Edição 1904 . 11 de maio de 2005

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Tecnologia
É de bolso mesmo

A versão digital e portátil do Aurélio
escaneia as palavras e dá seu
significado em segundos


Jerônimo Teixeira

 
O Aurélio Digital em ação: um aparelho prático, mas com preço salgado

No mercado editorial, o setor mais influenciado pela tecnologia é o dos livros de referência. Cada vez mais, enciclopédias e dicionários são apresentados em formatos digitais. O mais tradicional dicionário brasileiro, o Aurélio, está levando essa tendência para um campo novo no país: o dos dicionários e tradutores instantâneos – e portáteis. Recém-lançado pelo grupo Positivo, que adquiriu seus direitos em 2003, o Aurélio Digital é uma espécie de caneta com scanner embutido e permite que o usuário, ao passar o aparelho sobre uma palavra impressa, obtenha sua definição em segundos. É o lance mais recente na guerra mercadológica que se trava nas livrarias brasileiras desde que o Dicionário Houaiss surgiu, em 2001, quebrando a hegemonia de 26 anos do "Aurelião" no setor. O conteúdo do Aurélio Digital é praticamente o mesmo do dicionário em papel, mas o aparelho também reconhece algumas flexões de verbos e adjetivos que não constam do dicionário original. Além disso, a maquininha oferece um tradutor inglês-português.

A primeira geração de dicionários digitais apareceu em CD-ROM. Hoje, essas ferramentas estão migrando para a internet, na qual se encontram várias opções de tradutores e dicionários instantâneos, como o Ultralingua – que fornece mecanismos de tradução rápida para o site do jornal International Herald Tribune – e o Answers, cujos serviços são gratuitos. O mais conhecido é o israelense Babylon, que congrega 25 dicionários em treze idiomas. Começou como um serviço gratuito na rede, mas hoje funciona com assinatura paga. Dos 27 milhões de usuários em todo o mundo, 2,5 milhões – a maior fatia num único país – estão no Brasil. Em geral, basta selecionar uma palavra na tela do computador e apertar uma ou duas teclas para obter definições e equivalentes em várias línguas.

Aparelhos como o Aurélio Digital atendem a uma demanda distinta. A tecnologia portátil já se encontra difundida em muitos países, com dicionários em várias línguas. A WizCom, companhia com sede em Israel que produz o aparelho, começou a fabricar as primeiras versões dele em 1997. Hoje, são comercializadas cerca de 100.000 unidades por ano – metade delas destina-se ao mercado americano, em dezenas de versões. A ferramenta é útil principalmente para profissionais que viajam a negócios e precisam de um instrumento para tradução de uso e transporte práticos. Isso sem falar, claro, nos viciados em engenhocas eletrônicas. Com seu scanner, o Aurélio Digital poupa o trabalho da digitação. Sua operação, porém, exige um certo traquejo: basta entortar a mão ou passar a caneta muito rapidamente sobre o texto para que a palavra seja lida de forma truncada. Mas a maior dificuldade operacional é outra: o preço um tanto salgado, de 700 reais.

 

 
 
 
 
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