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VEJA
Recomenda
EXPOSIÇÃO
Divulgação
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Vento e na Terra: exemplo da
pintura sombria de Iberê Camargo |
Iberê Camargo (a partir de domingo, dia 15, em São
Paulo) Morto em 1994, aos 79 anos, o artista gaúcho
Iberê Camargo é considerado um dos mais importantes
pintores brasileiros. A mostra que abre nesta semana na Pinacoteca
do Estado e que deve chegar ao Rio de Janeiro em agosto
é a maior retrospectiva da obra de Iberê. Reúne
120 telas, desenhos e gravuras que cobrem suas diversas fases. Estarão
expostos alguns dos famosos carretéis, série de quadros
que marcam seu período expressionista abstrato, tendência
da qual foi o maior representante na arte brasileira. Também
se poderão ver obras da série dos ciclistas, que nos
anos 80 marcou sua volta radical ao figurativismo de início
de carreira. No fim da vida, a pintura de Iberê foi se tornando
cada vez mais sombria como se verifica na dramática
tela No Vento e na Terra (1991).
LIVRO
A
Selva do Amor (tradução de Roberto Muggiati
e outros; Record; 376 páginas; 45 reais) "Já
fazia uma hora que ele esperava. Seu coração saltava
no peito e às vezes era como se tivesse esquecido de respirar".
As 22 histórias reunidas nessa antologia estão cheias
de passagens como essa do conto Uma Despedida, do
austríaco Arthur Schnitzler. O tema do livro é o amor,
mas não há uma gota de pieguice. De um episódio
extraído do Decamerão, obra escrita no século
XIV pelo italiano Boccaccio, a um conto da inglesa Virginia Woolf
datado dos anos 40, só se encontram pérolas literárias.
O anglo-polonês Joseph Conrad comparece com A Laguna, texto
que tem um certo acento sinistro. E o americano Edgar Allan Poe,
um mestre do terror, se arrisca numa área que não
era bem a sua no surpreendente Os Óculos. Leia
trechos do livro.
DISCOS
Bare,
Annie Lennox (BMG Brasil) Em seu primeiro trabalho de músicas
inéditas em onze anos, a cantora escocesa fez praticamente
tudo sozinha. Ela é a autora de todas as melodias e letras
do disco, em que fala de suas relações amorosas. Annie
também tocou teclados e cuidou da concepção
da capa. O disco prova que a cantora, que despontou na década
de 80 à frente do duo Eurythmics, possui outros talentos
além da voz calorosa. Bare é recheado de baladas
lindíssimas, ainda que a maioria delas não tenha um
desfecho feliz como Hurting
Time e Wonderful. Alguns discos vêm
acompanhados de um DVD com clipes e uma entrevista de Lennox.
Hail
to the Thief, Radiohead (EMI) Kid A e Amnesiac,
os dois últimos discos de estúdio do Radiohead, não
são o que se pode chamar de trabalhos de fácil audição.
Por isso o quinteto inglês resolveu sair de sua cidade natal,
a cinzenta Oxford, e rumar para Los Angeles: sua crença era
que o sol da Califórnia ajudaria a alegrá-los e a
tornar Hail to the Thief uma obra deglutível para
o grande público. Mas não dá para cancelar
a alma. Thom Yorke, guitarrista, vocalista e principal compositor
da banda, inspirou-se nos escritos do japonês Haruki Murakami
e nas obras do músico contemporâneo Krzysztof Penderecki
para compor outro punhado de canções impenetráveis
ainda que criativas e repletas de climas de guitarras, como
em 2 + 2 = 5 e Go to Sleep, que não fariam
feio diante da produção da melhor fase do Pink Floyd.
DVDs
Terra
do Sol (Sunshine State, Estados Unidos, 2002. Columbia)
Abismos insuperáveis entre classes sociais,
ou gerações, ou etnias são o grande
tema do americano John Sayles. O singular para um cineasta com esse
perfil é que Sayles detesta a grandiloqüência.
Ao contrário, ele transforma esses conflitos em problemas
que afetam seus personagens no que eles têm de mais íntimo.
Aqui, duas comunidades vizinhas no litoral da Flórida, uma
de brancos aposentados, a outra de negros prósperos, enfrentam
à sua moda a especulação imobiliária.
É um filme sobre uma América desfigurada pelas corporações
e, ao mesmo tempo, sobre pequenos dramas como o da dona de
um motel (Edie Falco, a senhora Soprano, excelente) que detesta
o que faz e não sabe onde foram parar os seus sonhos e prazeres
da juventude.
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| Animatrix:
animações brilhantes |
Animatrix (Estados Unidos, 2003. Warner) As novas
historietas contidas nesse disco exploram não só idéias
e enredos relacionados ao universo da série Matrix,
mas também os estilos diversos de algumas feras do anime
os desenhos animados adultos japoneses. Alguns dos roteiros
batem fácil, em qualidade e imaginação, o de
Matrix Reloaded. É o caso de Além, sobre
uma casa assombrada que é na verdade um erro de programação
no mundo virtual da Matrix, e de O Segundo Renascer, em que
o diretor Mahiro Maeda ilustra o início do conflito entre
homens e máquinas com cenas nitidamente inspiradas em alguns
dos pontos baixos do século XX, como a II Guerra Mundial.
Além disso, todos os curtas-metragens são de um brilhantismo
técnico de tirar o fôlego. Acesse
o especial Matrix Reloaded.
CINEMA
Uma
Receita para a Máfia (Dinner Rush, Estados
Unidos, 2001. Estréia nesta sexta-feira no país)
Filmes que tratam do ato de cozinhar formam um subgênero normalmente
dedicado a exaltar o poder conciliador da comida. Não é
o caso dessa comédia dramática de Bob Giraldi, mais
conhecido por ter assinado o clipe de Beat It, de Michael
Jackson. O que está em questão aqui é a combinação
de vaidade, testosterona e competitividade que move os restaurantes
da moda em Manhattan. Giraldi filma seus personagens o dono
do restaurante, o chef que é uma estrela em ascensão,
os críticos de gastronomia, os freqüentadores que querem
ver e ser vistos com tanto dinamismo e vigor que, no fim,
é quase impossível lembrar que toda a ação
se passou apenas numa cozinha e um salão.
Roma
(Itália, 1972. Desde sexta-feira em cartaz em São
Paulo) Federico Fellini às voltas com suas reminiscências
sobre a capital italiana: assim pode ser definido esse filme, que,
mais do que contar uma história, evoca impressões.
Da visita do jovem Fellini (Peter Gonzales) a um bordel ao hilariante
desfile de moda para eclesiásticos, algumas das passagens
do filme são inesquecíveis. Outras ainda são
exemplos magníficos de um dos grandes talentos de Fellini,
o de despertar no espectador a sensação de que o tempo
escoa por entre os dedos dos homens. É o caso da seqüência
sublime em que uma escavação do metrô revela
uma câmara repleta de afrescos que, ao entrar em contato com
a luz e o ar fresco pela primeira vez em séculos, começam
a se apagar naquele mesmo momento, diante das lentes.
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