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EUROPA
Aposentadoria só
aos 67 anos
Protestos
contra reforma
da Previdência na Europa
AP
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| Manifestação
em Paris: duas greves gerais em três semanas |
A Alemanha
e a França, as duas maiores economias da Europa, vivem uma
situação parecida com a do Brasil: ambas estão
em meio a grandes reformas da Previdência, com cortes profundos
nos benefícios, e enfrentam a reação barulhenta
de sindicatos e servidores públicos. Na França, que
teve duas greves gerais em três semanas, o governo propõe
ampliar o tempo de serviço do funcionalismo de 37,5 para
40 anos e reduzir o valor das aposentadorias. A Alemanha pretende
elevar a idade mínima de aposentadoria de 65 para 67 anos.
Os alemães também querem reduzir em seis meses o período
em que é pago o seguro-desemprego e tornar mais flexíveis
as leis trabalhistas. O tamanho da encrenca pode ser medido pelo
fato de um governo de direita (o francês) e um de esquerda
(o alemão) adotarem a mesma solução para a
crise da Previdência, questão carregada de conotações
ideológicas.
Desde
a II Guerra, o generoso sistema que garante a segurança do
cidadão do berço ao túmulo está na base
da estabilidade social na Europa. O problema é que sua manutenção
se tornou cara demais para países com economia em marcha
lenta, altos índices de desemprego e população
envelhecida. Na França, onde 20% da força de trabalho
está no setor público, quarenta anos atrás
havia um aposentado para cada quatro trabalhadores. Hoje são
dois na ativa para cada pensionista. Na Alemanha, como resumiu um
ministro, quando a Previdência Social foi criada, o trabalhador
sobrevivia, em média, quatro meses depois de aposentado.
Agora vive vinte anos como pensionista. Também ocorreram
protestos na Itália e uma greve geral na Áustria,
países que estudam reformas no sistema previdenciário.
A Europa, por fim, curva-se diante do Brasil.
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