Edição 1904 . 11 de maio de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Auto-retrato
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Chávez, exemplar pífio do socialismo, cheio de bravatas utópicas e idéias ultrapassadas, representa um regime sedento por totalitarismo."
João MárdenRoberto Szabunia
Belo Horizonte, MG

Hugo Chávez

Espero que a reportagem "O clone do totalitarismo" (4 de maio) de VEJA, o maior semanário do Brasil, seja o começo do despertar da imprensa brasileira para esse caudilho que quer ser Stalin, Simón Bolívar e Pinochet ao mesmo tempo. O discurso de Chávez a favor dos pobres é pura demagogia, como os números mostram, sempre lembrando que já estamos no sétimo ano de seu governo.
Ricardo da Cunha R.
Valencia, Venezuela

Como venezuelano, é reconfortante ver que uma revista do prestígio de VEJA tem a coragem e a sabedoria de soar o alarme sobre o perigo real que Chávez representa para a América Latina.
Paul Young
Vancouver, Canadá

As sociedades sul-americanas têm de enfrentar o desafio de construir instituições democráticas estáveis, após três décadas de governos autoritários, legatárias que são de uma herança política indesejável que dá espaço a regimes de duvidosa legitimidade. A síntese desses regimes é o atual governo da Venezuela, sendo Hugo Chávez a mais perfeita tradução do caudilho esclarecido, cujas perspectivas políticas representam um risco potencial para o projeto democrático de toda a região. Hugo Chávez representa uma peculiar reedição do populismo sul-americano das décadas de 50 e 60, associada a um discurso esquerdista revolucionário de panfleto, desprovido de substância política: pretendendo representar Vargas e Perón, Chávez consegue apenas ser a versão mal-acabada de Fidel Castro, a quem admira e procura associar sua imagem de estadista.
Iwao Celso Tadakyio Mura Suzuki
São Paulo, SP

Não sei onde VEJA vê tanto perigo no governo de Hugo Chávez. Somente os americanófilos utópicos procuram denegrir a imagem da Venezuela de hoje, cuja lição de democracia foi dada pelo povo em referendo, acompanhado por instituições internacionais, que manteve o presidente no poder. Lembrando ainda que os Estados Unidos, sinônimo de democracia para o mundo, apoiaram o golpe de Estado de 2002. Será que somente os Estados Unidos e Israel podem ter armas?
Geraldo Nardi
São Gabriel da Palha, ES

É mais que oportuno que um órgão de imprensa com a idoneidade e o trânsito internacional de VEJA informe ao resto do mundo que é com constrangimento e vergonha que a maioria dos brasileiros vê seu presidente identificar-se com alguém como Hugo Chávez. Diga-me com quem andas...
Cezar Zillig
Blumenau, SC

Na edição de 4 de maio, numa sucessão de excelentes artigos e reportagens, VEJA mostrou por que é a preferida dos brasileiros. No meu entender, essa primorosa edição culminou com a reportagem sobre o bufão Hugo Chávez, da Venezuela.
Adilson M. Coelho
Curitiba, PR

 

Ambiente

O uso sustentável dos crocodilianos amazônicos baseia-se no seguinte modelo: conhecimento técnico-científico + conhecimento tradicional dos amazônidas + política governamental. No entanto, esse modelo aparentemente simples tem a premissa de que a "ordem dos fatores afeta o resultado". Nesse sentido, temo que os atuais órgãos ambientais estaduais, ao colocarem a "política" como o primeiro componente do modelo supracitado, possam ameaçar a sua implementação. E, se isso ocorrer, nós ambientalistas e cientistas amazônicos ficaremos muito frustrados ao ver um dos poucos exemplos de uso sustentável de um recurso natural na Amazônia brasileira fluir para o fracasso ("Caçada ecológica", 4 de maio).
Ronis da Silveira
Professor doutor do Departamento de Biologia Universidade Federal do Amazonas
Manaus, AM

 

Condoleezza Rice

O antiamericanismo é um comportamento infantil. Os desenvolvidos o adotam por ciúme. E os subdesenvolvidos porque não conseguem explicar o próprio fracasso. A trajetória da secretária Condoleezza Rice (Amarelas, 4 de maio) é um ótimo exemplo para quem deseja passar à fase adulta.
Rodrigo da Cunha Lima Freire
São Paulo, SP

 

Diogo Mainardi

O governo federal financia atualmente 120 obras de presídios em todo o país, em parceria com os governos estaduais, por meio de repasses do Fundo Penitenciário Nacional. Entregará ainda cinco penitenciárias federais de segurança máxima até o fim de 2006. Trata-se de exigência da lei desde 1984 e que nenhum governo havia cumprido até agora. Para esses presídios, estão sendo selecionados, por concurso, 368 agentes penitenciários federais. O incentivo à adoção de penas alternativas de caráter educativo, nos casos previstos em lei e com intensa fiscalização, é apenas uma das ações trabalhadas no âmbito do governo federal. A medida tem resultados positivos comprovados em diversos países. Do total de condenados no Reino Unido, por exemplo, 75.000 estão presos e 206.000 cumprem algum tipo de pena alternativa. Esse tipo de pena amplia as chances de recuperação do condenado e é menos dispendioso para o Estado ("Vamos soltar os bandidos", 4 de maio).
Léia Rabelo
Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Justiça
Brasília, DF

