Bem-Vindo
à Prisão (Let's Go to Prison, Estados Unidos, 2006.
Universal) John, ladrão pé-de-chinelo, vem sendo colocado
regularmente na prisão desde a infância, e sempre pelo mesmo juiz.
Aos 20 e poucos anos, decide se vingar mas o juiz morre antes que ele tenha
sua chance. John arma então uma cilada para o filho dele, Nelson, e faz
o que pode para que a vida do mauricinho no xilindró seja um inferno. Claro
que nem tudo vai correr conforme o programa. Nem o filme, aliás, já
que as reviravoltas não são bem as habituais do gênero (elas
incluem, por exemplo, um caso de amor verdadeiro nascido no chuveiro da prisão).
Não é para quem gosta de finesse, e sim de escracho. Mas escracho
inspirado, para o qual os dois atores principais, Dax Shepard e Will Arnett, têm
ótimas qualificações. Veja
cenas.
Stander (África
do Sul/Inglaterra, 2003. Europa) Policial branco na África do Sul
do apartheid, Andre Stander (personagem verídico interpretado com garra
por Thomas Jane) sofria de dois males comuns naquele tempo e lugar: a repugnância
por si mesmo, pela violência que utilizava contra a população
negra, e, ao mesmo tempo, a embriaguez do poder ilimitado. Essa fratura na personalidade
de Stander chegou a tal ponto que, a certa altura, ele começou a assaltar
bancos nas suas horas livres, testando seus limites (e o de seus colegas de corporação)
com todo tipo de risco e ousadia. A história é em si um achado
e a diretora Bronwen Hughes tira dela uma sensação de turbulência
e desespero que torna seu filme verdadeiramente singular. Veja
cenas.
DISCO
On
Tour,Yann
Tiersen (EMI) Conhecido pelas trilhas sonoras de O Fabuloso Destino
de Amélie Poulain e Adeus, Lênin, o compositor e multiinstrumentista
Yann Tiersen é um dos artistas mais criativos do pop francês. Seu
segredo é não se prender a um único gênero. As criações
de Tiersen vão da tradicional chanson como se pôde
notar em Amélie aos flertes com o punk e a música
erudita. On Tour, lançado na onda de uma breve passagem do francês
por aqui, é um registro da sua mais recente turnê européia.
A novidade está nas versões aceleradas de antigos sucessos do compositor.
É o caso de La Terasse, uma valsa que ganhou um andamento próximo
ao do punk. O disco conta ainda com a participação especial de Elizabeth
Fraser, a moça de voz etérea que cantou nos grupos Cocteau Twins
e Massive Attack.
LIVROS
Divulgação
Miles
Davis: as razões pelas quais ele foi "essencial"
Kind
of Blue A História da Obra-Prima de Miles Davis,de Ashley Kahn (tradução de Marcelo
Orozco e Patrícia de Cia; Barracuda; 256 páginas; 43 reais)
O disco Kind of Blue, do trompetista americano Miles Davis, é aquele
tipo de trabalho que os críticos costumam definir como "essencial". São
poucos, porém, os que realmente sabem precisar as razões pelas quais
o álbum mudou os rumos do jazz. Kahn, crítico conceituado no meio,
não se contentou em dissecar com competência as cinco faixas do disco.
Há também muitas histórias de bastidor boa parte delas
dedicada ao vício de Davis em heroína e à obsessão
de um de seus parceiros, o saxofonista John Coltrane, em alcançar uma sonoridade
perfeita (tarefa, aliás, que ele cumpriu).
Lipnitzki/Roger
Viollet/Getty Images
Marguerite:
o amor como uma emoção brutal
O
Homem Sentado no Corredor e A Doença da Morte (tradução
de Vadim Nikitin; Cosac Naify; 112 páginas; 39,90 reais) Os dois
contos reunidos nesse livro são histórias de amor. Mas essa emoção,
na obra da francesa Marguerite Duras autora de O Amante, romance
de fundo autobiográfico que conta a iniciação sexual de uma
adolescente francesa com um adulto chinês , é difícil
e às vezes brutal. O Homem Sentado no Corredor narra um encontro
sadomasoquista, com ambigüidades perturbadoras. A Doença da Morte
trata do envolvimento de uma prostituta e seu cliente. As histórias
são marcadas pela indeterminação: pouco ou nada se sabe sobre
o passado de seus personagens. Nada mais parece importar, além do sexo
e do amor. Leia
trechos.
Questão
de Sangue, de Ian Rankin (tradução de Celso Nogueira; Companhia
das Letras; 480 páginas; 48,50 reais) Ex-músico punk, o escocês
Ian Rankin tornou-se um best-seller no Reino Unido com a série estrelada
por John Rebus, investigador da polícia de Edimburgo que faz a linha "tira
durão". É um sujeito solitário, que não gosta de regras,
fuma e bebe muito e não se dá bem com os colegas mas tem
uma qualidade: resolve os casos que vão parar em suas mãos. Em Questão
de Sangue, Rebus investiga o assassinato de dois adolescentes em um colégio
particular. O caso tem um suspeito óbvio, um ex-militar enlouquecido que
teria disparado sua arma a esmo na escola e depois se suicidado. Rebus desconfia
que o perfil do acusado não se encaixa no crime. Leia
trecho.