|
|
Televisão
Duelo trapalhão
O humorista Dedé Santana já foi
escada
de Renato Aragão. Agora, é seu rival

Ricardo Valladares
Últimos remanescentes do extinto grupo
Os Trapalhões, os humoristas Renato Aragão e Dedé
Santana travam uma guerra particular na televisão. No ar
pelo SBT desde o mês passado, o programa Dedé e
o Comando Maluco disputa com a atração de Aragão
na Rede Globo, Turma do Didi, o ibope nos começos
de tarde dos domingos. Ainda que por minutos, o programa do SBT
já superou o concorrente em audiência. "Falaram até
que eu mudei alguns quadros por causa do Dedé. Imagina, foi
só um dia atípico", diz Aragão. A idéia
de colocar Dedé para bater de frente com o ex-colega foi
tudo, menos coincidência. "Não queria meu nome no programa.
Mas Silvio Santos insistiu", conta o humorista. Fora do ar, as trombadas
vêm de longe. Ainda nos tempos dos Trapalhões, Dedé
e seus colegas Zacarias e Mussum, mortos nos anos 90, rebelaram-se
contra Aragão. Segundo Dedé, ele ficava com 80% dos
ganhos com os filmes da turma, enquanto os três dividiam os
20% restantes. "Não foi nada disso: eram 50% para mim e 50%
para eles", diz Aragão. Mais tarde, Dedé se sentiu
traído porque Aragão não o chamou para seu
programa na Globo. "Quando fiquei desempregado, procurei o Didi
e ele disse que nunca mais ia fazer nada que lembrasse os Trapalhões.
Mas ele mentiu."
Dedé ficou cinco anos sem falar com
Didi e passou por dificuldades. Desempregado e deprimido, engordou
30 quilos só perdeu parte disso graças a uma
cirurgia de redução de estômago. Seu resgate
como humorista deve-se ao empresário Beto Carrero, que no
ano passado o levou para trabalhar em seu parque temático.
Foi Carrero quem fez a ponte com o SBT. O Comando Maluco é
uma produção independente gravada no parque, com palhaços
de seu circo. Em esquetes à la Os Três Patetas,
Dedé encarna um general descerebrado. O resultado
é tosco. "Temos só um redator. O Didi tem seis", diz
Dedé. Apesar das farpas, os ex-Trapalhões encenaram
uma reaproximação no ano passado. Depois de gravarem
juntos um especial da Globo, Dedé foi convidado para voltar
à emissora, por um salário de 50.000 reais. Mas já
estava comprometido com Carrero, que lhe paga 35.000 reais. Aragão,
que embolsa ao menos dez vezes mais, diz não temer a concorrência.
"Não vi nenhum programa do Dedé. Tive mais medo quando
a Carla Perez estreou no SBT", comenta. Hoje evangélico,
Dedé jura que perdoou o ex-colega com ressalvas. "Rezo
por Didi. Só não peço que tenha mais audiência
que a gente", diz.
|