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Medicina Máquinas
que vêem Aparelhos que permitem enxergar o interior
do corpo humano aprimoram o diagnóstico e o tratamento de várias
doenças  Giuliana
Bergamo
Fotos
divulgação
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retirar nem ao menos uma gota de sangue, o BiliChek dosa as quantidades de bilirrubina
em recém-nascidos. Oito em cada dez crianças nascem com altas doses da substância
no sangue, o que causa icterícia. Normalmente, para o diagnóstico e tratamento
da síndrome, os bebês têm de ser submetidos a consecutivas coletas de sangue.
Quando realizado em excesso, esse procedimento é a principal causa de transfusão
em recém-nascidos |
Começa a ser
testado no Brasil um aparelho capaz de mapear em tempo real as veias do corpo
humano, o VeinViewer (Observador de Veias, em inglês). O aparelho promete
facilitar os tratamentos vasculares e estéticos, além de tornar
a coleta de sangue e as injeções de medicamentos bem menos dolorosas.
A máquina emite raios infravermelhos que captam a temperatura da região
corporal a ser vasculhada. Como as veias são mais quentes do que os outros
tecidos, elas são ressaltadas pelo VeinViewer. Em seguida, um computador
transforma essas informações em imagens. Em frações
de segundo, elas são projetadas sobre a parte do corpo examinada, formando
um mapa bastante detalhado da ramificação das veias. Com isso, o
médico ou o enfermeiro sabe exatamente onde estão as veias no momento
de puncionar uma delas ou de aplicar uma injeção. Fabricado pela
empresa Luminetx, sediada na cidade de Memphis, nos Estados Unidos, o VeinViewer
deve chegar ao mercado no primeiro semestre do próximo ano. Eleito como
uma das melhores invenções de 2004 pela revista americana Time,
ele é uma evolução do venoscópio, criado no início
dos anos 90. Enquanto a máquina antiga consegue visualizar apenas veias
a partir de 0,5 milímetro de calibre, o VeinViewer mostra vasos até
cinco vezes mais finos.  | Raios
infravermelhos captam as variações de calor da superfície da pele e registram
a localização das veias. Em frações de segundo, o VeinViewer projeta o mapa da
vascularização superficial sobre a pele do paciente. O método deve facilitar a
coleta de sangue, o tratamento de varizes e a aplicação de injeções subcutâneas
e intramusculares |
A primeira fase brasileira
das pesquisas com o VeinViewer, numa clínica em São Paulo, avaliará
a sua eficácia no tratamento de varizes. O método mais usado consiste
na injeção de uma substância que queima os vasos sanguíneos
dilatados. O grande desafio do médico é chegar até a veia
maior que serve de tronco para as veias muito finas e ramificadas, que, nos casos
mais graves, deixam as pernas de suas vítimas com a aparência de
um mapa hidrográfico. Como a veia maior fica abaixo do emaranhado das pequenas
veias, a melhor maneira para determinar a sua localização é
por meio de ultra-sonografia. As imagens captadas por esse tipo de máquina,
no entanto, não são projetadas sobre a pele, mas numa tela
o que dificulta o trabalho do médico para acertar o local exato da injeção.
Com o VeinViewer, a chance de acertar a veia numa só agulhada é
praticamente de 100%. Os testes no Brasil serão conduzidos pelo cirurgião
vascular Kasuo Miyake, de São Paulo, e pelo próprio inventor do
aparelho, o físico americano Herbert Zeman. A nova máquina promete
ajudar inclusive nos tratamentos estéticos à base de injeções
de toxina botulínica. A coleta de sangue para exame em crianças
e pacientes muito debilitados também será facilitada com o uso do
VeinViewer. O VeinViewer é a última
invenção em um campo da medicina que não pára de produzir
novidades o da criação de máquinas capazes de vasculhar
e mapear com nitidez e amplitude a atividade no interior do corpo humano, em tempo
real. Graças a elas, o diagnóstico e o tratamento de várias
doenças tendem a se tornar cada vez menos invasivos e dolorosos para o
paciente. Um exemplo desse tipo de benefício proporcionado pelo aprimoramento
tecnológico do maquinário médico é um aparelhinho
chamado BiliChek, utilizado para medir a quantidade da substância bilirrubina
na corrente sanguínea de bebês. Imprescindível ao diagnóstico
da icterícia, esse exame é tradicionalmente feito a partir da análise
de amostras de sangue. Até que a bilirrubina seja devidamente metabolizada,
a dosagem é periódica. Em alguns casos pode ser diária. A
forma de fazer essa dosagem é por meio da coleta de sangue. "O problema
é que a coleta excessiva de sangue é a principal causa de transfusão
em recém-nascidos", diz a pediatra Simone Lotufo, do Laboratório
Fleury. A cada coleta, retiram-se quase 3 mililitros de sangue, o que é
muito para um corpinho que carrega, em média, apenas 300 mililitros de
sangue. Encostado à testa do recém-nascido, o BiliChek mede a bilirrubina
sem tirar uma só gota do bebê. O diagnóstico dado pelo aparelho
não é definitivo, mas serve para triagem. Se os níveis de
bilirrubina estão altos demais, deve-se fazer o teste convencional por
meio da coleta de sangue. Fotos
gentilmente cedidas pela GE Medical Systems
 | | A
evolução das técnicas de ressonância magnética e tomografia computadorizada causou
uma revolução na medicina diagnóstica. Elas fornecem imagens detalhadas e tridimensionais
de rins, intestino e coração (acima, em sentido horário), entre outros
órgãos |
Outra descoberta que está
beneficiando os bebês no diagnóstico de doenças são
as imagens tridimensionais produzidas por ressonância magnética e
tomografia computadorizada. Médicos dinamarqueses usam o exame para estudar
malformações cardíacas em fetos e recém-nascidos.
O estudo e o tratamento do coração são mais difíceis
em crianças principalmente por causa do seu tamanho. As imagens captadas
por ressonância magnética remontam o órgão em uma imagem
tridimensional que pode ser visualizada na tela de um computador. Com ela, os
médicos podem analisar partes internas e externas do coração.
O mesmo método serve para observar áreas necrosadas depois de infartos.
Imagens semelhantes são conseguidas por meio dos novos aparelhos de tomografia.
Eles "fatiam" o coração, com a finalidade de estudar com mais minúcia
as artérias coronarianas. Outra utilidade dessa tecnologia é a colonoscopia
virtual. Esses exames ainda não excluem os métodos invasivos, como
a angiografia por cateter. No entanto, podem ser usados como métodos de
triagem. Em todos os casos, os riscos de morbidade são baixíssimos,
assim como o relato de desconforto pelos pacientes.
A medicina diagnóstica evolui tanto e tão rápido que, daqui
a dois anos, é provável que máquinas como o VeinViewer e
o BiliChek não figurem entre as mais avançadas. "A evolução
é impressionante. Há algumas décadas, informações
bem mais rudimentares do que as que conseguimos hoje só eram possíveis
com a retirada de uma parte considerável do corpo ou por meio da necropsia",
diz o neurorradiologista Antônio Rocha. Com essas máquinas que enxergam
dentro do corpo, tudo o que se quer, evidentemente, é evitar a necropsia.
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