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Entretenimento Sob
o domínio da Força Lançamento
do sexto e último filme da série Star Wars, na semana
que vem, mobiliza os fervorosos fãs da série  Sérgio
Martins
Divulgação/Fox
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de A Vingança dos Sith: um dos mais sombrios da série
Star Wars, o filme mostrará a origem da maldade do vilão
Darth Vader | Hector Mata/AFP
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No último censo do Reino Unido, 390.000 cidadãos declararam-se adeptos
de uma fé inusitada: a "religião" Jedi. A identificação
dos ingleses com a ordem dos guerreiros da série de cinema Star Wars
é uma amostra do fervor que a saga criada pelo americano George Lucas
desperta em seus fãs e também fornece indícios do
grau de excitação deles com a proximidade do lançamento mundial
de seu sexto e último filme, Episódio III A Vingança
dos Sith, previsto para o dia 19. Mais de um mês antes de o filme estrear
em 4.500 salas dos Estados Unidos, uma hoste de maníacos por Star Wars
já montava acampamento em frente ao Chinese Theatre, um dos cinemas
mais famosos de Los Angeles. De nada adiantou avisar-lhes que a fita não
entraria em cartaz no lugar: eles se mantêm em vigília assim mesmo,
por julgar que é uma manobra para despistá-los. No Brasil, o filme
será exibido em 450 salas, o equivalente a um quarto do circuito nacional,
e os ingressos estarão à venda com uma semana de antecedência
para atender à demanda dos fãs. Ao surgir, no fim dos anos 70, Star
Wars causou uma revolução a fita elevou os efeitos especiais
a um padrão até então impensável de excelência,
inaugurou a era dos megalançamentos nos cinemas e inventou o merchandising
em larga escala de produtos associados a filmes (só com isso, movimentou
nada menos do que 5 bilhões de dólares até hoje). Mas não
se trata apenas da série mais bem-sucedida de todos os tempos: Star
Wars é, sobretudo, um fenômeno cultural.
Uma das razões da reverência exacerbada dos fãs é o
fato de que Lucas foi hábil em construir um universo mitológico
cujo apelo é comparável, por exemplo, ao da série literária
O Senhor dos Anéis, do inglês J.R.R. Tolkien. Sob uma trama
que mistura clichês de faroeste com duelos de capa e espada, trata de questões
universais. A mais evidente delas é o conflito entre pai e filho, abordado
nas lutas entre o herói Luke Skywalker e o vilão Darth Vader. "A
série lida com arquétipos e isso prende as pessoas", diz a psicóloga
Luisa de Oliveira, da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo. Ainda que tenha decepcionado muitos fãs de primeira hora, a retomada
da série por Lucas em 1999, com a decisão de filmar três episódios
adicionais para esclarecer o início da trama que se desenrola nos filmes
originais, lançados entre 1977 e 1983, só confirmou a força
do culto. A Vingança dos Sith deve dar mais alento ao fenômeno.
Em um dos momentos mais sombrios da série, a fita revela como o cavaleiro
Anakin Skywalker, em sua ânsia pelo poder, acaba se rendendo ao lado negro
da Força e se transmutando em Darth Vader, que será inimigo
do próprio filho. Ainda que sedutor, o universo
de Star Wars, com seus cavaleiros armados de sabres de luz e extraterrestres
bisonhos, também tem um efeito infantilizante sobre certo estrato dos espectadores.
Seus fãs mais exaltados promovem convenções em que se fantasiam
como o Mestre Yoda e a princesa Leia, entre outros personagens. Além disso,
debatem cada detalhe da trama como se fosse um versículo das Escrituras.
A brincadeira às vezes se torna escapismo. Para aqueles que conheceram
Star Wars em seus primórdios e hoje têm mais de 35 anos, por
exemplo, trata-se de uma forma de esticar a adolescência. Mesmo o pessoal
mais jovem, contudo, também cede a esse fascínio. "Só tomei
contato com a série quando seus primeiros episódios foram relançados,
nos anos 90, mas fiquei doida pela história", diz Fabiola Chierice, de
28 anos, "primeira-dama" do fã-clube Conselho Jedi, de São Paulo.
Fé não se discute.
E AGORA, JEDI? Eric
Risberg/AP
 | | Lucas:
ele se fechou em sua própria série |
George
Lucas declarou em várias ocasiões que nunca quis se tornar o "Senhor
Star Wars": achou que o primeiro filme da saga, lançado em 1977,
consumiria um ano de sua vida e ela, então, prosseguiria como a de qualquer
outro cineasta com filmes diversos, sobre temas diferentes. Mas Lucas,
que no dia 14 faz 61 anos, deixou que sua criatura o dominasse a ponto de impedi-lo
de adquirir o traquejo que a profissão exige. Quando ele inaugurou sua
série, havia feito apenas dois filmes: a ficção científica
THX 1138 e o nostálgico American Graffiti, sobre um verão
no interior da Califórnia. Graffiti foi o filme que pôs Lucas
no mapa, ao tornar-se um dos recordistas da relação custo-benefício
na história do cinema: custou 777 000 dólares e rendeu 150 vezes
mais só nos Estados Unidos. Ao se fechar no mundo de Star Wars,
porém, o cineasta tornou-se uma ilha-continente: é dono do maior
fenômeno da história do cinema, mas tem um currículo resumidíssimo
como diretor e um histórico irregular como produtor, em que sucessos como
a série Indiana Jones se alternam com fiascos como Howard, o
Super-Herói. Nem Lucas sabe dizer o que Lucas vai fazer agora que a
sexta e última parte de Star Wars foi concluída. Em entrevista
na última edição da revista Time, ele falou vagamente
sobre filmes experimentais, meio abstratos, na linha de Koyaanisqatsi,
além de um quarto Indiana Jones que, de tanto ser prometido,
já soa como conversa fiada. Não só os fãs de Star
Wars, portanto, vão ficar desnorteados. Lucas parece tão carente
de um guru quanto eles.
Isabela Boscov
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