 

Índios

Com relação à nota veiculada sob o título "Estatísticas conflitantes II" (4 de maio), a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) esclarece que não há conflito entre os números utilizados pela Funasa e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas sim uma diferença metodológica para o levantamento de dados, a saber: a Funasa considera, para efeito de população a ser atendida pelo Subsistema de Saúde Indígena do Sistema Único de Saúde (SUS), indígenas os habitantes de aldeias (denominados "aldeados"), enquanto o IBGE considera "indígenas" todos os que assim se definem quando da realização do Censo.
Rodrigo Oliveira
Assessoria de imprensa da Funasa
Brasília, DF

 

II Guerra Mundial

Sobre a reportagem "Ética que nasceu do horror" (4 de maio), informo que o primeiro grande genocídio da era moderna ocorreu na I Guerra Mundial, com a invasão da Armênia pelos turcos. Os nazistas se inspiraram nessa atrocidade, relatada em vários livros de conceituados historiadores.
Sônia Chinzarian
Campo Grande, MS  

Ao pé da página 136 da edição 1.903 ("Feitos para guerra, úteis para a paz", 4 de maio), VEJA publicou uma pequena foto como se ela representasse um radar aliado. A foto é de um aparelho de escuta alemão chamado Ringtrichter-Richtungshorer, ou simplesmente RRH. Ele foi criado em 1937 e aumentava a habilidade para ouvir sons a uma distância de 12 quilômetros. Foi utilizado justamente em virtude da falta de equipamentos de radar, que em alemão receberam a sigla FuMG.
Ivan Alves de Barros
Surubim, PE

 

Saúde

Que a indústria farmacêutica lucra com os avanços da medicina é um fato reconhecido. Nada a acrescentar. Mas não é de agora que os médicos dedicados à área sabem que, quanto mais baixas as taxas sanguíneas de colesterol e glicose e os níveis da pressão arterial, menor o risco cardiovascular. Esse conhecimento advém, como VEJA bem mostrou, de dezenas de estudos epidemiológicos e clínicos realizados nas duas últimas décadas. Aprendemos que pessoas com qualquer dessas três variáveis, mesmo em níveis inferiores ao que consideramos normal, ainda apresentam risco de morte a elas relacionado. Para ficarmos apenas em uma análise, pela limitação de espaço, já no ano de 1990 The Lancet, a mais prestigiosa revista médica, publicava um estudo da Universidade de Oxford, envolvendo 420.000 indivíduos, que demonstrava que na população o risco de derrame e infarto (duas das principais complicações da hipertensão) se relacionava com o nível da pressão arterial medida. Aqueles com pressão inferior ao considerado normal tinham menor probabilidade de vir a ter essas complicações. Daí ser difícil estabelecer o limite normal aceitável e este variar com o tempo. Valores abaixo do normal ainda apresentam algum grau de risco, e com o progresso e os recursos da medicina moderna queremos torná-lo o menor possível ("Entre a saúde e a doença", 4 de maio).
Doutor Leopoldo S. Piegas
Diretor do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia
São Paulo, SP

Sou da opinião que faremos mais bem à população promover a saúde em vez de prevenir doenças: qual a relação entre perceber e estar com saúde? Principalmente porque, quanto mais exposta aos modernos sistemas de saúde (incluindo a retórica da medicina preventiva), mais doente a população se sente pelo hiperdiagnóstico dominado pelo sentimento do medo e da doença. As informações sobre o risco de doenças são divulgadas na presunção de aumentar o sentimento de controle da população sobre sua qualidade de vida: a necessidade de criar uma imagem de controle em face do risco. Fica clara a importância da parceria com a população: negar informações é uma forma de abusar do paciente. Querem transformar fator de risco em doença. Muitos fatores de risco são variáveis contínuas (hipertensão, colesterolemia etc.) e por motivos outros são transformados em variáveis dicotômicas (normal ou anormal). Nunca saberemos o que acontecerá amanhã, independentemente de termos tomado aspirina ou estatinas.
Fernando Cavalcanti
Presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia
www.reumatologia.com.br
Recife, PE

 

André Petry

Não tenho dúvida de que o senhor André Petry receberá uma chuva de e-mails iracundos e sarcásticos como a originada pela crônica da semana anterior ("Isso é que é racismo"). Ao que parece, quando se trata de assuntos que são abordados sob a clausura da fé, a opinião das pessoas é meramente o corolário de seu sectarismo – caso dos missivistas da semana e dos deputados que inocentaram o colega. Parabéns, André Petry, pela pontualidade das críticas e pela coragem de fazê-las.
Ricardo Moraes-Pinto
Rio de Janeiro, RJ

 

