Edição 1904 . 11 de maio de 2005

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Brasil
Está demissionário

Exausto com as rasteiras e traições,
Rebelo
pediu demissão – e, desta vez,
Lula aceitou


Otávio Cabral

Dida Sampaio/AE
O ainda ministro Rebelo: "Presidente, não tenho mais condições de ficar"
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Notícias diárias sobre o governo Lula


O velho comunista jogou a toalha. Finalmente, Aldo Rebelo, 49 anos de idade e 28 de militância no PCdoB, pediu demissão do cargo de coordenador político do governo. Em 26 de abril, Rebelo chegou ao gabinete do presidente Lula por volta das 11h30 da manhã. Na conversa, apresentou sua demissão. "Presidente, não tenho mais condição de ficar no cargo, não tenho mais apoio nem condições de trabalho", disse ele. Os detalhes do pedido de demissão foram contados a VEJA por seis fontes – três ouviram um relato do presidente Lula e outras três souberam do caso pelo ministro. Ao contrário das outras três vezes em que Rebelo pediu para ir embora, todas durante a reforma ministerial que nunca saiu do papel, Lula desta vez não insistiu para que ele ficasse no cargo. O presidente pediu apenas algumas semanas de prazo para arrumar uma saída honrosa para o ministro.

É um desfecho melancólico para um aliado de longa data, que apóia Lula desde a primeira campanha presidencial em 1989 e estava no cargo desde janeiro de 2004. A saída de Rebelo é uma vitória do ministro José Dirceu, da Casa Civil, que nunca aceitou ter sido defenestrado do comando político do governo. A demissão decorre do fato de que à eterna pressão do PT somou-se agora outro inconveniente: o desleixo com que o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, trata os acordos políticos que celebra. Na semana passada, por exemplo, Rebelo recebeu Severino para um almoço em sua casa. Na companhia das esposas, em meio a carnes típicas do Nordeste, os dois selaram um acordo para eleger o nome indicado pelo Palácio do Planalto, Sérgio Renault, para o novo Conselho Nacional de Justiça. Na última hora, para vingar-se do governo que não lhe entregou um ministério, Severino rompeu o acordo – e ajudou a eleger um pefelista para a vaga.

Joedson Alves /AE
Severino Cavalcanti: num dia é um acordo, mas no dia seguinte tudo pode mudar

Com mais essa derrota no currículo, Rebelo voltou a procurar o presidente Lula em seu gabinete na quinta-feira passada. Reiterou o pedido de demissão, e Lula voltou a pedir um prazo. Além das reiteradas traições de Severino, Rebelo avaliou que o PMDB, apesar de ter dois ministérios, também lhe virou as costas e deu sinais de que vai cobrar caríssimo do governo sua presença ao lado de Lula na eleição de 2006. Com a notória incapacidade do presidente de demitir, e de decidir com rapidez, não é impossível que o prazo pedido a Rebelo se transforme num longo calvário. Naturalmente, a idéia no Planalto é preencher a vaga com um petista. Seja quem for o escolhido, mudanças terão de ser feitas na coordenação política. A primeira delas, e talvez a mais fundamental, é dar ao novo ministro os instrumentos necessários para fazer um trabalho efetivo com o Congresso – instrumentos que, justiça seja feita, nunca chegaram às mãos de Aldo Rebelo.

 
 
 
 
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