Edição 1904 . 11 de maio de 2005

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VEJA Recomenda

CINEMA

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Costner e Joan Allen, em A Outra Face: do porre à paixão


A Outra Face da Raiva
(The Upside of Anger,
Estados Unidos/Inglaterra, 2005. Em cartaz desde sexta-feira) – Terry (Joan Allen) acabou de ser largada pelo marido, e está furiosa. Não com uma raiva explosiva, mas aquela que queima sem parar, e que Terry, uma dona-de-casa bem de vida e mãe de quatro filhas, alimenta com um fluxo constante de vodca. Seu vizinho, Denny (Kevin Costner), também vive grudado à garrafa, mas por absoluta falta do que fazer. Unidos a princípio pelo álcool, e depois por empatia, Terry e Denny têm a sorte de haver sido entregues a dois atores que, apesar da aparente disparidade (Joan é muito técnica, e Costner é, bem, Costner), se afinam que é uma beleza. O final arrumadinho demais tira do filme um tanto de sua originalidade, mas a parceria compensa essa falha. Veja cenas.

 

DVD

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Código 46: ficção original


Código 46
(Code 46,
Inglaterra, 2003. Fox) – Num futuro indeterminado, em que se fala um idioma que mistura um pouco de todos os outros e os casais têm de se submeter a testes genéticos para se relacionar, o investigador de fraudes William (Tim Robbins) se apaixona por sua principal suspeita, Maria (Samantha Morton) – e é claro que o romance será uma violação das leis de compatibilidade. Código 46 é, antes de mais nada, uma trágica história de amor, que pouco a pouco se revela inspirada na tragédia grega de Édipo. Mas não é menos instigante como ficção científica. Rodado pelo inglês Michael Winterbottom em cenários reais (mas de aspecto surreal), como Xangai, o filme trabalha com originalidade uma das idéias centrais do gênero, a de que o presente já contém em si muito do que será o futuro.

 

LIVROS

Hans Christian Andersen (tradução de Antonio Carlos Vilela; Melhoramentos; 128 páginas; 69 reais) – O dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875) foi o criador de alguns dos maiores clássicos dos contos de fadas. Por meio de personagens como o Patinho Feio e o Soldadinho de Chumbo, ele encontrou uma forma singela de transmitir noções morais às crianças, como o valor da perseverança e da amizade. Essa edição reúne quatro textos infantis consagrados de Andersen, e lhes dispensa um tratamento de primeira. Traz, além das duas já citadas, as histórias O Sapo e O Criador de Porcos, todas em versões integrais e acompanhadas de ilustrações vistosas. Um CD com narrações em áudio dos contos acompanha o livro. Leia trechos.

Leonardo da Vinci, de Martin Kemp (tradução de Maria Inês Duque Estrada; Jorge Zahar; 240 páginas; 39 reais) – Crítico e professor de história da arte da Universidade de Oxford, o britânico Martin Kemp apresenta nesse estudo um apanhado breve mas esclarecedor sobre a vida e a obra de um dos maiores gênios da Renascença. Com grande número de ilustrações coloridas, o livro analisa os quadros mais famosos do artista e desfaz uma série de lendas que se acumularam em torno de seu nome. Kemp, aliás, dá a devida proporção a O Código Da Vinci, o best-seller internacional do americano Dan Brown: suas teses esotéricas sobre quadros como A Última Ceia e Mona Lisa funcionam como ficção – mas, se lidas a sério (como muitos fazem), não passam de disparates históricos. Leia trecho.

Rita Ritinha Ritona, de Dalton Trevisan (Record; 128 páginas; 24,90 reais) – Um dos mais aclamados contistas brasileiros, Dalton Trevisan completará 80 anos em junho. Não se esperem comemorações ruidosas: Trevisan é a figura mais arredia da literatura brasileira. Foge de jornalistas, de fotógrafos e de toda forma de exposição pública. Seus leitores, porém, têm a comemorar o lançamento dessa nova coletânea, com dezessete contos. Com a prosa enxuta e a narrativa rápida que são sua marca registrada, Trevisan mostra sua maestria nas sórdidas histórias do velho pai que deseja seduzir a nora (no conto Filho Ingrato) ou da menina de 8 anos que sofre um estupro (Sim, Senhor). E também há momentos de erotismo explicitamente cafajeste, como O Mestre e a Aluna e Duas Normalistas. Leia trecho.

 

DISCOS

 

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Os ingleses do Bloc Party: disco de estréia empolgante  

Silent Alarm, Bloc Party (Warner) – Expoente da nova geração do pop inglês, o quarteto Bloc Party bebe de uma fonte que anda na moda ultimamente – a influência de estilos dos anos 80 como a new wave e o pós-punk. O timbre vocal do cantor Kele Okereke, por exemplo, remete ao de Robert Smith, do The Cure. Assim como os escoceses do Franz Ferdinand ou os americanos do Interpol, contudo, eles transcendem essas referências para criar uma sonoridade original. Silent Alarm é um dos álbuns de estréia mais empolgantes do rock nos últimos tempos. Em faixas como Like Eating Glass e Positive Tension, o Bloc Party conjuga melodias tristes e seção rítmica dançante – e a energia que os rapazes extravasam ao tocar garante a liga desse coquetel.

 

Alexandre Sant'Anna/Strana
Carvalho: enfim, sua obra é revista  

Timoneiro, Hermínio Bello de Carvalho (Biscoito Fino) – Aos 70 anos, o carioca Hermínio Bello de Carvalho é uma autoridade do samba. Compositor, poeta, escritor e produtor musical, ele foi idealizador do show Rosa de Ouro, que revelou os talentos de Clementina de Jesus e Paulinho da Viola. Carvalho também foi parceiro de Cartola (Alvorada) e Jacob do Bandolim (Noites Cariocas). No entanto, quase nada de sua discografia estava disponível em CD. O lançamento dessa caixa repara a injustiça. Timoneiro reúne quatro discos lançados entre 1978 e 1995, em que figuras como Alaíde Costa e Caetano Veloso interpretam suas composições. Além disso, há um quinto CD com material inédito. Um de seus destaques é Mulher Faladeira, que traz um dueto entre Chico Buarque e Zeca Pagodinho.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.

 

 
 
 
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