Juros

Excelente a matéria "É o peso do Estado que dispara os juros" (4 de maio). Sua leitura nos mostra que cabe ao governo agir assim, de forma eficaz, para a redução dos juros para o consumidor final. Vale lembrar que, ao contrário do que disse o presidente Lula, a sociedade civil não está nem um pouco acomodada, visto que já vem se organizando e recorrendo ao Poder Judiciário para coibir a cobrança de juros extorsivos por bancos, administradoras de cartões de crédito etc.
Kássia Correa
Presidente da Associação Nacional
dos Usuários de Cartões de Crédito (Anucc)
São Paulo, SP

 

Educação

Antes de condenar os brasileiros que tentam realizar seu sonho de obter um curso superior fora do país, precisamos entender o porquê dessa escolha. Apesar de termos centenas de cursos superiores (muitos bem-conceituados, outros nem tanto), sabemos que a oferta de vagas cresce aritmeticamente, enquanto a população cresce geometricamente. Esses estudantes não devem ser excluídos por fazer um curso fora, mas sim exaltados por ter tido coragem de sair de casa e realizar seu sonho a todo custo ("Diploma muy amigo", 4 de maio).
Mário Luiz Farias Cavalcanti
Biólogo pela UEPB e doutorando em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Campina Grande, PB

 

Filme Cruzada

Motivado para obter informações sobre o filme Cruzada, vejo-me, de repente, no túnel da história das civilizações, numa incursão reveladora pelas tenebrosas veredas da religião. É difícil entender como religiões que têm um "pai" comum podem se enfrentar como inimigos mortais. VEJA brindou seus leitores com um artigo de grande profundidade ("Choque de civilizações", 4 de maio). Um exemplo para muitas editoras de livros universitários, carentes de recursos visuais e intertextualidade. Para o leitor de VEJA, acostumado com esse tipo de matéria, resta torcer para que a revista continue trazendo informação, cultura e entretenimento de forma surpreendente.
Eloy Melonio
São Luís, MA

 

Globês

Deve ser interessante ser fluente em globês, uma "ferramenta de comunicação" na qual é possível falar sobre plumas, pregos, cinzas e espirros (feather, nail, ash e sneeze na lista das 1.500 palavras "essenciais" de Jean-Paul Nerrière), mas não se pode comprar um ingresso ou passagem aérea (falta a palavra ticket), convidar alguém para almoçar (não consta a palavra lunch) ou pedir uma cerveja ou um cardápio (beer e menu também não estão na lista). Sou totalmente a favor de alternativas aos cursos "the book is on the table", mas receio que a versão de globês de Nerrière esteja fadada a juntar-se ao esperanto, outra tentativa de criar uma língua franca que acabou em língua morta ("Entendeu, valeu", 4 de maio).
Ron Martinez
Autor do livro Como Dizer Tudo em Inglês (Editora Campus)
Jaboatão dos Guararapes, PE

 

CORREÇÕES: No quadro "A geopolítica do coronel Chávez", da reportagem "O clone do totalitarismo" (4 de maio), estão invertidas as fotos de Daniel Ortega (Nicarágua) e Shafik Handal (El Salvador). • Em "Diploma muy amigo" (4 de maio), as legendas das fotos de Buenos Aires e Santa Cruz de la Sierra estão trocadas. • Na reportagem "40 idéias para ocupar bem o tempo" (VEJA Fortaleza, abril de 2005), o telefone correto do curso de ikebana oferecido pela Igreja Messiânica é (85) 3131-1193.

 

Uma polêmica entre os leitores

Ao comentar a reportagem "A longa noite do Rio e seu passado ensolarado" (20 de abril) na seção Cartas, a leitora capixaba Adriana Schneider criticou "a cultura do carioca em querer levar vantagem sempre" e abriu uma polêmica. Bárbara Fernandes Schmitt, de Porto Alegre (RS), e outros quatro leitores ficaram inconformados com as críticas de Adriana. "Sou carioca e tenho muito orgulho disso. Em Porto Alegre fui bem recebida e, sempre que me perguntam de que cidade sou, elogiam muito o Rio de Janeiro e especialmente o povo carioca", escreveu Bárbara. Apoiando a capixaba Adriana, a leitora Rosana Reichert, de Joinville, em Santa Catarina, disse: "Morei dois anos no Rio e perdi a conta de quantas vezes tentaram me passar a perna quando percebiam que eu era de fora. Acredito que a cidade seja muito maltratada por cariocas e moradores. Espero que todo esse quadro seja reversível, já que o Rio é a porta de entrada do Brasil".

 

São Pedro e as verbas públicas

A foto recente de uma praça da cidade de São Pedro, no interior de São Paulo, ilustrou a nota "O mercado da calamidade" (20 de abril), que destacou um levantamento da Defesa Civil sobre desvios de verbas públicas repassadas a municípios em situação difícil. Eduardo Speranza Modesto, prefeito do município paulista, escreveu a VEJA: "A atual administração de São Pedro não compactua com os desvios de verbas citados na referida matéria e, apesar da recente visita do senhor governador para verificar os danos provocados pelas fortes chuvas que castigaram a cidade no mês de fevereiro e que destruíram boa parte da infra-estrutura urbana, estamos aguardando o repasse de verbas do estado", esclareceu Modesto.

 
 
 
 
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