresa
de ex-ministro
usou nota falsa
Alexandre
Oltramari
Ana Araujo
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| O
ex-ministro e senador Fernando Bezerra: sócio majoritário |
Desde
que deixou o Ministério da Integração Nacional, há
dois meses, o senador Fernando Bezerra tenta convencer a opinião
pública de que são infundadas as suspeitas de que teria
desviado dinheiro público da extinta Superintendência do
Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Em maio passado, VEJA mostrou que,
entre 1989 e 1998, quando Bezerra era dono da Metasa, a Sudene o brindou
com 3,9 milhões de reais para montar uma indústria de ferro.
Passados doze anos, no entanto, a empresa ainda não funciona. A
suspeita fez Bezerra virar ex-ministro. Agora, apareceu um fato. Uma nota
fiscal fria apresentada pela Metasa à Sudene revela que a empresa
de Bezerra desviou dinheiro do órgão e que o senador
mentiu no plenário do Senado ao dizer que todos os recursos que
recebeu do governo foram corretamente aplicados na companhia.
É
a nota fiscal número 000185, de 28 de agosto de 1997, emitida pela
empresa Usimec Serviços Mecânicos e Comércio Ltda.,
de Parnamirim, na região metropolitana de Natal, no valor de 559.686
reais. A nota aparece na prestação de contas que a empresa
do senador fez à Sudene para justificar a aplicação
dos recursos. Na semana passada, os auditores do governo, depois de consultar
a Secretaria de Finanças do Rio Grande do Norte, para verificar
a autenticidade da nota, receberam a resposta: a Usimec não registrou
a venda de 559.686 reais à Metasa em sua contabilidade, e a Metasa
também não a registrou em seus livros contábeis.
Pior: em 1997, a empresa do senador declarou ter comprado mercadorias
no valor de apenas 379 reais. Ou seja: a operação entre
a Metasa e a Usimec nunca existiu.
Fernando Bezerra, atualmente licenciado da presidência da Confederação
Nacional da Indústria, diz que, embora fosse sócio majoritário
da Metasa em 1997, já não a administrava. Seu ex-sócio
na Metasa, Marcelo Porto, diz que a nota é autêntica, está
registrada nos livros contábeis da Metasa e que os equipamentos
comprados fazem parte do parque industrial da empresa. O curioso é
que nada disso foi confirmado pela auditoria. E a Usimec fez tanta emissão
de nota fria para financiados da Sudene que até perdeu a licença
para funcionar no Rio Grande do Norte e hoje nem existe mais.
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