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Edição 2064

11 de junho de 2008
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DVDs

Madame Bovary (França, 1991. Versátil) – O diretor Claude Chabrol escalou sua atriz favorita, Isabelle Huppert, para dar sua versão do clássico romance de Gustave Flaubert – sobre Emma Bovary, que, casada com um pacato e desinteressante médico do interior, trai o marido em busca de paixão e de um sentido para uma existência confinada aos mais sufocantes padrões pequeno-burgueses. Como sempre em se tratando de Chabrol, o cinismo é que dá o tom a essa adaptação do livro que causou escândalo no século XIX, muito embora se trate de um conto moral. E, como sempre é o caso com Isabelle Huppert, a agudeza e a inteligência é que norteiam sua interpretação da trágica personagem, fadada a nunca ter o que deseja.

Duke: The Last Jam Session, Duke Ellington (ST2) – Esse DVD duplo traz dois momentos importantes da carreira de Duke Ellington (1899-1974), um dos mestres do jazz americano. O primeiro é uma apresentação realizada em 1967, no sul da França, em que ele divide os holofotes com a cantora Ella Fitzgerald, com versões divinas para standards como Satin Doll e Jazz Samba (a popular Só Danço Samba, de Tom Jobim). O pintor espanhol Joan Miró faz uma ponta, passeando ao lado do maestro. O segundo DVD é ainda mais precioso. Gravado em 1973, é uma das últimas aparições de Ellington, ao lado de uma banda minúscula mas bem azeitada, formada pelo baixista Ray Brown, pelo guitarrista Joe Pass e pelo baterista Louis Bellson.

 

LIVROS

Amor em Terra de Chamas, de Jean Sasson (tradução de Débora Guimarães Isidoro; Best Seller; 364 páginas; 34,90 reais) – A americana Jean Sasson, que já viveu na Arábia Saudita e conhece bem o Oriente Médio, tem se dedicado a retratar a difícil condição feminina na região. Seu livro anterior, Mayada – Filha do Iraque, examinava o terror dos tempos de Saddam Hussein com base na trajetória de uma mulher presa pelo regime. O novo livro tem seu foco no drama dos curdos iraquianos. Jean conta a história de Joanna, uma mulher que aos 15 anos se apaixonou por um guerrilheiro curdo – e sobreviveu até a um ataque com armas químicas do exército de Saddam. Leia trecho.

 

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Eça: defesa
da palmatória

Os Brasileiros, de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão (Língua Geral; 216 páginas; 37 reais) – O português Eça de Queiroz (1845-1900) era um consumado ironista. Essa característica avulta dessa seleção de textos sobre o Brasil (onde o autor nunca esteve), alguns deles escritos com o jornalista Ramalho Ortigão, seu parceiro na publicação mensal As Farpas. O autor de Os Maias tinha um olhar crítico para as precariedades do país. O descaso brasileiro com a educação é denunciado em uma crônica que comenta a verba que o governo destinou à compra de crucifixos para as salas de aula – verba que seria mais bem aplicada, dizem Eça e Ortigão, na compra de palmatórias. Leia trecho.

 

DISCOS

Third, Portishead (Universal) – Em 1994, o grupo formado por Geoff Barrow (teclado), Adrian Utley (guitarra) e Beth Gibbons (vocais) mudou a cara da música pop inglesa ao lançar Dummy. O álbum trazia samples e batidas de hip hop tocados numa rotação mais lenta – estilo que foi batizado de trip hop. Três anos e dois discos depois, o Portishead entrou em férias, que foram interrompidas somente agora com o lançamento de Third e uma turnê mundial. Os climas soturnos dão o tom do CD, bem como a voz desesperada de Beth. O Portishead, no entanto, é uma banda de sonoridade única – seus imitadores, que foram muitos, jamais chegaram ao nível de excelência do trio. Silence e We Carry On são os destaques do CD.

 

Divulgação


Elvis Costello: de volta
à sua praia, o pop

Momofuku, Elvis Costello (Universal) – Nos últimos anos, o cantor e compositor inglês lançou discos de jazz, uniu-se ao maestro americano Burt Bacharach e à meio-soprano sueca Anne Sofie von Otter e criou óperas e balés. Sua seara, contudo, é mesmo a do pop rock. Prova disso é Momofuku (o nome homenageia Momofuku Ando, criador dos noodles). Costello compôs e gravou o disco em uma semana, ao lado de seus colaboradores habituais – o tecladista Stevie Nieve e o baterista Peter Thomas – e dos jovens cantores Jonathan Rice e Jennifer Lewis. As doze canções de Momofuku se alternam entre baladas, rocks e música country – caso da bela Song for Rose. As letras, como sempre, são inspiradas.

 



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