Auto-retrato
Fernando Alonso
Divulgação
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O piloto espanhol de 23 anos é a revelação
da Fórmula 1. Das quatro corridas realizadas na atual temporada,
ele ganhou três, tornando-se o líder do campeonato,
à frente do pentacampeão Michael Schumacher. Alonso
conversou com o repórter Ariel Kostman sobre a fama repentina
e suas expectativas para o GP da Espanha, neste domingo.
A QUE VOCÊ ATRIBUI SUAS VITÓRIAS
ESPETACULARES NA FÓRMULA 1 E SUA LIDERANÇA NA ATUAL
TEMPORADA?
Atribuo esse sucesso a minha determinação, minha
força de vontade. Nunca me entrego. Dirijo para vencer sempre,
essa é a minha maior qualidade. Mesmo quando estou andando
de bicicleta, por lazer, sinto o impulso de ultrapassar os outros
ciclistas. Quando ando de kart com os amigos, quase sempre a brincadeira
acaba em desastre... Disputar é a minha paixão.
O QUE É MAIS IMPORTANTE PARA GANHAR
UMA CORRIDA: O PILOTO OU O CARRO?
Ambos. Aprendi bem rápido que você pode fazer
corridas fantásticas, mas sem um bom carro vai terminar em
18º lugar. Era o que acontecia quando eu corria pela Minardi.
Talvez estivesse fazendo melhores corridas do que agora, mas não
tinha o carro certo. Sem um bom carro, você não consegue
fazer nada na Fórmula 1.
O QUE MUDOU COM SUA IDA PARA A RENAULT?
Quando o carro é bom, você tem de aprender a lidar
com situações novas, como agüentar a pressão
psicológica em torno de sua atuação, controlar
sua agressividade e se manter o tempo todo na frente. Na verdade,
nada disso é problema porque, como piloto de corrida, gosto
desses desafios.
MICHAEL SCHUMACHER, O RECORDISTA DE TÍTULOS
NA FÓRMULA 1, É O MELHOR PILOTO DA HISTÓRIA?
Não sei se é o melhor. É um piloto determinado
e com muita experiência. Mas ele teve o melhor carro da Fórmula
1 durante muito tempo. Sem isso, o piloto não pode mostrar
quanto ele é bom.
SE TODOS OS PILOTOS CORRESSEM COM CARROS
IGUAIS, QUEM GANHARIA AS CORRIDAS?
Eu, é claro! Todos nós, pilotos, acreditamos
que somos os melhores e é por isso que estamos na Fórmula
1. Pergunte ao Schumacher, ao Giancarlo Fisichella ou ao Jarno Trulli
todos vão dizer que são os melhores.
OS PILOTOS DE FÓRMULA 1 SÃO
AMIGOS ENTRE SI?
Não há muito espaço para amizade entre
nós. Os pilotos não costumam se encontrar fora das
pistas. Só consegui fazer amizade com os meus colegas de
equipe, o Trulli, em 2004, e, atualmente, o Fisichella. A Renault
quer que os pilotos trabalhem em equipe para ajudar o time a vencer.
O QUE MAIS O MOTIVA NA PROFISSÃO,
ALÉM DA COMPETIÇÃO NAS PISTAS?
Dinheiro, mulheres todas essas coisas são conseqüência.
Para mim, o que vale é a corrida, competir e ganhar. Quando
você vê um carro a sua frente e tenta ultrapassá-lo
ou defende a sua posição, isso sim é especial,
é disso que eu gosto. Ainda acho que tenho sorte de ter um
trabalho como esse, ganhar dinheiro fazendo a coisa que mais aprecio
na vida.
O QUE PASSA PELA CABEÇA DE UM PILOTO
DURANTE A CORRIDA?
Pode-se pensar em outras coisas que não sejam o carro,
a pista e o adversário, mas não é aconselhável
fazê-lo. É justamente quando não se está
100% concentrado que os erros acontecem. Por isso, quando estou
no carro, penso o tempo todo na corrida, e só.
O QUE VOCÊ ESPERA DA CORRIDA EM BARCELONA
NO DOMINGO?
Será um fim de semana especial. A Espanha não
tem tradição na Fórmula 1. O país nem
sediava corridas até três anos atrás. Hoje,
são 7 milhões de espanhóis assistindo às
provas pela TV. Se eu vencer, será provavelmente o melhor
momento do ano para mim. Somente ser campeão mundial poderia
superar a sensação de ganhar em Barcelona. Agora,
é torcer para que as coisas fiquem mais difíceis para
a Ferrari na corrida espanhola.
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