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Brasil Está
demissionário Exausto com as rasteiras
e traições, Rebelo pediu demissão
e, desta vez, Lula aceitou  Otávio
Cabral
Dida
Sampaio/AE
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ainda ministro Rebelo: "Presidente, não tenho mais condições
de ficar" | |
O
velho comunista jogou a toalha. Finalmente, Aldo Rebelo, 49 anos de idade e 28
de militância no PCdoB, pediu demissão do cargo de coordenador político
do governo. Em 26 de abril, Rebelo chegou ao gabinete do presidente Lula por volta
das 11h30 da manhã. Na conversa, apresentou sua demissão. "Presidente,
não tenho mais condição de ficar no cargo, não tenho
mais apoio nem condições de trabalho", disse ele. Os detalhes do
pedido de demissão foram contados a VEJA por seis fontes três
ouviram um relato do presidente Lula e outras três souberam do caso pelo
ministro. Ao contrário das outras três vezes em que Rebelo pediu
para ir embora, todas durante a reforma ministerial que nunca saiu do papel, Lula
desta vez não insistiu para que ele ficasse no cargo. O presidente pediu
apenas algumas semanas de prazo para arrumar uma saída honrosa para o ministro.
É um desfecho melancólico para um
aliado de longa data, que apóia Lula desde a primeira campanha presidencial
em 1989 e estava no cargo desde janeiro de 2004. A saída de Rebelo é
uma vitória do ministro José Dirceu, da Casa Civil, que nunca aceitou
ter sido defenestrado do comando político do governo. A demissão
decorre do fato de que à eterna pressão do PT somou-se agora outro
inconveniente: o desleixo com que o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti,
trata os acordos políticos que celebra. Na semana passada, por exemplo,
Rebelo recebeu Severino para um almoço em sua casa. Na companhia das esposas,
em meio a carnes típicas do Nordeste, os dois selaram um acordo para eleger
o nome indicado pelo Palácio do Planalto, Sérgio Renault, para o
novo Conselho Nacional de Justiça. Na última hora, para vingar-se
do governo que não lhe entregou um ministério, Severino rompeu o
acordo e ajudou a eleger um pefelista para a vaga.
Joedson
Alves /AE
 | | Severino
Cavalcanti: num dia é um acordo, mas no dia seguinte tudo pode mudar |
Com
mais essa derrota no currículo, Rebelo voltou a procurar o presidente Lula
em seu gabinete na quinta-feira passada. Reiterou o pedido de demissão,
e Lula voltou a pedir um prazo. Além das reiteradas traições
de Severino, Rebelo avaliou que o PMDB, apesar de ter dois ministérios,
também lhe virou as costas e deu sinais de que vai cobrar caríssimo
do governo sua presença ao lado de Lula na eleição de 2006.
Com a notória incapacidade do presidente de demitir, e de decidir com rapidez,
não é impossível que o prazo pedido a Rebelo se transforme
num longo calvário. Naturalmente, a idéia no Planalto é preencher
a vaga com um petista. Seja quem for o escolhido, mudanças terão
de ser feitas na coordenação política. A primeira delas,
e talvez a mais fundamental, é dar ao novo ministro os instrumentos necessários
para fazer um trabalho efetivo com o Congresso instrumentos que, justiça
seja feita, nunca chegaram às mãos de Aldo Rebelo.
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