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Inferno
capixaba
Denúncias de corrupção obrigam
governador do
Espírito Santo a
demitir a primeira-dama
Lucila
Soares
Nestor Müller
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| José
Ignacio e Maria Helena Ferreira: crise política dentro de casa |
O
governador do Espírito Santo, José Ignacio Ferreira, elegeu-se
pelo PSDB em 1998 e ganhou projeção nacional logo após
sua posse como arauto da austeridade. Tinha pela frente o desafio de reerguer
um Estado demolido financeiramente ao longo dos oito anos anteriores,
nos governos do pedetista Albuíno Azeredo e do petista Vitor Buaiz
hoje no PSDB. E os sinais que vinham do Palácio Anchieta
eram de que o governador assumira realmente decidido a sanear o Estado.
Em menos de dois meses, reduziu os salários do funcionalismo e
dispensou 21.000 servidores. No início deste ano, denúncias
de corrupção e tráfico de influência começaram
a trincar essa imagem de seriedade. Na semana passada, o governo capixaba
afundou numa crise sem precedentes. Pressionado por uma CPI na Assembléia
Legislativa e uma investigação no Ministério Público,
Ferreira demitiu cinco secretários entre eles sua própria
mulher, Maria Helena Ferreira, que ocupava a Secretaria de Ação
Social e o procurador-geral do Estado, Antônio Carlos Pimentel.
Antes, já havia exonerado o irmão de Maria Helena, Gentil
Ruy, seu secretário de Governo, também por acusações
de corrupção.
Nada disso aplacou os ânimos. A oposição já
fala em impeachment e aliados admitem a formação de um "secretariado
de notáveis" para tentar contornar a situação. Não
vai ser fácil. A primeira-dama é acusada de receber 50.000
reais da distribuidora T.A. Oil em troca da concessão de vantagens
tributárias, mas o caso está longe de ser isolado. O prefeito
de Cachoeiro do Itapemirim, Theodorico Ferraço, foi um dos que
encabeçaram denúncias contra o governo estadual. Em abril,
entregou à procuradoria sete fitas gravadas pelo empresário
mineiro Nilton Monteiro, que revelam um suposto esquema de "pedágios"
para operações com ICMS. Outra frente veio da Xerox do Brasil,
que decidiu fechar uma fábrica no Estado. A justificativa do presidente
da empresa, Guilherme Bettencourt, em carta ao governador, foi curta e
grossa. A empresa recebera oferta de "intermediação onerosa"
em bom português, propina para liberar financiamentos
retidos e sustar a cobrança de impostos já pagos.
Edson Chagas
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| Protesto
em frente à Assembléia: CPI da propina em ação |
No
caso, a propina se destinaria a facilitar a liberação de
recursos do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias
(Fundap), que beneficia empresas importadoras e é um eficiente
instrumento de incentivo da economia capixaba uma das que mais
crescem em todo o país. Criado na década de 70, o Fundap
devolve aos importadores que operam no Espírito Santo, a título
de empréstimo em condições bastante vantajosas, dois
terços do ICMS recolhido. Só no ano passado, foram liberados
421 milhões de reais para cerca de 300 empresas. "Esse tipo de
corrupção é resultado de um processo de deterioração
ética no relacionamento entre interesses privados e públicos",
diz o prefeito de Vitória, Luiz Paulo Velloso Lucas, que também
é do PSDB, mas faz oposição aberta ao governador.
O prefeito diz não ter a menor idéia do desfecho da crise
administrativa do governo capixaba. Mas já antevê uma crise
política que será uma pedra no sapato da direção
nacional do tucanato. Reeleito no ano passado com 80% dos votos e uma
das estrelas da nova geração de seu partido, Velloso Lucas
avisa que, no ano que vem, apoiará para o governo estadual o senador
Paulo Hartung, que perdeu a convenção do PSDB para José
Ignacio Ferreira e mudou-se de armas e bagagens para o PPS. "O partido
atuou contra a renovação e a favor do que há de pior
no Espírito Santo. Desse jeito, estou fora", avisa o prefeito.
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