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BELEZA
O triunfo da vaidade masculina
Você
acha que homem que é homem
não passa creminho? Está
na hora,
meu amigo, de
rever seus conceitos

Anna
Paula Buchalla
J. Miranda
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| Zirh,
La Prairie e Nivea: xampu, loção pós-barba e gel de limpeza
facial. Alguns dos novos produtos para homens passam dos 100
dólares |
Homem que é homem usa hidratante para as mãos (e para
o corpo, e para os pés), creme anti-rugas e, de vez em quando,
até faz limpeza de pele. Plástica para tirar o papo
ou dar uma esticada no rosto? Não é impossível
que ele faça um dia, caso seja realmente necessário.
Pois é, meu amigo, parafraseando aquele comercial de televisão,
está na hora de você rever seus conceitos. Uma pesquisa
feita pela empresa de consultoria 2B Brasil Research, com 400 homens,
mostra que vai longe o tempo em que desleixo era sinônimo
de masculinidade. Eles estão, sim, mais vaidosos. Deixaram
de contentar-se com dar uma roubadinha no creme da mulher ou da
namorada. Querem um lugar na pia do banheiro para seus próprios
frascos, potes e bisnagas. Alguns homens, diz a pesquisa, chegam
a gastar até 15% de seu salário com tratamentos de
beleza.
A
prova de que vaidade masculina se tornou muito mais do que um assunto
para preencher páginas de revistas é que gigantes
da indústria de cosméticos lançaram recentemente
linhas inteiras só para eles. A alemã Nivea colocou
no mercado cinco novos produtos para homens. O pacote Nivea for
Men inclui esfoliante facial, gel de limpeza, uma espuma para barba
cerrada e outra para refrescar a pele, além de loção
pós-barba para diferentes tipos de epiderme. A luxuosa marca
suíça La Prairie vende agora uma espécie de
calmante da pele para depois da barba, um hidratante com ação
antioxidante (de 135 dólares), um gel para o contorno dos
olhos (para combater rugas e olheiras), um gel bronzeador e uma
loção para o corpo. A linha da americana Zirh tem
até um corretor para disfarçar marcas no rosto e um
fortificante para folículos capilares. Dá para imaginar
hordas masculinas adentrando farmácias e perfumarias para
comprar esses troços? Não? Pois os executivos da indústria
de cosméticos reviram seus conceitos e contam com isso. Eles
projetam um crescimento de 15% ao ano do mercado de cosméticos
masculinos, contra apenas 3% do de produtos femininos.
Vaidade,
é bom que se esclareça, nunca foi uma prerrogativa
feminina. Mas os homens costumavam expressá-la de uma forma
que excluía a preocupação cotidiana com a pele
ou com os cabelos. Era um impulso que, delimitado por rígidos
códigos sociais, os levava apenas a comprar uma gravata bonita,
um terno bem cortado ou um relógio vistoso. Quando esses
códigos se afrouxaram um pouco, eles puderam buscar também,
sem que isso fosse motivo de vergonha, músculos mais bem
delineados. A adesão à cosmética é a
quebra do último tabu que restava à plena manifestação
da vaidade masculina.
Foi
um moralista francês elevado ao panteão da glória
literária, Jean de La Fontaine, que escreveu que não
se deve julgar os outros pelas aparências. Foi um homossexual
irlandês que chafurdou na lama da condenação
moralista, Oscar Wilde, que disse que só os tolos não
julgam pelas aparências. O dado curioso é que o mundo
do trabalho formal hoje pende mais para a ironia de Wilde do que
para a máxima de La Fontaine. A aparência soma vários
pontos a favor na hora de selecionar profissionais. O pressuposto
é o de que o funcionário também compõe
a imagem pública de uma empresa. Esse fato de ordem concretíssima
colaborou bastante para que os homens deixassem de ter receio de
usar produtos de beleza.
Existe,
ainda, uma outra causa, esta de ordem eminentemente cultural: a
disseminação da cultura gay. Por mais paradoxal que
possa parecer, foram os gays que ensinaram o caminho das pedras
aos homens heterossexuais. Eles foram os primeiros a lançar
mão com regularidade de produtos cosméticos. Também
foram eles os grandes impulsionadores da diversificação
da moda masculina, que até pouco tempo atrás era um
tanto monótona. Na essência do modo de vida gay está
a preocupação com o belo, com a juventude (Oscar Wilde,
Oscar Wilde...). Porque o preconceito em relação aos
homossexuais diminuiu, é que se tornou possível a
adoção de alguns hábitos e atitudes seus por
parte de heterossexuais acima de qualquer suspeita. Por último,
alguém poderia aventar a hipótese de que os homens
atualmente se mostram mais vaidosos também para agradar às
mulheres. É improvável, de acordo com os especialistas.
Assim como ocorre com elas, eles se embelezam para agradar sobretudo
a si próprios. Questão de auto-estima, pura e simplesmente.
Vamos
lá, rapaz, seja homem e use um creminho.
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