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Edição 1 708 - 11 de julho de 2001
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O circunstancial
e o permanente

 
AFP
De la Rúa: um motivo a mais para intranqüilidade

Nos últimos meses, o Brasil não tem dado motivos para muitas alegrias. De um lado, denúncias de corrupção atingem em cheio políticos nos mais altos cargos da República. De outro, uma série de fatores trava o crescimento do país. Há a crise da Argentina, que já deixou de ser simplesmente econômica para se transformar numa questão institucional. Está aí a ameaça de apagão. Assiste-se ainda à subida vertiginosa do dólar, provocada por um clima de nervosismo poucas vezes visto no mercado financeiro nacional. Desde janeiro, observa-se a maior desvalorização do real em dois anos. Na semana passada, esses fatores todos somados entraram em processo de recrudescimento, uns realimentando os outros, tendo ao fundo mais um elemento de intranqüilidade no terreno político: as candidaturas de oposição à Presidência da República estão sendo brindadas com a grande maioria da intenção de voto dos brasileiros em 2002.

É provável que esses fatores mantenham o Brasil com os nervos à flor da pele por muito tempo ainda. Não terá sido a primeira vez que isso acontece. Nesses momentos, as pessoas tendem a perder a perspectiva e a tomar o circunstancial pelo permanente. O Brasil está mergulhado numa crise, e das grandes, mas por baixo dessa crise há um país em transformação e muita coisa positiva em marcha. O brasileiro aprendeu a ser mais empreendedor do que nunca. Jamais uma parcela tão grande de crianças e adolescentes esteve na escola. O atendimento à saúde, ainda precário, está progredindo. Boa parcela do Brasil cartorial, fechado e estatizado foi demolida na última década. A privatização da telefonia, promovida há apenas três anos, entregou mais telefones aos brasileiros do que o modelo estatal conseguiu fornecer em trinta anos. Tudo isso num ambiente de inflação baixa e sob controle, que completou sete anos na semana passada. Os brasileiros têm toda a razão de andar preocupados com os rumos do país. Mas, em momentos como o atual, é aconselhável não perder de vista a perspectiva geral de tudo o que está acontecendo. Sob pena de não enxergar o essencial. Veja reportagem.

 
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