Os cientistas que se dedicam
à biorrobótica, um campo de pesquisa relativamente novo, acreditam
que a natureza tem muito a ensinar aos fabricantes de robôs. Os robôs
que hoje funcionam nas linhas de montagem das fábricas ou pesquisam o solo
de Marte, duas de suas muitas utilizações, são prodígios
da tecnologia, mas cada um de seus movimentos exige uma programação
complexa. A biorrobótica acredita que pode criar robôs simples, baratos
e eficientes reproduzindo o mecanismo do movimento de alguns animais. Já
existem protótipos de robô inspirados na tromba do elefante, nos
tentáculos do polvo, nas salamandras e nos peixes. A mais recente e espetacular
dessas experiências tornou-se conhecida na semana passada com a divulgação,
por uma equipe da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, do robô-lagarta.
A máquina se baseia na forma de rastejar da lagarta da folha do tabaco,
que tem o nome científico de Manduca sexta. Com setenta músculos
em cada segmento do corpo e um nervo para controlar cada um deles, a lagarta consegue
se movimentar em todas as direções e subir nos galhos das plantas.
Para montarem os primeiros
protótipos do robô-lagarta, os pesquisadores desenvolveram um tubo
oco feito de silicone, resistente mas maleável, pelo qual correm molas
que se contraem sob o efeito de descargas elétricas (veja
o quadro). É um mecanismo tão simples quanto o dos brinquedos
infantis, que por enquanto faz o robô se virar para a direita e para a esquerda.
Até o fim do ano, a equipe espera que o robô reproduza integralmente
os movimentos da Manduca sexta. Prevêem-se várias utilizações
para a engenhoca. Ela será capaz de se esgueirar por locais de difícil
acesso em espaçonaves e reatores nucleares, a fim de localizar problemas.
Poderá ser usada na detecção de minas terrestres. Em tamanho
reduzido, terá uso na medicina em exames internos, passeando pelo corpo
humano e "enxergando" os órgãos por dentro. Diz o biólogo
Barry Trimmer, um dos cientistas envolvidos com o projeto: "O problema com os
robôs convencionais é que eles se mexem por meio de juntas, que são
rígidas e limitam seus movimentos. O nosso pode se mexer à vontade".
Trimmer prevê que, quando forem produzidos em escala, os robôs-lagarta
custarão incrivelmente barato cerca de 1 dólar.