Edição 1904 . 11 de maio de 2005

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Televisão
Duelo trapalhão

O humorista Dedé Santana já foi escada
de Renato Aragão. Agora, é seu rival


Ricardo Valladares

Últimos remanescentes do extinto grupo Os Trapalhões, os humoristas Renato Aragão e Dedé Santana travam uma guerra particular na televisão. No ar pelo SBT desde o mês passado, o programa Dedé e o Comando Maluco disputa com a atração de Aragão na Rede Globo, Turma do Didi, o ibope nos começos de tarde dos domingos. Ainda que por minutos, o programa do SBT já superou o concorrente em audiência. "Falaram até que eu mudei alguns quadros por causa do Dedé. Imagina, foi só um dia atípico", diz Aragão. A idéia de colocar Dedé para bater de frente com o ex-colega foi tudo, menos coincidência. "Não queria meu nome no programa. Mas Silvio Santos insistiu", conta o humorista. Fora do ar, as trombadas vêm de longe. Ainda nos tempos dos Trapalhões, Dedé e seus colegas Zacarias e Mussum, mortos nos anos 90, rebelaram-se contra Aragão. Segundo Dedé, ele ficava com 80% dos ganhos com os filmes da turma, enquanto os três dividiam os 20% restantes. "Não foi nada disso: eram 50% para mim e 50% para eles", diz Aragão. Mais tarde, Dedé se sentiu traído porque Aragão não o chamou para seu programa na Globo. "Quando fiquei desempregado, procurei o Didi e ele disse que nunca mais ia fazer nada que lembrasse os Trapalhões. Mas ele mentiu."

Dedé ficou cinco anos sem falar com Didi e passou por dificuldades. Desempregado e deprimido, engordou 30 quilos – só perdeu parte disso graças a uma cirurgia de redução de estômago. Seu resgate como humorista deve-se ao empresário Beto Carrero, que no ano passado o levou para trabalhar em seu parque temático. Foi Carrero quem fez a ponte com o SBT. O Comando Maluco é uma produção independente gravada no parque, com palhaços de seu circo. Em esquetes à la Os Três Patetas, Dedé encarna um general descerebrado. O resultado é tosco. "Temos só um redator. O Didi tem seis", diz Dedé. Apesar das farpas, os ex-Trapalhões encenaram uma reaproximação no ano passado. Depois de gravarem juntos um especial da Globo, Dedé foi convidado para voltar à emissora, por um salário de 50.000 reais. Mas já estava comprometido com Carrero, que lhe paga 35.000 reais. Aragão, que embolsa ao menos dez vezes mais, diz não temer a concorrência. "Não vi nenhum programa do Dedé. Tive mais medo quando a Carla Perez estreou no SBT", comenta. Hoje evangélico, Dedé jura que perdoou o ex-colega – com ressalvas. "Rezo por Didi. Só não peço que tenha mais audiência que a gente", diz.

 
Fotos divulgação


Dedé, como o general descerebrado, e Didi, em seu programa na Globo: a mágoa começou por causa do dinheiro dos filmes dos Trapalhões
 
 
 
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