Edição 1806 . 11 de junho de 2003

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EUROPA
Aposentadoria só
aos 67 anos

Protestos contra reforma
da Previdência na Europa


AP
Manifestação em Paris: duas greves gerais em três semanas

A Alemanha e a França, as duas maiores economias da Europa, vivem uma situação parecida com a do Brasil: ambas estão em meio a grandes reformas da Previdência, com cortes profundos nos benefícios, e enfrentam a reação barulhenta de sindicatos e servidores públicos. Na França, que teve duas greves gerais em três semanas, o governo propõe ampliar o tempo de serviço do funcionalismo de 37,5 para 40 anos e reduzir o valor das aposentadorias. A Alemanha pretende elevar a idade mínima de aposentadoria de 65 para 67 anos. Os alemães também querem reduzir em seis meses o período em que é pago o seguro-desemprego e tornar mais flexíveis as leis trabalhistas. O tamanho da encrenca pode ser medido pelo fato de um governo de direita (o francês) e um de esquerda (o alemão) adotarem a mesma solução para a crise da Previdência, questão carregada de conotações ideológicas.

Desde a II Guerra, o generoso sistema que garante a segurança do cidadão do berço ao túmulo está na base da estabilidade social na Europa. O problema é que sua manutenção se tornou cara demais para países com economia em marcha lenta, altos índices de desemprego e população envelhecida. Na França, onde 20% da força de trabalho está no setor público, quarenta anos atrás havia um aposentado para cada quatro trabalhadores. Hoje são dois na ativa para cada pensionista. Na Alemanha, como resumiu um ministro, quando a Previdência Social foi criada, o trabalhador sobrevivia, em média, quatro meses depois de aposentado. Agora vive vinte anos como pensionista. Também ocorreram protestos na Itália e uma greve geral na Áustria, países que estudam reformas no sistema previdenciário. A Europa, por fim, curva-se diante do Brasil.

 
 
 
 
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