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VEJA Recomenda
CINEMA
Divulgação
 | | Costner
e Joan Allen, em A Outra Face: do porre à paixão |
A
Outra Face da Raiva (The Upside of Anger,
Estados Unidos/Inglaterra, 2005. Em cartaz desde sexta-feira) Terry (Joan
Allen) acabou de ser largada pelo marido, e está furiosa. Não com
uma raiva explosiva, mas aquela que queima sem parar, e que Terry, uma dona-de-casa
bem de vida e mãe de quatro filhas, alimenta com um fluxo constante de
vodca. Seu vizinho, Denny (Kevin Costner), também vive grudado à
garrafa, mas por absoluta falta do que fazer. Unidos a princípio pelo álcool,
e depois por empatia, Terry e Denny têm a sorte de haver sido entregues
a dois atores que, apesar da aparente disparidade (Joan é muito técnica,
e Costner é, bem, Costner), se afinam que é uma beleza. O final
arrumadinho demais tira do filme um tanto de sua originalidade, mas a parceria
compensa essa falha. Veja
cenas.
DVD
Divulgação
 | | Código
46: ficção original |
Código
46 (Code 46, Inglaterra, 2003. Fox) Num futuro indeterminado, em
que se fala um idioma que mistura um pouco de todos os outros e os casais têm
de se submeter a testes genéticos para se relacionar, o investigador de
fraudes William (Tim Robbins) se apaixona por sua principal suspeita, Maria (Samantha
Morton) e é claro que o romance será uma violação
das leis de compatibilidade. Código 46 é, antes de mais nada,
uma trágica história de amor, que pouco a pouco se revela inspirada
na tragédia grega de Édipo. Mas não é menos instigante
como ficção científica. Rodado pelo inglês Michael
Winterbottom em cenários reais (mas de aspecto surreal), como Xangai, o
filme trabalha com originalidade uma das idéias centrais do gênero,
a de que o presente já contém em si muito do que será o futuro.
LIVROS Hans
Christian Andersen (tradução de Antonio Carlos Vilela; Melhoramentos;
128 páginas; 69 reais) O dinamarquês Hans Christian Andersen
(1805-1875) foi o criador de alguns dos maiores clássicos dos contos de
fadas. Por meio de personagens como o Patinho Feio e o Soldadinho de Chumbo, ele
encontrou uma forma singela de transmitir noções morais às
crianças, como o valor da perseverança e da amizade. Essa edição
reúne quatro textos infantis consagrados de Andersen, e lhes dispensa um
tratamento de primeira. Traz, além das duas já citadas, as histórias
O Sapo e O Criador de Porcos, todas em versões integrais
e acompanhadas de ilustrações vistosas. Um CD com narrações
em áudio dos contos acompanha o livro. Leia
trechos. Leonardo
da Vinci, de Martin Kemp (tradução de Maria Inês Duque
Estrada; Jorge Zahar; 240 páginas; 39 reais) Crítico e professor
de história da arte da Universidade de Oxford, o britânico Martin
Kemp apresenta nesse estudo um apanhado breve mas esclarecedor sobre a vida e
a obra de um dos maiores gênios da Renascença. Com grande número
de ilustrações coloridas, o livro analisa os quadros mais famosos
do artista e desfaz uma série de lendas que se acumularam em torno de seu
nome. Kemp, aliás, dá a devida proporção a O Código
Da Vinci, o best-seller internacional do americano Dan Brown: suas teses esotéricas
sobre quadros como A Última Ceia e Mona Lisa funcionam como
ficção mas, se lidas a sério (como muitos fazem),
não passam de disparates históricos. Leia
trecho.
Rita
Ritinha Ritona, de Dalton Trevisan (Record; 128 páginas; 24,90
reais) Um dos mais aclamados contistas brasileiros, Dalton Trevisan completará
80 anos em junho. Não se esperem comemorações ruidosas: Trevisan
é a figura mais arredia da literatura brasileira. Foge de jornalistas,
de fotógrafos e de toda forma de exposição pública.
Seus leitores, porém, têm a comemorar o lançamento dessa nova
coletânea, com dezessete contos. Com a prosa enxuta e a narrativa rápida
que são sua marca registrada, Trevisan mostra sua maestria nas sórdidas
histórias do velho pai que deseja seduzir a nora (no conto Filho Ingrato)
ou da menina de 8 anos que sofre um estupro (Sim, Senhor). E também
há momentos de erotismo explicitamente cafajeste, como O Mestre e a
Aluna e Duas Normalistas. Leia
trecho. DISCOS Divulgação
 |  | | Os
ingleses do Bloc Party: disco de estréia empolgante | |
Silent Alarm, Bloc Party (Warner) Expoente
da nova geração do pop inglês, o quarteto Bloc Party bebe
de uma fonte que anda na moda ultimamente a influência de estilos
dos anos 80 como a new wave e o pós-punk. O timbre vocal do cantor Kele
Okereke, por exemplo, remete ao de Robert Smith, do The Cure. Assim como os escoceses
do Franz Ferdinand ou os americanos do Interpol, contudo, eles transcendem essas
referências para criar uma sonoridade original. Silent Alarm é
um dos álbuns de estréia mais empolgantes do rock nos últimos
tempos. Em faixas como Like Eating Glass e Positive Tension, o Bloc
Party conjuga melodias tristes e seção rítmica dançante
e a energia que os rapazes extravasam ao tocar garante a liga desse coquetel.
Alexandre
Sant'Anna/Strana
 |  | | Carvalho:
enfim, sua obra é revista | |
Timoneiro,
Hermínio Bello de Carvalho (Biscoito Fino) Aos 70 anos, o carioca
Hermínio Bello de Carvalho é uma autoridade do samba. Compositor,
poeta, escritor e produtor musical, ele foi idealizador do show Rosa de Ouro,
que revelou os talentos de Clementina de Jesus e Paulinho da Viola. Carvalho também
foi parceiro de Cartola (Alvorada) e Jacob do Bandolim (Noites Cariocas).
No entanto, quase nada de sua discografia estava disponível em CD. O lançamento
dessa caixa repara a injustiça. Timoneiro reúne quatro discos
lançados entre 1978 e 1995, em que figuras como Alaíde Costa e Caetano
Veloso interpretam suas composições. Além disso, há
um quinto CD com material inédito. Um de seus destaques é Mulher
Faladeira, que traz um dueto entre Chico Buarque e Zeca Pagodinho. |