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Diogo
Mainardi
Bananão, não, Dendezão
"Lula quer ser recordado pelo biodiesel.
Na
verdade, ele custa mais caro do que o diesel
importado. Para se tornar viável, deverá ser
subsidiado. Quem pagará será o consumidor,
sempre que encher o tanque. É mais um exemplo
da pródiga contabilidade petista: o governo só
pensa no dinheiro que arrecada, e não no que gasta"
Lula quer ser recordado pelo Programa Nacional
de Biodiesel. Duda Mendonça já decidiu usá-lo
como o principal ponto da campanha eleitoral do ano que vem. Toda
vez que Lula vai inaugurar alguma usina de mamona ou de dendê,
no interior do país, o publicitário e sua equipe se
agregam alegremente à comitiva, a fim de colher imagens para
a propaganda do governo.
A última inauguração
ocorreu na usina da Agropalma, em Moju, Pará. Além
de Lula e Duda Mendonça, compareceram ao evento outros quatro
ministros. Na ocasião, Lula declarou que o biodiesel é
a melhor "resposta ao esgotamento das reservas mundiais de petróleo".
Declarou também que a mamona e o dendê serão
a "redenção de nosso país", produzindo 250.000
empregos e "muita inclusão social, sobretudo para a parte
mais pobre da população". A declaração
do presidente pode parecer redundante, considerando que, em teoria,
somente os mais pobres precisariam de inclusão social. Não
é o que pensa Lula. De fato, o dono da Agropalma é
Aloysio Faria, o segundo homem mais rico do país. Não
é só porque ele tem 3 bilhões de dólares
guardados no banco que, segundo Lula, deve ser automaticamente excluído
da sociedade.
Outro banqueiro que apostou no biodiesel foi
Daniel Birmann. Virou o rei da mamona. Ergueu uma usina no Piauí,
em parceria com o governador do Estado, o petista Wellington Dias.
Ao mesmo tempo em que apóia os petistas na campanha do biodiesel,
Birmann se opõe a eles na campanha do desarmamento, já
que é proprietário da CBC, a maior fábrica
de munições do país. Birmann sempre soube aproveitar
as oportunidades. No apagão de Fernando Henrique, lucrou
com as termelétricas. Na era Lula, mudou de ramo e passou
a lucrar com o óleo de mamona. Em março, Birmann recebeu
uma multa recorde da CVM, por ter praticado irregularidades societárias.
Apesar disso, poderá contar com todas as regalias oferecidas
pelo governo federal aos produtores de biodiesel, como o financiamento
especial do BNDES e a isenção dos impostos PIS e Cofins.
Na inauguração da Agropalma,
Lula apresentou alguns números. Segundo ele, "com a mistura
obrigatória de 2% de biodiesel ao combustível, vamos
economizar 160 milhões de dólares ao ano". O cálculo
lulista é pura engabelação. Ele simplesmente
ignorou todos os gastos do governo, como o financiamento dos bancos
estatais, a renúncia fiscal, os 550 milhões de reais
para aumentar a produção, os 100 milhões de
reais distribuídos à agricultura familiar, os 8 milhões
investidos em pesquisa, os 10 milhões do DNOCS. Pior: ele
ignorou também o valor que será pago aos produtores
de biodiesel para comprar o combustível. Pela conta lulista,
Aloysio Faria e Daniel Birmann forneceriam o biodiesel de graça.
Só que não é bem assim. O biodiesel, na verdade,
custa mais caro do que o diesel importado. Para se tornar viável,
deverá ser subsidiado. Quem pagará por ele será
o consumidor, sempre que encher o tanque. É mais um exemplo
da pródiga contabilidade petista: o governo só pensa
no dinheiro que arrecada, e não no que gasta.
O Brasil, com Lula, já não é
mais o Bananão. Agora é o Mamonão. É
o Dendezão.
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