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Congresso
... e ficou sem mandato
Deputado denunciado por reportagem de
VEJA foi cassado. Ele aparece em gravações
tentando extorquir e fazendo ameaças

Policarpo Junior
Dida Sampaio/AE
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| André Luiz, no dia da votação de sua cassação:
carta aos parlamentares |
André Luiz, do Rio de Janeiro, é
o primeiro deputado federal a perder seu mandato na atual legislatura.
Por 311 votos, 54 a mais que o necessário, os deputados entenderam
que André Luiz quebrou o decoro parlamentar num diálogo
em que tentava extorquir 4 milhões de reais do empresário
de jogos Carlos Cachoeira. O diálogo, registrado em gravador
digital, mostra que André Luiz vendia sua influência
para livrar Cachoeira de ser incriminado na investigação
feita por uma CPI na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.
Desde que VEJA trouxe o caso a público, em reportagem publicada
em outubro do ano passado sob o título "Vende-se uma CPI",
André Luiz nunca negou que a voz que se ouve na fita fosse
sua, mas sempre disse que o diálogo era uma montagem. A fita
foi submetida a perícia, concluindo-se que não havia
montagem, mas, mesmo assim, André Luiz manteve seu argumento.
Agora, ele, que já foi segurança do bicheiro Castor
de Andrade antes de se aventurar na política, volta para
seu lugar de origem: a Assembléia do Rio, onde é técnico
legislativo. Ficará inelegível até 2015, quando
estará com 56 anos.
"Minha intenção era só
mostrar que há um lado sujo na política carioca",
diz Cachoeira. E mostrou. Mas o deputado estadual envolvido no caso
na Assembléia do Rio, Alessandro Calazans, foi inocentado
por seus pares. O emissário de Cachoeira que simulava negociar
o pagamento da extorsão apenas para gravar as conversas com
André Luiz acabou ouvindo mais do que planejava. Lá
pelas tantas, André Luiz revela que, em apenas um fim de
semana, matou oito pessoas no Rio. O deputado não foi cassado
por sua condição de homicida confesso. A investigação
sobre os assassinatos ainda estava em curso na Câmara, e será
interrompida agora com a cassação, mas o Ministério
Público do Rio está apurando o caso que poderá
acabar com a prisão de André Luiz para além
de 2015. Trajetória semelhante foi traçada pelo ex-deputado
Hildebrando Pascoal, o último cassado antes de André
Luiz. Pascoal, que se tornou célebre por picar suas vítimas
com motosserra, perdeu o mandato em 1999 em decorrência de
uma série de acusações entre elas, tráfico
de drogas, assassinato e participação em grupo de
extermínio. Na Justiça, foi condenado a 37 anos. Depois,
a mais 25. Hoje está numa cela de segurança máxima
em Rio Branco, no Acre.
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| Reportagem de VEJA que revelou o caso: a voz
era de André Luiz e a perícia concluiu que não
havia montagem |
Na batalha para livrar-se da guilhotina, André
Luiz manteve o apoio de alguns deputados do PMDB, legenda à
qual pertencia quando passou a ser investigado, e ganhou a simpatia
de parte da bancada dos evangélicos, chegando a participar
de seus cultos na Câmara. Aos demais deputados, André
Luiz mandou uma carta, intitulada "A luta continua", na qual pede
para ser inocentado mas não apresenta um único dado
que ao menos sugira sua inocência. Chegou a procurar uma agência
de publicidade, interessado em melhorar sua imagem, mas desistiu
de contratá-la. Inimigos do ex-deputado chegaram a interferir
a seu favor não por solidariedade, mas por temor.
O deputado Carlos Rodrigues, do PL do Rio, que ajudou a fazer andar
a cassação de André Luiz, pediu ao relator
do processo, Gustavo Fruet, que tivesse clemência. E explicou-se:
"Se ele for cassado, ele vai me matar". Na sessão que decidiu
pela cassação, Fruet apelou ao bom senso dos colegas.
"Se não cassarmos o deputado, estaremos legitimando a extorsão",
disse.
Até o último minuto, André
Luiz tentou dizer que seu direito à defesa foi cerceado.
Mesmo depois da cassação, seu advogado, Michel Saliba,
encarregou-se de manter a tese em seu passeio pelo Congresso. Isso
também não corresponde à realidade. O deputado
Chico Alencar, do PT do Rio, lembra que Michel Saliba teve muitas
oportunidades para apresentar a defesa de seu cliente uma
delas, aliás, foi na Comissão de Ética e Decoro
Parlamentar, à qual o advogado nem sequer compareceu. O advogado,
soube-se mais tarde, estava ocupado explicando-se à Polícia
Federal, depois de ser preso em Curitiba sob a acusação
de integrar uma quadrilha que aplicava golpes contra o sistema financeiro
nacional.
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