Eisenhower é recebido com
chuva de papel picado
no Rio de Janeiro em 1960
Sempre
que se aproxima a troca de presidente nos Estados Unidos, os
analistas põem-se a especular se determinado candidato
será melhor ou pior para o Brasil. Não foi diferente
na semana passada, com a definição do senador
negro Barack Obama como o opositor democrata do senador John
McCain, do Partido Republicano, nas eleições presidenciais
de novembro próximo. Com um pouco de distanciamento cínico,
pode-se afirmar que, seja quem for o escolhido, ele será
melhor para os americanos, para os brasileiros e para todos
os cidadãos do mundo do que vem sendo George W. Bush.
Mas não é esse o caso. Aqui se trata de imaginar
que impacto para os interesses regionais e globais do Brasil
terá a presença de Obama ou de McCain na Casa
Branca a partir de 2009.
A boa notícia
é que, desta vez, essa questão se coloca de maneira
bem menos aguda do que em sucessões americanas passadas.
Não importa o nome do próximo presidente dos Estados
Unidos, o Brasil continuará tendo de avançar por
seus próprios méritos e pelos acertos das pessoas,
dos empresários e dos governos. Uma reportagem desta
edição de VEJA, ao mesmo tempo que faz uma radiografia
do fenômeno Obama, analisa as posições relativas
entre os dois países. A conclusão é que
a globalização criou uma interdependência
econômica tal que quebrou os padrões materiais,
culturais e mentais que, por gerações, nos obrigaram
a ver nossas relações com os Estados Unidos em
preto-e-branco. As cabeças pensantes se dividiam entre
quem via os americanos como a salvação e quem
divisava neles apenas predadores coloniais. Quando o então
presidente Dwight "Ike" Eisenhower visitou o Brasil
em 1960, foi recepcionado com uma chuva de papel picado ao desfilar
em carro aberto pelas avenidas do Rio de Janeiro. A comitiva
passou antes por muros pichados com "Ike, go home".
Hoje, felizmente, com Obama ou com McCain, os tempos da dependência
real e imaginária dos humores de Washington viraram coisa
do passado.